Para quem ficou assustado (com razão!) com essa história triste de “jogo da baleia azul”, segue aí uma baleia azul que merece todo o respeito. É a banda formada pelo superbaterista Aynsley Dunbar, em 1970, o Blue Whale, com o próprio nas baquetas, ao lado de Paul Williams (vocal), Ivan Zagni (guitarra), Roger Sutton (guitarra), Tommy Eyre (teclados) e Peter Friedberg (baixo). Esse grupo estreou numa turnê pela Escandinávia em janeiro de 1970 e o disco único da banda, “Aynsley Dunbar Blue Whale”, saiu poucos meses depois.

Blue Whale: a "baleia azul" que você respeita

Se você nunca ouviu, prepare-se para conhecer uma excelente mistura de hard rock, jazz e progressivo que aponta para grupos como King Crimson (ele bem que tentou colocar Robert Fripp, do KC, na guitarra do grupo, mas não rolou) e para músicos extraordinários como Frank Zappa (por acaso o disco tem uma releitura de “Willie the Pimp”, de Frank e, não tão por acaso, Dunbar seria baterista do grupo dele, Mothers Of Invention, a partir daquele mesmo ano).

Mais: se você leu “Aynsley Dunbar” e pensou “conheço esse nome de algum lugar, mas não sei de onde”, vai aí a resposta: é dos créditos da estreia do Black Sabbath, de 1970. A última (e enorme) música do disco, “Warning”, era co-escrita por Dunbar com a turma que tocava com ele no grupo Aynsley Dunbar Retaliation. A versão de Dunbar e seu grupo saiu, olha só, há cinquenta anos, num single. Dois anos depois, o Retaliation gravou seu primeiro disco, excelente.

A carreira de Dunbar é difícil de ser resumida em poucas linhas. Ele começou tocando violino aos nove anos (disse em entrevistas ter aprendido os rudimentos do instrumento sozinho), passou para a guitarra e resolveu construir uma bateria de latas e tornar-se baterista. Chegou a ser sondado por Jimi Hendrix para a bateria do Experience, mas acabou não ficando na banda. Sobre Hendrix, chegou a afirmar num papo com a revista Modern Drummer que o rei da guitarra “era grande quando começou. Mas caiu de cabeça nas drogas, acho que porque ele ficou de saco cheio. Toda vez que eu o via, ele estava fora de órbita, doidão”.

Dunbar tocou nos Bluesbreakers de John Mayall, mas como o patrão queria um baterista com pegada mais blues, optou por sair e se juntar ao Jeff Beck Group. Com Beck, que deixou Mayall na pindaíba (“ele só gostava de fazer shows um dia por mês!”), ele gravou poucos singles. Com Mayall e os Bluesbreakers, ele gravou (igualmente há cinco décadas) o excelente “A hard road”. Pega aí.

O lado classic rock de Dunbar não o impediu de se engraçar com a turma do glam rock nos anos 1970. Ele toca em discos como “Pin ups” (1973) e “Diamond dogs” de David Bowie, “Berlin” (1972), de Lou Reed, “Slaugther on 10th Avenue” (1974) de Mick Ronson, e “All american alien boy”, de Ian Hunter (1976). Passsou também pelo Jefferson Starship, pelo Whitesnake (ele é o baterista do baladão “Is this love”) e gravou os quatro primeiros discos do Journey. Por causa desse seu período no Journey, Dunbar se deu bem agora no começo de abril, já que a banda ganhou indução ao Rock And Roll Hall Of Fame.

Isso aí é um vídeo que alguém fez da plateia do Rock And Roll Hall Of Fame, com Dunbar (boje um senhor de 71 anos) na bateria do Journey, tocando “Lights”. Aproveite aí.

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