Cultura Pop
Ananda Shankar: a impressionante psicodelia pop vinda da Índia

“Se vocês gostaram disso, com certeza vão gostar do concerto”, disse o músico indiano Ravi Shankar depois que a plateia do Concerto Para Bangladesh aplaudiu até mesmo o momento em que o músico afinava sua cítara. Pegando o gancho da frase, vamos lá: se você considera Ravi um feliz encontro entre a música indiana e o universo pop, está precisando conhecer o sobrinho do músico, Ananda Shankar.
Nascido no antigo Império Britânico da Índia, Ananda, que estaria completando 77 anos em dezembro, vinha de família de artistas. O irmão, Rabindra, tocava cítara, e seus pais tinham um grupo de dança que fazia turnês internacionais. A mãe queria proteger o garoto do estilo de vida da própria família e mandou Ananda estudar num internato. Não adiantou muito e logo Ananda estaria tomando lições de cítara com o tio Ravi. Só que o mais ilustre dos Shankar andava tão cheio de serviço durante a adolescência de Ananda, que as lições do sobrinho foram dadas por fita cassete. Ananda também aprendeu a tocar o sarod, uma espécie de alaúde indiano.
Mais tarde, Ananda passou a trabalhar com o tio. E os laços com o universo de Ravi ficaram tão fortes, que o sobrinho acabou sendo enviado a um encontro com Jimi Hendrix (um dos admiradores de Ravi no fim dos anos 1960), para entregar ao guitarrista uma cartilha sobre música indiana. Foi encontrar Hendrix num hotel de luxo nos Estados Unidos, onde o músico estava hospedado. Os dois acabaram fazendo um som juntos e o guitarrista chegou a sugerir que fizessem um disco em dupla. Ananda costumava dizer que o projeto não foi para a frente porque Hendrix “não sabia onde estava se metendo”.
Seja como for, a visita de Ananda aos EUA acabou gerando o primeiro disco do músico. Ananda Shankar, o álbum, saiu em 1970 pela Reprise, mesma gravadora que lançou os primeiros discos de Hendrix no país (e, não custa lembrar, selo lançado por Frank Sinatra). A ideia de Ananda, expressa nos textos da contracapa, era “tentar combinar música ocidental e ocidental. Música indiana sob uma nova forma, uma música que não tem nome específico, mas que é melodiosa e tocante, e que combina os mais modernos dispositivos eletrônicos com o antigo instrumento tradicional, a cítara”.
Tudo isso era um belo eufemismo para dizer que Ananda, mais até do que Ravi – que tocou com George Harrison e tinha a admiração de uma turma enorme de músicos – fez a verdadeira combinação entre a psicodelia pop dos anos 1960 e os sons indianos, com músicas que acabaram sendo executadas até por DJs. Confira só a versão dele para Jumpin’ Jack Flash, dos Rolling Stones.
Light my fire, dos Doors, também foi gravada por Ananda.
Raghupati, tema folclórico indiano adaptado por Shankar e seus músicos, também estava no disco. Em 2008, essa música acabou na trilha do game Grand Theft Auto: Liberty City stories.
https://www.youtube.com/watch?v=N7MxqNjNnLk
O LP de Ananda fez relativo sucesso, ganhou críticas positivas e o músico passou a se apresentar com uma orquestra que unia músicos indianos e ocidentais. Em alguns shows, colocou até garotas dançando no palco, vestidas com roupas indianas, além de luzes psicodélicas no palco. Em 1974, por acaso, acabou casando-se com uma dançarina, Tanusree. Aí embaixo, o casal aparece dando uma entrevista.
Depois da estreia em disco, Ananda fez trilhas de filmes e gravou mais um álbum em 1975, Ananda Shankar And His Music. Em 1977, ano em que morriam tanto Elvis Presley quanto o pai de Ananda, o músico gravou um EP em homenagem ao rei do rock: India remembers Elvis. Olha aí a versão dele para His latest flame.
Ananda nunca parou de gravar ou fazer shows, mas nos anos 1980 e 1990, muita gente passou a comentar do trabalho dele como se fosse uma novidade. O músico foi descoberto pelas novas gerações de artistas indianos e estava presente em todos os eventos do país. Nos EUA, acabou sendo descoberto por novos nomes da cultura hip hop: DJs, produtores, rappers. Na época, os antigos LPs de Ananda estavam esgotados e chegavam a ser vendidos por 500 libras na Inglaterra. Ele e seus músicos chegaram a participar de um remix do Massive Attack, a convite da banda.
Essa fase de shows e de redescoberta durou apenas alguns anos. Ananda morreu em março de 1999, aos 56 anos, de insuficiência cardíaca. Na época, estava trabalhando em um disco com vários amigos e convidados, Walking on, que foi lançado pouco depois. Havia planos para uma turnê mundial e novos discos. Viveu apenas 56 anos, bem menos que o tio Ravi Shankar, que partiu aos 92.
Uma parte bem pequena da discografia de Shankar foi disponibilizada nos serviços de streaming. Mas o primeiro disco, de 1970, está lá e pode ser descoberto por novos fãs. Ananda Shankar foi até incluído no livro 1001 discos para ouvir antes de morrer, organizado por Robert Dimery.
Via Scroll.In
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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