Parece mentira, mas é verdade: Boy George era um grande fã de Bob Dylan na adolescência. Costumava escutar os discos que encontrava na discoteca de seu irmão, e sempre ouvia músicas “de afirmação”, como costumava falar – artistas de protesto, gente ligada ao movimento hippie, etc.

Em 1972, algumas coisas mudaram. David Bowie cantou “não, você não está sozinho” em Rock and roll suicide e George O’Dowd (nome civil do cantor do Culture Club) atendeu o chamado. Viu Bowie no Top of the pops (programa de importância quase religiosa na era glam, nos anos 1970) lançando Starman, e percebeu que havia um caminho. Ainda que George demorasse até os anos 1980 para realmente fazer sucesso, e passasse um bom tempo sendo apenas uma das figuras mais desafiadoras da onda new wave: um cara com nome de homem que se vesta de mulher (e nos anos 1970/1980).

Essas e outras histórias, George conta num documentário da BBC chamado Save me from suburbia, que alguém jogou no YouTube, legendado em português. George recorda que aprendeu “a ser homem” vendo o Top Of The Pops, e o espectador confere isso em meio a imagens de Sweet, T. Rex e outras bandas, numa sequência de emocionar. Recorda que a Grã-Bretanha vivia assombrada pelos fantasmas do fascismo, do racismo e do desemprego, e que a válvula de escape eram clubes e lojas de discos (“elas eram populares, hoje é que LPs são para hipsters”, desdenha). George também mostra a casa onde foi criado e o quarto onde se apaixonou por Shirley Bassey – e decidiu o que faria da vida.

E vale citar que o próprio Culture Club foi material de trabalho do Top of the pops, já que andou por lá em setembro de 1982, preenchendo uma lacuna (Shakin’ Stevens não pôde ir e eles foram convidados). Esse momento tá logo no início do filme, com George lembrando que a banda fundiu as cucas dos caciques da BBC, dos críticos e dos telespectadores. “Minhas sobrancelhas arqueadas causaram alarme e confusão nacional. Minha maquiagem indignou a imprensa: ‘Pô, ele tem nome de menino mas é uma menina?'” exclama.