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Cultura Pop

2pacalypse Now, de 2Pac, fez 30 anos!

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2pacalypse Now, de 2Pac, fez 30 anos!

Lançado em 12 de novembro de 1991 (opa, atrasamos um pouco na comemoração), 2pacalypse now, estreia do rapper Tupac Shakur, ou 2Pac, poderia ter sido publicado hoje. Geralmente, essa frase é um elogio que costuma ser dado a discos que estão “à frente do seu tempo”. No caso do debute do rapper, por mais que as letras, samples e batidas do disco tenham influenciado meio mundo do hip hop, o problema é constatar que as letras do álbum retratam uma triste realidade que, 30 anos depois, ainda persiste.

O disco tem Brenda’s got a baby, mandando a real sobre meninas grávidas na pré-adolescência e falta de oportunidades para crianças negras. Trapped tem versos como “eles nunca falam de paz na comunidade negra/tudo o que sabemos é: violência, faça o trabalho em silêncio” e “estou cansado de viver neste círculo vicioso/se mais um policial me assediar, posso enlouquecer”. If my homie calls, entre samples de Herbie Hancock, lembrava que 2Pac estava em outra, gravando discos, mas que seus irmãos estavam na luta, “trabalhando das nove às cinco sem nenhum atendimento médico”, e que ele estava pronto para se juntar a eles.

Soulja’s story falava que “eles (o governo norte-americano) cortaram o Welfare (setor de bem estar social, que teve regras modificadas pelo presidente George Bush), eles acham que o crime está aumentando agora/você tem brancos matando negros, policiais matando negros, e negros matando negros”. Em Words of wisdom, o questionamento é o motivo pelo qual os afro-americanos deveriam “jurar fidelidade a uma bandeira que nos negligencia”.

O novaiorquino Tupac Amaru Shakur (“é meu nome de rap e meu nome de batismo”, esclarecia), filho de um casal de militantes dos Panteras Negras, dizia em entrevistas que basicamente o conceito de sua estreia era “o jovem negro”. E que a ideia do álbum era abordar tudo o que a comunidade enfrentava naquela época. “Brutalidade policial, pobreza, desemprego, educação insuficiente, desunião e violência, crime de negro contra negro, gravidez na adolescência, vício em crack. Você quer que eu continue?”, enumerava o rapper aqui.

Ele já era um nome conhecido na época do primeiro álbum, e 2pacalypse now era aguardado como uma promessa do estilo. 2Pac vinha de uma formação escolar ampla que incluiu estudos de atuação, poesia e dança. Também já se dedicava ao rap e às beatboxes na época da escola – em 1989, aos 18 anos, chegou a tentar se lançar usando o nome de MC New York.

O começo da carreira mainstream de 2Pac foi numa onda bem diferente, no entanto. Ele abriu os anos 1990 como integrante do grupo Digital Underground, que era zoeiro o suficiente para lançar músicas festeiras como Sex packets e para ter seu hit Same song incluído na trilha da comédia de terror Nada além de problemas, dirigida por Dan Aykroyd. Do clipe dessa faixa (que fez parte até da trilha do filme infantil Gasparzinho, de 1995) participaram até mesmo Dan, além do próprio rapper.

2pacalypse veio marcado pelo espancamento, por parte de quatro policiais brancos de Los Angeles, do motorista afro-americano Rodney King, ocorrido em 3 de março de 1991 e flagrado por uma câmera oculta. A violência policial não era uma pauta que ganhava a adesão da opinião pública branca tão facilmente. Aliás, mesmo os jornais de TV costumavam ser bastante injustos ao abordar o tema.

Dois dos policiais responsáveis pelo espancamento de Rodney foram absolvidos inicialmente em 1992, o que causou revolta entre a população afro-americana de Los Angeles. O nome de Rodney surge na letra de Soulja’s story, que examina detalhadamente a desigualdade e a brutalidade policial como motor do universo de mortes e crimes nos EUA de 1991.

Políticos conservadores dos Estados Unidos começaram uma chiadeira enorme em torno dessa música, por sinal -especialmente quando o advogado do motorista Ronald Ray Howard, que atirou num policial em 1992, alegou que seu cliente estava escutando a faixa quando foi parado pelo oficial, e “teria sido influenciado por ela”. Antes que você pare para enumerar todas as vezes em que esse tipo de argumento foi levado em conta (do metal ao rap, há mil exemplos), vale citar que 2Pac, para piorar, enfrentou inimigos de tudo quanto era lado, desde o vice-presidente Dan Quayle (que pregou censura ao disco) ao pastor Jesse Jackson.

O grande sucesso de 2Pac demoraria alguns anos para surgir e apareceria com o disco Me against the world, de 1995. Mas 2pacalypse now ganhou disco de ouro, recebeu elogios pela narrativa crua do rapper (e críticas pela presença de versos mais politicamente incorretos, pelos quais 2Pac costuma ser mais lembrado). Impressionou pela chuva de samples bem escolhidos, que incluíam de reis da black music como James Brown, Parliament e Isaac Hayes a Pink Floyd (Violent tem trechos escondidos de Any colour you like). Uma turma enorme de produtores se juntou em torno da estreia de 2Pac e o disco teve tratamento detalhado, com seis meses de gravação e de expectativa. E valeu todo o esforço.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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