Cultura Pop
Buster Poindexter: quando David Johansen (New York Dolls) abraçou o lounge

Lembra do Buster Poindexter? Vamos por partes. Lá pelos anos 1980, já não existia New York Dolls havia um bom tempo. A banda, pilar do pré-punk e do glam rock, tinha lançado dois discos pela Mercury no começo dos anos 1970. E havia ido parar nas mãos de Malcolm McLaren, futuro empresário dos Sex Pistols. Aliás, com ele no comando, o grupo tivera uma fase (acredite) comunista, em 1976. Com direito ao cantor David Johansen brandindo O livro vermelho do Camarada Mao no palco.
Não deu muito certo – os fãs detestaram a nova fase e os EUA, recém saídos da Guerra do Vietnã, saíam correndo só de escutar falar em foice e martelo. Em seguida, vários ex-músicos da banda encontraram-se na banda The Heartbreakers, que começou em 1975 e, para muita gente, foi o primeiro grupo punk (sem o “pré” de acréscimo). Mas os ex-integrantes do grupo mantiveram carreiras solo, algumas mais regulares que outras. Johnny Thunders, por exemplo, estreou solo em 1978 com So alone, produzido pelo novato Steve Lillywhite (U2). Já David Johansen foi contratado pelo pequeno selo Blue Sky (Johnny Winter, Muddy Waters) e lançou seis discos solo a partir de 1978.
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Mas lá pelos anos 1980 alguma coisa havia mudado na carreira de Johansen. Cidadão novaiorquino e morador da esquina da rua 17 com a Terceira Avenida, ele passou a frequentar um bar na sua rua chamado Trampps, que agendava shows de nomes como Big Joe Turner e Big Mama Thornton. Foi conversar com a gerência e propôs uma série de shows, com uma nova banda, e usando outro nome: Buster Poindexter.
A ideia de Johansen era aproveitar sua experiência de entertainer e cantar um repertório que não tinha nada a ver com o de seus discos solo ou o dos Dolls. Aliás, os músicos que ele selecionou tocavam de smoking. Além disso, o repertório incluía músicas mais ligadas ao universo do jazz e de sons latinos festeiros, como o calipso. Em virtude dessas características, Johansen/Buster virou atração “da casa” do Saturday Night Live e ainda conseguiu chances inimagináveis para um cara que liderou uma banda tão suja quanto os Dolls. “O fato de usarmos smokings nos abriu muitas portas para fazermos shows na sociedade”, contou, num papo com a Interview.
Na época em que Buster lançou seu primeiro e epônimo LP (pela RCA, em 1987, com uma foto do personagem tomando um martíni), nem se falava muito disso, mas o personagem criado por Johansen era uma locomotiva da onda lounge. O estilo, evidentemente, era famosíssimo desde os anos 1950, com aqueles vocalistas tocando maracas. Além de bandas combinando elementos de pop, blues, country, cha-cha-cha, mambo, calipso e outros estilos. Ou mesmo aquelas coleções de discos cujas capas tinham bebidas, garotas dançando e móveis pés-palito.
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Com o tempo, durante os anos 1960 e 1970, esse clima foi ficando fora de moda. Mas só até o retorno com Buster no fim dos anos 1980. Logo, surgiram selos (e séries de relançamentos) ligados a esse estilo musical. E, lógico, o lounge chegou ao cinema (lembra do Coco Bongo, o nightclub saleroso de O máskara, com Jim Carrey?).
Os dois primeiros discos de Buster foram produzidos por Hank Medress – cria da cena doo wop dos anos 1950, teve um grupo do qual fazia parte um iniciante Neil Sedaka. Entre os músicos-monstros que participaram estavam Patti Scialfa (vocais), Joe Delia (piano, órgão, arranjos de metais), Tony Garnier (baixista, um dos acompanhantes mais assíduos de Buster, e desde 1989 músico de Bob Dylan) e outros. Buster goes Berserk (1989), o segundo disco, trazia na capa Buster sendo evadido de um bar por dois seguranças – ei, o já citado O máskara tem uma cena parecida com essa.
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Olha aí Buster, com voz rouca imitando Ray Charles, dando entrevista ao Countdown, programa pop holandês, e dando um show de ironia para cima do entrevistador. Na época, a versão dele para Hit the road Jack havia aparecido na comédia De médico e louco todo mundo tem um pouco, de Howard Zieff. E aliás, Johansen aproveitou para festejar com Michael Keaton, um dos atores principais do filme. “Vocês foram a festas?”, pergunta o apresentador. “Não, fomos a uma biblioteca e pegamos alguns livros. Ele é um cara legal”, gracejou Buster.
O principal hit de Buster foi essa versão de Hot hot hot!, regravação do sucesso da sensação caribenha Arrow. Que, só para tornar as coisas mais confusas e deixar alguns críticos musicais sem dormir, era considerado uma grande revelação da… world music, aquele estilo musical dos anos 1980 no qual colocavam tudo que pudesse ser considerado “música étnica”. Mas no Brasil, a versão dessa canção que você ouvia todos os domingos no Programa Silvio Santos era a do Arrow mesmo.
E enfim, a magia de Buster Poindexter continuou na vida de Johansen por muito tempo. Isso porque, ainda que os New York Dolls até voltassem, o cantor continuou dando shows em clubes ao redor do mundo como o personagem por vários anos – além de gravar outros discos. Após 2015, rolaram shows revivalistas da era Buster em nightclubs. Em 2019, Buster participou do Hoboken Spring Arts & Music Fest. Mas interpretou até mesmo canções da era Dolls, e o show foi considerado pelos fãs como um encontro entre David Johansen e Buster Poindexter.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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