Cultura Pop
Arnold Corns: a armação de David Bowie em 1971

Em 1971, um rockstar ainda em ascensão chamado David Bowie aparecia na capa de uma revista sobre sexo chamada “Curious”, que se propunha a trabalhar com “educação sexual para homens e mulheres”. Não estava sozinho. Do seu lado estava um tal de Rudi Valentino, líder de uma banda chamada Arnold Corns, que Bowie estava empenhado em divulgar – usando frases como “acho que Rudi vai ser o primeiro homem a aparecer na capa da Vogue” ou “acho que os Rolling Stones estão acabados e Rudi vai ser o próximo Mick Jagger”.
Olha aí o primeiro material lançado (por um selo pequeno chamado B&C, embora a Philips tenha editado o disco em algumas partes do mundo) com músicas do Corns. Eram justamente duas canções que estariam dois anos depois no disco “The rise and fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars”: “Moonage daydream” e “Hang on to yourself”. As letras eram diferentes nessa época. E como esse tal de Rudi cantava parecido com Bowie, não é mesmo?
Bom, tudo mentira. Arnold Corns era David Bowie nos vocais, com a turma que tocava com ele na época (Mick Ronson, Mick Woodmansey e Trevor Bolder). Rudi Valentino era na verdade um estilista chamado Freddie Burretti, que trabalhava para um alfaiate grego na King’s Road e ia bastante a um bar chamado Sombrero, em Londres, que Bowie e sua mulher Angie frequentavam. Bowie passou a usar roupas assinadas por ele, e a força do futuro camaleão do rock o ajudou a montar uma butique chamada Play It Cool & Play It Loud.
Olha outras duas gravações do Arnold Corns aí. A primeira é “Looking for a friend”, parceria de Bowie com um sujeito chamado Mark Carr-Pritchard, que também toca guitarra e faz vocais. A outra, “Man in the middle”, é só de Mark e é cantada quase que inteiramente por ele (e todo o material do projeto saiu no bootleg japonês “Freddi and the dreamer – The Arnold Corns sessions”, nos anos 1990).
https://www.youtube.com/watch?v=ZG7alNZs6NE
O assunto ocupa algumas páginas do livro “David Bowie e os anos 70: O homem que vendeu o mundo”, de Peter Doggett, lançado aqui pela Nossa Cultura. Bowie se sentia deixado de lado pela gravadora Mercury (nem “David Bowie”, de 1969, nem “The man who sold the world”, de 1970, haviam estourado), queria “criar” uma espécie de estrela pop destinada ao sucesso e, enquanto não conseguia um contrato interessante, não se sentia seguro para fazer isso consigo próprio.
A solução foi convidar Burretti, só que ele nunca tinha cantado nada na vida. O estilista, que o próprio Bowie costumava chamar de “co-modelador do visual de Ziggy Stardust”, não abriu a boca – a não ser quando fez alguns vocais, devidamente enterrados na mesa de mixagem. Na tal entrevista para a “Curious”, quando perguntado, falou: “Na verdade, eu sou apenas um desenhista de moda”.

Se Bowie em algum momento caiu na real e pensou que alguém iria ver as imagens do cantor do Arnold Corns e falar “ei, peraí, eu conheço esse cara! Ele se chama Freddie Burretti e nunca foi cantor. Que porra é essa?”, é improvável. Mas o projeto não deu certo e o single “Looking for a friend”/”Man in the middle” já saiu quando Bowie estava divulgando o disco “Hunky dory” (1971) e nem ele nem seus empresários tinham tempo, disposição nem possibilidade de se meter no assunto.
O projeto musical de Bowie e Burretti acabou mas a amizade e a relação profissional dos dois continuou até meados dos anos 70. Se você queria saber quem fez o terno azul que Bowie usou no clipe de “Life on mars?”, foi ele mesmo, Burretti, que desenhou e costurou a obra.
https://www.youtube.com/watch?v=v–IqqusnNQ
Na primeira aparição de Bowie e sua banda no “Top of the pops” (com “Starman”), toda a turma estava vestida de Burretti. Olha aí.
https://www.youtube.com/watch?v=4MrP83SqT9E
No meio dos anos 1970, Burretti informou Bowie que iria largar tudo e trabalhar com (olha só) o designer italiano Valentino. Os dois nunca mais tiveram contato e o estilista sumiu até da convivência da família. Em 2001, quando morreu (de câncer, em Paris), seus parentes já tinham até colocado há anos seu nome num cadastro de desaparecidos, como diz essa matéria do Fashion United. Em 2015 saiu um documentário chamado “Freddie Burretti: The man who sewed the world” (não tem nada dele no YouTube nem no Vimeo até o momento). E muitas peças que ele desenhou para o cantor estavam na exposição “David Bowie”, que ficou em cartaz no Museu de Arte Moderna de São Paulo em 2014.
E, sim, dá para dizer que Bowie adiantou em vários anos o projeto do Milli Vanilli, aquela dupla de modelos que também não cantava e só dublava as músicas. Se isso te fez lembrar dos dois e você sentiu saudades, pega aí um som deles.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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