Cultura Pop
“Afternoon delight”: sessão de sexo à tarde chegando às paradas

Não é todo mundo, vamos admitir, que consegue largar o trabalho (ainda que ele esteja sendo feito em casa em época de pandemia), fazer aquele approach safado na namorada ou no namorado e se entregar a uma sessão de sexo à tarde. Mas em 1976, nos Estados Unido, havia muita gente a fim de um rala e rola no horário em que você está tirando aquela xerox, terminando aquele relatório ou seguindo para aquela reunião que poderia ser um e-mail. Tanto que Afternoon delight, sucesso safadinho que falava justamente sobre isso, deu muitas alegrias para o grupo pop americano que a interpretou, a Starland Vocal Band.
O Starland Vocal Band era uma banda que unia os vocais adocicados do soft rock ao som do country, e que havia começado a partir da dupla formada pelo futuro casal (e ex-casal) Bill Danoff e Taffy Nivert. Os dois eram compositores de sucesso antes do grupo: Take me home, country roads, composta por eles com o cantor John Denver, virou o hit-assinatura deste último.
“Pera, eu conheço essa música em português”, você deve estar falando. Claro que conhece, e da trilha de Ana Raio e Zé Trovão, lembra?
Bom, o casal gravou discos como Fat City e como Bill & Taffy. Depois montou a Starland com outro casal, Jon Carroll e Margot Chapman, e esse ABBA americano foi contratado pela gravadora do amigo John Denver. O grupo estreou em 1976 com o primeiro disco, epônimo, e essa canção safadinha, que ocupou os primeiros lugares das paradas justamente no ano em que as primeiras bandas punk gravavam suas estreias.
Para tornar a história mais pitoresca ainda, Danoff tirou o “delícia da tarde” do menu de um restaurante onde ele e a colega Margot estavam lanchando. Mas a música ainda demoraria uns seis meses antes de ser terminada. Apesar de no palco, a banda contar uma história maliciosa sobre uma tarde de sexo delícia do casal Danoff após a música ser feita, o autor fechou a canção trabalhando aos domingos, enquanto via futebol na TV. “Toda essa energia que sai do tubo de TV faz meus sucos criativos fluírem”, poetizou. Vale dizer que a intenção de Danoff não era falar do ato sexual em si, mas sim fazer uma canção ~safadinha~.
Afternoon delight não assustou (aparentemente) nenhum fã de música mais conservador. Pelo contrário: na cerimônia do 19º Grammy Awards de 1977, a canção recebeu três indicações. E o quarteto levou para casa a estatueta de melhor arranjo para vozes, além do prêmio de melhores artistas novos. O sucesso rápido, além do prêmio, acabou gerando uns probleminhas para o grupo. Num papo com a VH1 sobre one hit wonders, chegaram a descrever o que aconteceu com o quarteto como um “beijo da morte”, já que ficou quase impossível ultrapassar aqueles números.
De qualquer jeito, a banda se deu tão bem que deram a eles até mesmo uma chance na TV: o quarteto ganhou uma série na CBS em 1977. Durou pouco (coisa de cinco episódios), mas ajudou a divulgar mais o grupo. A Starland Vocal Band teve, em um dos episódios, até a participação de um comediante iniciante chamado… David Letterman. Anos depois, David mostrou o vídeo em um dos programas que apresentou.
O resto da década não sorriu para a banda. O grupo nunca mais conseguiu um sucesso igual a Afternoon delight, embora tenham gravado até 1980. Os integrantes entraram em carreira solo e, logo após o fim do grupo, os casais se separaram. Jon Carroll deu uma entrevista enorme certa vez falando sobre sua carreira de compositor e relembrando toda a história da Starland.
Ah, sim: Homer Simpson mostrou num episódio dos Simpsons que tinha o nome da Starland Vocal Band tatuado no braço.
E tá aí a tal entrevista da banda para o canal VH1. Na época, 1998, os dois casais, separados, continuavam amigos e cantando juntos nas horas vagas. Danoff tinha se tornado dono de restaurante e ainda fazia música. Hoje, vale dizer, tanto Danoff quanto Carrol estão no Facebook e são amigos na rede social.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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