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American Football volta com single de oito minutos, anuncia álbum e turnê com doações pró-imigrantes

RESUMO: American Football lança seu novo single Bad moons, anuncia seu quarto álbum (para lançamento em maio) e vai fazer turnê com doações pró-imigrantes.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Alexa Viscius /Divulgação
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Se você tem acompanhado resenhas e entrevistas de bandas emo e punk atuais, na certa já viu um monte de referências ao American Football. Um grupo que começou em 1997, ficou separado de 2000 a 2014 e gravou só três discos – mas marcou todo mundo que chegou perto do som deles. O AF é conhecido pela mescla de emo e art rock, e por ter mostrado que, acima de tudo, bandas punk recentes podem encarar sonoridades e vibes mais desafiadoras.
E a notícia é que a espera por música nova acabou. Mike Kinsella (voz, guitarra), Steve Holmes (guitarra), Nate Kinsella (baixo, backings, vibrafone) e Steve Lamos (bateria, percussão e nada menos que trompete) não apenas lançam o single-clipe Bad moons, como prometem para o dia 1º de maio o quarto álbum de estúdio, American Football (LP4), pelo selo Polyvinyl Record Co.
Já que falamos em sons desafiadores, a nova faixa tem oito minutos (!) e começou como duas demos diferentes que circulavam entre os músicos “há bastante tempo: um mais lúdico, com crianças brincando e pianinhos de brinquedo; outro mais sombrio, com guitarras estridentes e bateria explosiva”, conta Mike. As canções foram unidas e se tornaram Bad moons. As guitarras arpejadas, marca registrada da banda, estão lá – ao lado de um loop de harpa, sobre o qual a faixa é construída.
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O músico também afirma que as canções estão “empilhadas dentro de um único sobretudo; secretamente, relutantemente vivendo a vida de um homem adulto, acumulando seus erros e culpas ao longo do caminho. No final, esses erros quase transbordam das crianças. Uma confissão catártica, que espero ser ao menos um pouco identificável para qualquer pessoa que já tenha vivido”, diz. Alex Acy e Rémi Belleville, diretores do clipe, traduzem essas ideias em uma montagem em câmera lenta que observa a passagem da infância para a vida adulta, destacando como esse percurso pode ser instável, delicado e cheio de rupturas.
E além da música, vem mobilização por aí. O American Football vai começar uma tour mundial em março e decidiu, paralelamente aos shows, dar uma resposta à violência e intimidação das ações do ICE nos Estados Unidos: firmou parceria com a PLUS1 para doar US$1 / £1 / €1 de cada ingresso vendido ao longo da turnê para a Safe Passage International e a Illinois Coalition for Immigration & Refugee Rights, duas organizações essenciais na defesa dos direitos de imigrantes, migrantes e refugiados.
Você confere abaixo a lista de faixas do álbum, a capa de American Football (LP4) e o clipe!
01. Man overboard
02. No feeling
03. Blood on my blood
04. Bad moons
05. The one with the piano
06. Patron saint of pale
07. Wake her up
08. Desdemona
09. Lullabye
10. No soul to save
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Duas live sessions imperdíveis: A Olivia na Argentina, e Grisa na Casa Rockambole

Prestes a subir ao palco do Estéreo MIS com a turnê do álbum Obrigado por perguntar — show que rola no auditório do Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, no dia 17 de abril, às 21h, com participação de Lucio Maia — a banda A Olívia resolveu dar mais um passo e liberar a live session Ao Vivo na Argentina. E tem um detalhe interessante nisso tudo: durante essa mesma turnê, o grupo acabou se tornando a primeira banda brasileira a gravar em dois estúdios bem icônicos da América Latina. O vídeo completo já está no YouTube, no canal oficial deles.
Essa passagem por Buenos Aires rolou em junho de 2025, a convite da Mural Session, produtora argentina que já trabalhou com mais de mil artistas de língua espanhola e que, dessa vez, abriu espaço pela primeira vez para um nome brasileiro. E não ficou só na gravação: por lá, A Olívia também fez shows no pub Mitos Argentinos e na clássica La Trastienda – casa que já recebeu gente como Charly Garcia, Fito Paez e os Paralamas do Sucesso, entre vários outros.
“A Argentina e o Brasil são países irmãos, latinos, apaixonados por música e futebol, que viveram às suas ditaduras e viram nas canções do seu tempo uma ferramenta para a transformação. Acredito que esse tipo de conexão que se dá pela luta, pela liberdade e pela celebração da vida é uma conexão natural e muito potente, capaz de quebrar a barreira do idioma”, diz Louis Vidall, vocalista da banda.
“Pra gente foi uma honra gravar em estúdios de verdadeiras lendas. É muito empolgante testemunhar como o rock é algo pulsante em Buenos Aires. Se escuta o tempo todo e em todos os lugares da cidade”, completa Pedro Tiepolo, baixista.
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Tem mais gente boa lançando live sessions: a compositora, artista sonora e luthier eletrônica Grisa soltou recentemente no YouTube a session Grisa na Casa Rockambole, que mostra um show na casa de shows paulistana – filmado por Gabriella Leonor – que passeia pela discografia dela. O repertório do álbum mais recente, Amor trespasse, lançado no ano passado pelo selo Midsummer Madness, surge ao lado de faixas mais antigas. E há músicas novas, que já estão selecionadas para Sistema-mundo, próximo trabalho.
No palco, Grisa (voz, guitarra), Gil Mosolino (baixo), Jonatas Marques (bateria) e Henrique Seibane (guitarra e sintetizador). E se você estiver achando que tem algo muito louco e diferente acontecendo na sua tela enquanto o show rola… Bom, de certa forma tem sim: a captação de imagens de Gabriela privilegia texturas, cores bem estouradas e efeitos visuais diversos. Ou seja: não basta ver o show e ouvir a música – é pra viajar com a banda nas intensidades visuais escolhidas para cada faixa.
Amor trespasse, por sinal, é um disco que não acaba na última música – e cujo começo já teve um “antes”. O disco, que passa por estados emocionais que transmitem ansiedade, desejo, perda e transformação, começou a ganhar forma durante uma residência artística na Casa Líquida, em Pinheiros.
Foi ali que o projeto deixou de ser só música e virou algo maior: um universo próprio, com 13 faixas, uma série de 13 imagens em estilo “olho mágico” e até uma instalação imersiva — tudo pensado como partes que se completam dentro da mesma obra. E ele também virou livro: Amor trespasse, publicado pelo coletivo editorial Baboon, e que funciona como um espelho visual do álbum: cada uma das 13 imagens corresponde a uma faixa, criando uma correspondência direta entre som e imagens “olho mágico”. Pra ler, ver, ouvir e imaginar…
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Lykke Li lança “Sick of love”, single sobre “a completa humilhação” no amor

Antes mesmo de The afterparty, o disco novo, sair, a Lykke Li já começou a aquecer o terreno – e isso passa direto pelos palcos. Nas próximas semanas, ela estreia músicas inéditas no Coachella, em duas sextas seguidas (hoje e a próxima, dia 17), e logo depois desembarca no Brasil, com datas no Vivo Rio (da 22 de maio) e no C6 Festival(em SP, no Parque Ibirapuera, dois dias depois). Ou seja: se você acompanha a carreira dela, esse é o momento em que o material novo deixa de ser promessa e vira experiência ao vivo.
Nesse meio tempo, ela solta mais uma pista do que vem por aí. O novo single Sick of love chega como um contraponto direto ao clima de Lucky again – antes era festa, agora é aquela baixa de energia e aquele famoso momento de “nunca mais”. Se bem que observando direito, as duas músicas são bem tristinhas. “É esse momento de humilhação completa, e você está tentando ser forte. Me diverti muito escrevendo essas letras”, conta ela.
O álbum The afterparty, que chega em breve, foi feito entre Los Angeles e Estocolmo, com produção dela ao lado de Björn Yttling, com direito a orquestra e ao que ela chama de “bongôs apocalípticos”. Vai ser um disco curto, com nove faixas e cerca de vinte minutos, mas o mais inusitado é que na listening party do álbum, ela já foi falando que ele pode ser o último dela.
“Ok, vamos falar sobre o álbum”, contou ela, num discurso que pode ser assistido nas redes sociais. “Foi uma barra fazer. Bem, chama-se The afterparty , e o jeito que eu faço álbuns é tipo sentar no meu carro e tomar um matcha com tampa de plástico, o que me deixa com uma baita culpa. E aí, não sei se vocês também sentem isso, quer dizer… é. Pesado”, disse, ainda sem tocar no assunto.
“Mas o mundo, sabe, parece que é tipo, ‘OK, são 4 da manhã e o sol vai nascer, e ou é Trump, inteligência artificial, ou só uma ressaca daquelas’. Então era mais ou menos com isso que eu estava trabalhando. É uma jornada pela noite e foi feito para ser ouvido de uma vez só, assim, então tenho certeza de que essa é a única vez que isso vai acontecer. Então sou muito grato. É uma jornada pela noite. Tipo meu eu mais profundo conversando com o que quer que esteja lá em cima… Este é meu sexto álbum, e talvez o último”, encerrou.
Lykke provavelmente estava brincando quando falou do “último disco”: não houve nenhum “oooooh” e a plateia riu (aparentemente, de nervoso). Mas vai saber. De qualquer jeito, The afterparty sai dia 8 de maio pela pela Neon Gold Records e a julgar pelos três singles já lançados (houve também a sentida Knife in the heart), promete.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Roland Orzabal (Tears For Fears) vai lançar “autobiografia astrológica” em agosto

Afinal de contas, o que é uma “autobiografia astrológica”? Pois é, o líder do Tears For Fears, Roland Orzabal, promete exatamente isso em seu livro Welcome to your life: Love, death and Tears For Fears – An astrological memoir (Little Brown Books), que já está em pré-venda e chega nas mãos dos leitores no dia 4 de agosto.
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Pois é, se você não faz ideia, a astrologia é uma paixão antiga de Roland. E o livro usa justamente os astros como fio condutor da narrativa, com Roland usando os movimentos celestes para interpretar os ciclos de sua vida: fases boas, ruins, trágicas, razoáveis, etc.
Pelo que andam falando, é o grande diferencial do livro, já que o músico promete um livro de memórias bem diferente dos habituais, em que ele meio que dá um de coach astrológico, “ensinando aos leitores o poder dos astros e como sua vida foi influenciada por sua posição no mapa astral”, como diz o texto de lançamento (por sinal, tanto o músico, nascido em 22 de agosto, quanto o livro, são do signo de Leão).
O nome da autobiografia, você já deve ter percebido, foi tirado do primeiro verso de Everybody wants to rule the world – até hoje a música mais escutada de Roland e Curt Smith nos aplicativos de música. O site Stereogum faz piada dizendo que Smith deve estar meio chateado por não ter tido a mesma ideia antes de Roland, e que restou a ele escrever uma autobiografia e chamá-la de Acho meio engraçado, acho meio triste (referência ao refrão de Mad world, um dos primeiros hits do TFF).
Ao que parece, Roland não fugiu de nenhum assunto: Welcome to your life fala da formação do Tears For Fears, do seu relacionamento enrolado com o parceiro Curt Smith (claro, as brigas que levaram à saida de Curt do projeto estão nesse rol de temas), da morte da esposa Caroline em 2017 (sua companheira desde a adolescência, ele desenvolveu demência alcoólica e precisou ser cuidada por cinco anos pelo marido) e de como o músico lutou durante vários anos contra a dependência química.
Uma ótima introdução ao tal livro de Roland é esse papo que ele e Curt bateram com o jornal The Guardian, em 2021, no lançamento do disco mais recente da dupla, The tipping point. Vários assuntos pontiagudos rolaram na entrevista e Laura Barton, a entrevistadora, viu Roland sair do papel de “popstar” em vários momentos: o músico falou da esposa falecida “com uma ternura sincera que parece bastante destoante de uma entrevista para jornal” e lembrou de quando, já bem famoso, perdeu uma vaga no reality show Popstar to operastar (que, diz o nome, transforma nomões da música pop em cantores de ópera por alguns dias). “Fui lá (no teste) e mandei muito bem. E eles não me chamaram. Midge Ure (ex-Ultravox) ficou com o papel”, recordou.


































