Cultura Pop
15 + 1 músicas infantis para adultos

O jornalista Alexandre Matias, do UOL (e do Trabalho Sujo) resenhou o disco novo dos Tribalistas e foi certeiro. Disse que o trio formado por Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown está fazendo nada mais nada menos que “músicas infantis para adultos”. “Os temas não são para crianças, mas a forma como eles são apresentados faz parecer – e assim eles pegam o público pela mão, ensinando as canções muito didaticamente. O disco é de uma simplicidade conceitual, seja buscando uma beleza na singeleza, seja discutindo temas sérios de forma trivial”, escreveu.
E vale dizer que isso, de criar um clima infantil numa música adulta, sempre foi bem comum no universo da música pop. Seja para atrair crianças para ouvirem música de adultos, seja para inserir uma sonoridade mais “inocente”, muitos artistas já incluíram nos seus discos músicas com melodias singelas, letras cantaroláveis e versos didáticos. Muitas músicas da lista abaixo poderiam ganhar lyric videos animados, daqueles em que uma bolinha pula em cima das sílabas das letras. Ou não?
DOCES BÁRBAROS – “PEIXE” (Doces Bárbaros, 1976). Sem Doces Bárbaros, não haveria Tribalistas. O tom de “música psicodélica para crianças” que o trio vem aperfeiçoando desde 2002 foi herdado de canções como essa – que acabou entrando na trilha da série Sítio do Pica-Pau Amarelo.
BEACH BOYS – “HEROES AND VILLAINS” (Smiley smile, 1967). Parceria de Brian Wilson com o amigo letrista Van Dyke Parks, foi a primeira música composta para o projeto Smile, engavetado – e sobrou para abrir Smiley smile, com o material que Brian deixou vazar do disco. A letra foi influenciada por histórias do Velho Oeste e houve um falatório duradouro a respeito de que a música seria um protesto disfarçado contra a Guerra do Vietnã. Como tudo em Smile, a música passou por vários processos de gravação, teve várias versões (a “Cantina version”, com modificações na letra, é uma das mais queridas dos fãs) e deixou todo mundo exausto.
WHITE STRIPES – “WE ARE GOING TO BE FRIENDS” (White blood cells, 2002). Uma música fofinha dos White Stripes sobre como é legal fazer amigos no começo do ano escolar. Virou single do grupo e fez sucesso.
ALICE COOPER – “BEAUTIFUL FLYAWAY” (Easy action, 1970). Tema alegrinho, conduzido ao piano, que poderia ter feito o caótico segundo disco da Alice Cooper Band levar a banda a algum lugar – não rolou e a música sequer foi lançada como single. A música não é cantada por Alice – quem solta a voz (e toca o piano) é o guitarrista Michael Bruce.
RONNIE VON – “DE COMO MEU HERÓI FLASH GORDON IRÁ LEVAR-ME DE VOLTA A ALFA CENTAURO, MEU VERDADEIRO LAR” (A misteriosa luta do Reino de Parassempre contra o Império de Nuncamais, 1969). A “fase psicodélica” na qual Ronnie Von havia entrado já se esgotava um pouco – e o “príncipe” da Jovem Guarda dava uma crescida de olho para o público infantil nessa e em outras músicas de seu novo disco.
https://www.youtube.com/watch?v=VWTtFf7GDMM
CASA DAS MÁQUINAS – “RAIOS DE LUA” (Lar de maravilhas, 1975). Em fase ligada ao rock progressivo (referenciando-se em Echoes, do Pink Floyd, para compor músicas como a faixa-título e Vale verde), o grupo paulista encaixou em seu segundo disco um bolerinho acústico, com introdução de pianinho infantil.
SMASHING PUMPKINS – “CUPID DE LOCKE” (Mellon Collie and The Infinite Sadness, 1995). Muita gente lembra desse disco pelo indie rock nervoso de Bullet with butterfly wings e pelo som herdado da Factory de 1979. Cupid fazia parte do lado psicodélico e cândido do álbum, com harpas, pianinhos, corais – e uma letra que parece uma cantiga de ninar para crianças góticas.
ROLLING STONES – “DANDELION” (single, 1967). Dandelion Angela Richards, filha de Keith Richards, não era nem nascida quando essa música saiu – e anos depois, meio incomodada com o nome inusitado, ela preferia ser chamada de Angela mesmo. Em 1967, isso aí era só o nome de um single malucão que os Stones lançaram entre Between the buttons e Their satanic majesties request (ambos de 1967), com We love you no outro lado – nenhuma das duas músicas surgiram como faixa de LP de carreira.
PINK FLOYD – “BIKE” (The piper at the gates of dawn, 1967). Sim, o narrador da música (o autor é Syd Barrett, claro) lembra o Louco da Turma da Monica – e ele quer convidar sua namorada para conhecer sua bicicleta, seu rato de estimação, sua capa de chuva (que já está rasgada na frente) e sua coleção de homens de gengibre.
WILCO – “JUST A KID” (The SpongeBob SquarePants movie: Soundtrack, 2004). Ok, a música foi feita pela banda para a trilha do filme Bob Esponja e está mais para música de adultos feita para crianças mesmo. Mas como eu adoro essa música, fiz questão de incluir.
THE MONKEES – “APPLES, PEACHES, BANANAS AND PEARS” (single, 1967). Um tema que se tornou hit na série de TV da banda. Saúde é o que interessa: para mostrar que ama a namorada, o personagem da letra leva frutas para ela de presente.
WEEN – “OCEAN MAN” (The mollusk, 1997). Outra que depois entrou na trilha do filme do Bob Esponja – mas essa fez parte de um disco de carreira do Ween, uma das bandas mais loucas e criativas de que se tem notícia.
STONE TEMPLE PILOTS – “A SONG FOR SLEEPING” (Shangri-La dee da, 2001). Ainda passando maus bocados com as drogas, Scott Weiland homenageava o filho Noah com uma bela canção caseira, falando de acordar o filho, botar o café da manhã para ele e protegê-lo dos perigos. E ver o garoto crescer.
SCOTT WEILAND – “ARCH ANGEL” (Happy in galoshes, 2007). Boa parte do repertório do segundo disco solo de Weiland foi inspirado pela morte do irmão Michael – daí as letras quase sempre apontarem para reminiscências de infância, ou fofices, e uma e outra recordação mais pesada. A bossa nova eletrônica Arch angel cita nominalmente o irmão morto e o homenageia. “Que droga, você desapareceu/Hoje vejo que você é um super-herói renascido”.
SLEATER KINNEY – “LIONS AND TIGERS” (One beat, 2002, como faixa bônus nas primeiras edições). Em meio a canções políticas e letras sobre feminismo, a maternidade da cantora e guitarrista Corin Tucker acabou inspirando uma canção do grupo.
E se você aguentou chegar até aqui, pega aí de brinde a versão dos Muppets pra Bohemian rhapsody, do Queen.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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