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Vinil de Quinta: uma websérie para fazer você querer ouvir vinil

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Vinil de Quinta: uma websérie para fazer você querer ouvir vinil

O deep listening (enfim, o ato de ouvir um disco com atenção e mergulhar de verdade na audição) vem ganhando projetos bem interessantes em formatos de podcast e canal de vídeos. A ideia do Vinil de quinta (cujos episódios foram ao ar todas as quintas-feiras no YouTube) é unir o lado profundo de ouvir vinis à conversa com quem entende de música e LPs.

O programa (que está em fase de planejamento para retornar em 2022) já trouxe entrevistas com colecionadores como Manoel Filho e Cristiano Grimaldi, e DJs como Grazy e Tamy, para falar de funk e rap, respectivamente. Pedro Diniz, um dos curadores da série junto com Eduardo Botelho, falou nos dois episódios sobre tropicalismo – aliás, cada tema é dividido em dois episódios, que são chamados de lado A e lado B.

A websérie é apresentada pelo DJ, pesquisador musical e comerciante de elepês Flávio César, e ainda tem vídeos enviados pelo público, analisados pela pesquisadora Aïcha Barat. Cada episódio passa por nada menos que 20 LPs, e a ideia dos criadores – e dos diretores Isabel Seixas (Estúdio M’Baraká) e Leo de Souza Santos (Pressa Filmes) – é que todo mundo, após assistir aos episódios que já foram ao ar, queiram sair por aí caçando seus vinis preferidos.

Eduardo, Pedro e Isabel bateram um papo com o POP FANTASMA sobre a websérie e sobre vinil (claro!).

Como vocês começaram a colecionar discos e qual foram seus primeiros discos?

Eduardo: Desde pequeno tive contato com LPs dentro de casa, pois meus pais fizeram o favor de guardar seus discos e sua vitrola pra além dos anos 90. Então desde pequeno tive uma pequena coleção dentro de casa, depois que cresci e passei a me interessar ainda mais por música, discos e todo esse universo, acabei “herdando” essa coleção de discos, a qual fui “engordando” com o tempo.

Pedro: Comecei meu contato com discos com a coleção dos meus pais, quando eu tinha 4-5 anos de idade, sempre pedia pra tocar Saltimbancos, TV Colosso, mas também os LPs do Chico Buarque, Clube da Esquina, Boca Livre e Beatles.

Conforme o tempo foi passando, os hábitos mudaram, e o CD passou a ser a mídia predominante, deixando assim, o vinil encostado pegando poeira.

Quando eu estava com 18-19 anos e meus pais estavam de mudança, eles quiseram jogar fora sua coleção de bolachões, foi aí que eu herdei um acervo repleto de grandes artistas nacionais e internacionais, do samba ao rock, do jazz a black music e voltei a me interessar pelo assunto.

Isabel: Eu recebi uma herança afetiva do meu pai. Antes dele falecer, separou sua coleção entres os filhos. Mas a maioria dos meus sete irmãos não tinha interesse e eu fiquei com uns cento e poucos discos. E dois irmãos com o resto. Nessa coleção que herdei do meu pai tinha basicamente MPB. Muito Gil, Caetano, Chico, Gal. Uns anos depois eu conheci o Pedro Diniz, curador da websérie e retomei esse amor pelos discos. E aí, o primeiro disco que comprei foi Paulinho da Costa (1984) e Beleléu (Itamar Assumpção), que dei de presente para os meus amigos, DJs e curadores da websérie (Pedro Diniz e Eduardo Botelho). No mesmo período, Pedro me presenteou com o Mico de circo, do Luiz Melodia.

Como vocês tiveram a ideia da série?

O projeto Vinil de quinta se iniciou no ano de 2017, quando Eduardo e Pedro trabalhavam juntos em um hostel em Copacabana, que possuía um espaço já famoso por seus eventos. Com o intuito de celebrar esse formato de mídia física e reunir amigos, colecionadores e entusiastas do disco de vinil, Pedro e Eduardo decidiram por iniciar um evento quinzenal, sempre às quintas-feiras, tocando discos de suas coleções e também estimulando os convidados a levar seus discos de casa para que fossem tocados, trocados, debatidos… O evento presencial em Copacabana chegou a um fim, após sete edições, quando os dois produtores, Pedro e Eduardo, foram aprovados juntos para um intercâmbio no Reino Unido com bolsa de estudos.

Após um período de hiato na realização do evento entra na história Isabel Seixas, que após conhecer o projeto e se identificar com a causa resolve apostar na volta do projeto por meio de seu escritório de projetos culturais, a M’Baraká. Então Isabel utilizou todo seu know how em projetos para adequar e inscrever o Vinil de quinta na lei Aldir Blanc, lei emergencial de incentivo a cultura que entrou em vigor durante a pandemia da Covid-19. A proposta inicial da lei era re-ocupar os espaços de cultura da cidade com eventos presenciais, porém com o avanço da pandemia e do número de internações o projeto que seria presencial e aconteceria no Parque das Ruínas teve que se adaptar, transformando-se numa websérie gravada dentro de casa, seguindo todos os protocolos de testagem e prevenção contra a Covid-19.

A ideia original do projeto sofreu mudanças por causa da pandemia, certo? Como era antes e como foram as adaptações?

A proposta original do evento consistia em realizar uma série de eventos presenciais no Parque das Ruínas, com debates, feira de troca e exposição de vinis e claro, muita discotecagem 100% nos biscoitos. Assim como na websérie, nós pretendíamos debater a cada edição do evento um movimento/gênero musical importante para a cidade do Rio de Janeiro, realizando na primeira hora de evento um debate de aproximadamente 60 minutos entre convidados, curadores, mediadores e platéia.

Na sequência do debate nosso DJ/pesquisador convidado do dia assumiria os toca-discos, apresentando para o público presente um DJ set “temático” de acordo com o movimento/gênero musical debatido no dia. Infelizmente não foi possível seguir com a idéia original do projeto, mas nos adaptamos, reinventamos, e transformamos esse debate no que hoje é a websérie. A parte “musical” infelizmente não conseguimos adaptar para a internet por conta das questões de direitos autorais, então não foi possível adicionar à websérie a reprodução de faixas e discos mencionados nos episódios, nem tampouco foi possível organizar um DJ set dentro da “legalidade”, mas independente disso ficamos felizes e bem satisfeitos com esse projeto adaptado.

Hoje em dia tem muitos projetos envolvendo o deep listening de vinis, além da coleta de histórias sobre discos clássicos. O hábito de ouvir música com atenção e com imersão tem aumentado por aí?

A “volta triunfal” do vinil é algo que vem se consolidando na última década e é possível percebermos isso com clareza quando vemos o aumento no número de vendas nos LPs, o crescimento e a consolidação das feiras de vinil pelo país afora, bem como outros projetos audiovisuais e espaços onde reproduz-se somente discos de vinil… O interesse nesse tipo de mídia é crescente e acredito que durante a pandemia esse hábito tenha se intensificado ainda mais, visto que estivemos todos (ou quase todos) presos dentro de casa buscando maneiras de nos distrair e de amenizar os tempos difíceis. De minha parte com certeza aumentou, meus discos e meu som sem dúvida foram meu melhor escape durante esse período pandêmico.

Como tem sido fazer a edição a escolha de tudo que entra na série, diante de convidados que têm sempre histórias fantásticas pra contar, como Manoel Filho e Cristiano Grimaldi? Dói muito no coração deixar certas coisas de fora?

Como preparamos um roteiro prévio, foi mais fluido fazer a edição. Mas claro, é sempre um sofrimento… Quem fez a edição foi o Terêncio Porto, que é muito experiente e nos ajudou a sofrer menos e fazer as escolhas a partir da fluidez do papo. Claro, considerando que cada entrevista gerou cerca de 200 minutos de material bruto, a edição teve que chegar a um resultado de menos de 30% do tempo do material bruto. Fizemos uma leitura prévia do material bruto e buscamos marcar as respostas para o nosso roteiro. Papo de gente apaixonada por música rola solta, mas tinham um roteiro a seguir para o formato do programa.

Além disso, tinham os quadros Amigos de quinta, que achamos muito especial (no qual convidamos pessoas para falar de um disco especial dentro do tema do episódio) e o quadro Olha a capa, no qual a pesquisadora Aicha Barat fazia a leitura de uma capa importante para aquele estilo. Foi difícil encaixar tudo, mas buscamos seguir o roteiro original na edição.

Onde vocês compram vinil?

Somos grandes adeptos do “shopping chão”, dá pra encontrar muita coisa boa dessa forma. Mas não deixamos de frequentar sebos, lojas especializadas, feiras, leilões na internet… Até alguns meses atrás eu também fazia parte de um clube de assinatura, recebendo mensalmente um LP em casa. Durante o isolamento essa foi uma ótima forma de continuar em contato com novos discos. Outras fontes muito boas também são os grupos de Facebook, páginas do Instagram, além é claro dos colecionadores/vendedores que fazem essa roda girar e negociam seus velhos achados para abrir espaços para novos achados.

Qual vinil vocês querem MUITO ter e não acharam/não conseguiram comprar por causa do preço?

Eduardo: Um sonho de consumo atual é o LP Nesse inverno, do Tony Bizarro. Não é dos preços mais estratosféricos (no Discogs o mais barato se encontra por R$ 560 com frete) mas é um LP chato de achar.

Pedro: Difícil escolher um. Mas coloco aqui três que eu quero muito: Panis et circenses, A banda tropicalista do Duprat e Jards Macalé (1972), são discos raros, caros e que são elementares pra nossa música.

Lembram de algum disco que só dá pra ouvir em vinil (em CD e plataformas digitais nem pensar)?

Pedro: Pensamos aqui e não lembramos de nenhum, só daqueles unreleased de música eletrônica.

Como veem essa onda dos toca-discos de maletinha? Dá pra confiar?

Eduardo: Particularmente eu acho essa moda das maletinhas até bacana, pra muita gente pode ser a única opção de soundsystem viável financeiramente para se começar uma coleção. Eu felizmente pude começar com o toca-discos 3 em 1 que herdei de meus pais mas muita gente não tem essa oportunidade e precisa arrumar um jeito barato de reproduzir aquele disco especial que tá pegando poeira na estante, então as maletinhas nesse caso podem ser uma boa opção de entrada. Agora, se a pessoa está disposta a dar um passo a mais e realmente se envolver com esse universo dos discos de vinil, ai eu já recomendo fortemente fugir dessas maletas, principalmente pela qualidade do braço e da agulha que, a médio-longo prazo, podem acabar deteriorando os discos ali reproduzidos.

Vocês ainda compram CD? Acham que o formato ainda vai ser revitalizado?

Não acreditamos em um “boom” do mercado de CDs como aconteceu com os LPs por diversos fatores: não achamos que o CD tenha o mesmo apelo “nostálgico” que um LP possui, nem a mesma qualidade sonora. Um bom LP reproduzido em um bom sistema de som sempre será a preferência da grande maioria dos audiófilos, além de que existe uma infinidade de obras e artistas que só estão disponíveis em long plays. Não temos comprado mais CDs, e sim focado na expansão da coleção de discos!

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Lançamentos

Radar: Queen, Jacob The Horse, Moon Construction Kit, Laptop, Dead Air Network, The Legal Matters

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Capa do disco Queen II

Acabou 2025! Bom, acabou pra você – no nosso coração ele continua vivo. Mas de qualquer jeito, vai aí o último Radar internacional do ano, destacando até mesmo uma canção natalina do Queen, que adianta um relançamento do grupo – e ainda não foi lançada oficialmente, mas você já ouve aqui. E ainda tem mais. Feliz ano novo!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Queen): Capa do discoo Que

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QUEEN, “NOT FOR SALE (POLAR BEAR)”. Queen II, o segundo álbum do grupo britânico, de 1974, vai voltar recauchutado às lojas e plataformas em 2026. O relançamento é adiantado por Not for sale (Polar bear), canção gravada durante as sessões do disco. Trata-se de uma canção feita pelo guitarrista Brian May para o Smile, sua banda pré-Queen – e algumas gravações piratas da canção com o Smile já rolaram por aí. Brian, que lançou a faixa num especial de Natal apresentado por ele na rádio britânica Planet Rock, apresentou a canção falando que “até onde eu sei, ninguém nunca ouviu esta versão”.

Aliás, essa música do Queen é uma canção de Natal. Daí o músico ter ficado na maior pressa para apresentar a canção, que nem sequer está ainda nas plataformas digitais – May disse também que a música ainda era “um trabalho em andamento”, mas “estou colocando isso de surpresa no meu especial da Planet Rock porque fiquei curioso para saber o que as pessoas acham”. Um detalhe curioso é que a letra não faz referência direta ao Natal. A data surge meio como um subtexto, na história da criança que olha vitrines e depara com um urso polar de brinquedo que “não está à venda”.

JACOB THE HORSE, “666 CHICKS”. Numa homenagem ao filme Faster, pussycat! Kill! Kill!, de Russ Meyer, quatro garotas sanguinárias substituem os integrantes da banda punk de Los Angeles Jacob The Horse no clipe de 666 chicks, seu novo single. Não sem antes sequestrar os músicos, subjugá-los e comer os quatro vivos. O guitarrista e cantor Aviv Rubinstien canta que as mulheres “morrerão assassinando homens que tentam mantê-las acorrentadas” e revela uma história de sua família nos versos “minha avó Hannah costumava jogar coquetéis Molotov em nazistas / e eu pago dez dólares por um café / e escrevo poesia ruim / não há esperança para mim” (a avó dele realmente fazia isso – Aviv é judeu esquerdista e muito do repertório do Jacob The Horse é sobre a escalada do fascismo nos Estados Unidos). O irônico álbum At least it’s almost over, o próximo do grupo, sai em 20 de março.

MOON CONSTRUCTION KIT, “CHEMICALS”. O synthpop da Suíça vai bem, obrigado. O Moon Construction Kit é um projeto criado pelo músico Olivier Cornu, cuja sonoridade baseia-se em synths gélidos, algum peso nas guitarras e psicodelia como clima geral a envolver as músicas. Chemicals, o novo single, transita entre David Bowie e uma espécie de boogie art-rock, com arranjo e melodia contemplativos. “Chemicals é o som de sentir demais. Em algum momento, a única forma de lidar com isso é desligar. Eu queria que a faixa refletisse essa luta entre o caos e a necessidade desesperada de quietude”, conta Olivier.

LAPTOP, “CHRISTMAS CARD FROM A HOOKER IN MINNEAPOLIS”. Jesse Hartman é um sujeito experiente: tocou com Richard Hell, teve uma banda de indie rock chamada Sammy (que nos anos 1990 gravou discos na Geffen), e montou depois o Laptop – uma banda que começou lá pelos anos 2000, e que hoje Jesse divide com seu filho Charlie. O grupo lançou recentemente o single Indie hero, mas despede-se de 2025 com um single natalino: é a versão deles para Christmas card from a hooker in Minneapolis, sucesso de Tom Waits.

“Essa foi a primeira música que me mostrou que dava para misturar tristeza e humor na mesma frase. Ela basicamente me formou. Essa música é a planta-baixa do Laptop, eu sabendo disso ou não”, conta Jesse, que tocava a faixa desde os 13 anos no piano da família, antes de montar qualquer banda.

DEAD AIR NETWORK, “THIS MIGHT HAVE HAPPENED BEFORE”. “O Dead Air Network mistura punk retrô, new wave e influências góticas para criar uma experiência sonora única, que dialoga tanto com fãs nostálgicos quanto com novos ouvintes”, faz questão de esclarecer esse grupo punk de New Jersey, que na faixa This might…, volta esbanjando referências de Hüsker Dü. A música está no EP The fifth of october.

THE LEGAL MATTERS, “EVERYBODY KNOWS”. Muito romantismo e um clima que faz lembrar bandas como Badfinger e Wings – é o som de Everybody knows, música nova dessa banda de power pop do Michigan. Uma música cuja letra fala a respeito de sons que lembram momentos legais do passado e os lugares dos quais você veio – você pode viver para sempre numa lembrança, numa fotografia ou em algo que te lembre coisas boas. Uma canção de Natal, embora nem seja esse o objetivo da banda, já que a data festiva nem é citada.

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Lançamentos

Radar: Ebony, Marina Sena e Psirico, Tenório, Favourite Dealer, SantiYaguo, Zé Manoel

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Foto (Ebony): Emna Cost / Divulgação

Hoje é o último Radar nacional do ano – em 2026 tem mais. O single novo de Ebony, que abre caminho para a versão deluxe do ótimo disco KM2, encabeça a lista, que está variadíssima como sempre. Ouça e passe adiante!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Ebony): Emna Cost / Divulgação

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EBONY, “DONA DE CASA”. “Essa foi a primeira música escrita para KM2, e acabou ficando de fora da versão experimental. Ela foi pensada para ser uma forma de interlúdio, mas acabou sendo um dos versos mais potentes que já fiz na vida, e a escolhi para anunciar a versão completa do álbum”, conta Ebony, que lança em breve nas plataformas a versão deluxe de seu ótimo álbum KM2 (resenhado pela gente aqui).

Dona de casa, a tal música que ficou de fora, abre caminho para a nova versão do álbum, e detalha a luta de Ebony para chegar onde chegou – e o “onde chegou”, vale dizer, inclui datas já agendadas para divulgar o KM2 deluxe, levando seu rap feminista e aguerrido adiante. Aliás, confira abaixo as datas da KM2 deluxe, a tour.

 

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MARINA SENA feat PSIRICO, “CARNAVAL”. Em 2025, Marina Sena lançou seu terceiro disco, Coisas naturais – seu melhor lançamento até agora, conforme falamos em nossa resenha. E ela encerra o ano com um lançamento especial de verão, o EP Marinada vol. 1 – projeto multimídia que se estende ao audiovisual, cabendo um videoclipe oficial da versão estendida de Carnaval e cinco lyric videos, todos dirigidos por Marcelo Jarosz e Vito Soares. A tal nova versão de Carnaval ganha a participação de Marcio Vitor (Psirico), e mais foco ainda no batuque e na diversão.

TENÓRIO, “PEGA, MATA E COME”. Jazz também combina com perigo e tensão – a banda Tenório, que une improvisos, solos e experimentalismos, já havia mostrado isso com o single Pedra do rio não sabe que montanha é quente. Com Pega, mata e come, o segundo single, a coisa ganha contornos mais selvagens, soando como um bicho atrás de sua presa. Na formação do Tenório, Filipe Consolini (piano), Henrique Meyer (guitarra), Victor José (baixo) e Felipe Marques (bateria). Em 2026 sai o primeiro álbum.

FAVOURITE DEALER, “WAVES”. Destaque de uma cena de bandas nacionais que revitalizam o shoegaze, esse grupo curitibano já havia lançado dois singles em 2025, Frustrating e Drowning. O ano encerra para eles com Waves, faixa que destaca os vocais tranquilos, o clima quase psicodélico e as guitarras sujas – algo no meio do caminho entre o stoner e sons mais melódicos. E já tem clipe.

SANTIYAGUO, “T.O.C.”. Voltado para o metal + hard rock de terror, SantiYaguo (ou Santiago Miquelino, seu nome verdadeiro) pegou um blues-rock feito por ele com Tiago Teixeira, transformou em metal, e lá veio o single T.O.C.. A música ganhou um clipe bastante criativo, dirigido por Fabiano Soares, em que uma mulher é exorcizada por um padre fã de Black Sabbath (que usa Iron man, autobiografia de Tony Iommi, como Bíblia Sagrada).

ZÉ MANOEL, “CORAL” (CLIPE). Patrimônio Vivo de Pernambuco, o Samba de Véio da Ilha do Massangano surge em Coral, contrapartida audiovisual da faixa-título do novo disco de Zé Manoel – é até bem mais do que um clipe, com uma linguagem de curta-metragem. No vídeo, dirigido por Tiago Di Mauro, Zé Manoel chama a atenção para o corpo como território sagrado, casa da voz e da memória ancestral. “O corpo é o meu primeiro instrumento. Antes de qualquer canto, há o silêncio e o som da pele. O clipe de Coral é um ato de reconciliação com a própria natureza. É um renascimento, uma oferenda às águas e às minhas origens”, afirma. Tudo é bastante sensorial, e a água surge de maneira quase ritualizada ao longo do clipe (e resenhamos o álbum Coral aqui).

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Lançamentos

Radar: Alex Vanderville, The Dreaming Void, I Smell Burning – e mais sons do Groover

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Foto (Alex Vanderville): Divulgação

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som de Alex Vanderville

O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Alex Vanderville): Divulgação

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ALEX VANDERVILLE, “LOBOS”. Vindo do México, Alex faz rock enérgico, influenciado por punk, grunge e sons oitentistas (nomes como Nirvana, Nine Inch Nails, Soundgarden, Jeff Buckley, Stone Temple Pilots, INXS e Duran Duran estão entre suas referências), mas que busca nunca escapar do pop na hora de fazer melodias. O single Lobos tem até um ar gótico no arranjo e até mesmo no clipe – e une punk e synthpop.

THE DREAMING VOID, “DANGEROUS TOYS”. Essa banda britânica tem muito do pós-britpop em seu sóm – mas sem deixar de lado as referências do pós-punk e dos anos 1980. Dangerous toys, um de seus novos singles, tem dois segmentos, e une a tranquilidade de bandas como Starsailor e R.E.M. a um clima gelado que faz às vezes lembrar The Cure e Echo & The Bunnymen. Destaque para a voz de Amy Hart.

I SMELL BURNING, “BLUE PARADE”. Esse misterioso grupo-projeto britânico soa como um David Bowie meio sombrio e metálico, no single Blue parade – uma faixa que eles afirmam ser uma das favoritas dos fãs nos shows. A vibe meio soul da música (que tem andamento lembrando Heroes, de Bowie) com certeza deve dar uma bela animada nas plateias da banda.

DIMA ZOUCHINSKI, “LATER FATE”. Compositor e cantor que diz ter mais de cem canções compostas, Dima é filho de pais russos, mas nasceu na Inglaterra e sempre viveu por lá. Ele diz que seu estilo é “Ian Dury encontra Lemmy nas encruzilhadas do blues”, e tem uma onda assumidamente Billy Bragg em seu som – dá para perceber isso de cara na poderosa Later fate, uma de suas músicas mais recentes.

THE DRONES, “NIGHTINGALE”. Pós-punk zoeiro com vocais de desenho animado, e som que tem o maior jeitão de terror de desenho animado também – na real é uma canção gótica-shoegaze feita em clima de demo, com gravação envelhecida. Uma das faixas do novo álbum do The Drones, que se chama justamente Nightingale.

CRONOS MATTER, “CELEBRITY BOILED”. Esse projeto se define como um encontro entre Nirvana e Soundgarden – uma banda com guitarras pesadas, vocal dramático e clima ligeiramente cinematográfico e aterrorizante. O grupo afirma que a ideia de Celebrity boiled é falar dos descontentamentos e desilusões modernas – a letra fala sobre a verdadeira máquina de moer carne das redes sociais, em que todo mundo fica se comparando, e também sobre relacionamentos abusivos.

PANKOW_77C, “PRECINT 13 DEATH BRIGAD4S”. Esse projeto audiovisual italiano costuma meter bronca mais em vídeos que se assemelham a games – e dessa vez, no single novo, investem no cyberpunk cheio de erros propositais de gravação, peso eletrônico e ligações pouco usuais, já que William Burroughs e Gilles Deleuze são citados como referências misturadas no caldeirão deles. “Filosofia com batida forte. Sem revivalismos. Sem modismos. Esta é uma insurgência sonora construída sobre suor, distorção e memória. Uma trilha sonora para aqueles que se movem para sobreviver”, definem.

SLY SUGAR, “VIDA LOKA”. Esse grupo veio da Ilha da Reunião (departamento pertencente à França), e une reggae, rock, eletrônicos e tudo que você puder imaginar. Vida loka tem uma expressão em português no título, e letra igualmente em português, lembrando o pop nacional dos anos 1990.

EYAL ERLICH, “SENTIMENTAL CAPE”. Com um monte de singles gravados ao vivo – e preparando um álbum – Eyal faz um som voltado para o indie rock, e para canções que exploram “amor, perdas e questões não respondidas”, sempre “em algum lugar entre a atitude punk suave e a vulnerabilidade de cantor-compositor”, conta.

MI6, “THE MIND MACHINE”. Projeto criado por músicos experientes do som eletrônico e da cena gótica, o MI6 é baseado em “new wave, old wave, cold wave, dark wave, com toques de doom, goth, ebm e punk”, cabendo originais e covers no repertório. The mind machine é o primeiro single, um pós-punk gótico com vocais graves feito pelo integrante Dominique Nuydt. Porrada.

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Secret love amplia o pós-punk falado do Dry Cleaning, cruza referências setentistas, kraut e folk torto, e soa como crônicas estranhas da vida adulta.
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Ouvimos: Dry Cleaning – “Secret love”

Man’s best friend mostra Sabrina Carpenter afiada: pop leve e irônico, entre soft rock e dance, criticando homens perdidos e relações falhas.
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Ouvimos: Sabrina Carpenter – “Man’s best friend”

Star line marca a redenção de Chance The Rapper: rap, soul e gospel, letras mais francas, temas sociais e acertos maiores que no disco de estreia.
Crítica20 horas ago

Ouvimos: Chance The Rapper – “Star line”

Idles e Nine Inch Nails brilham em trilhas de 2025: um pós-punk tenso e experimental em Caught stealing e um NIN sombrio e autoral em Tron: Ares.
Crítica20 horas ago

Ouvimos: Idles – “Caught stealing” / Nine Inch Nails – “Tron: Ares” (trilhas sonoras)

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Lançamentos2 semanas ago

Radar: Queen, Jacob The Horse, Moon Construction Kit, Laptop, Dead Air Network, The Legal Matters

Os discos nota 10 de 2025 (até agora...)
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Os discos nota 10 de 2025 (até agora…)

From the pyre aposta no glam-barroco performático do The Last Dinner Party, com ótimos momentos, mas perde equilíbrio e força na segunda metade.
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Ouvimos: The Last Dinner Party – “From the Pyre”

Portal, do Balu Brigada, mistura rock, synthpop, house e punk em estreia festeira, certeira na maioria das faixas, sobre dúvidas amorosas.
Crítica3 semanas ago

Ouvimos: Balu Brigada – “Portal”

Em A very Laufey holiday, Laufey transforma canções natalinas em jazz orquestral elegante, com clima de Hollywood clássico e arranjos mágicos entre nostalgia e sofisticação.
Crítica3 semanas ago

Ouvimos: Laufey – “A very Laufey holiday” (Santa Claus is coming to town edition)

Emicida revisita raízes com dois discos inspirados nos Racionais, misturando histórias pessoais e interpolações em faixas experimentais, íntimas e contestadoras.
Crítica3 semanas ago

Ouvimos: Emicida – “Emicida Racional VL.3: As aventuras de DJ Relíquia e LRX” (mixtape) / “Emicida Racional VL.2: Mesmas cores e mesmos valores”

Nigéria Futebol Clube mistura noise e no-wave para confrontar o rock, narrar histórias de negritude e de raiva urbana em dois discos radicais e políticos.
Crítica3 semanas ago

Ouvimos: Nigéria Futebol Clube – “Entre quatro paredes” / “Hamas” (ao vivo)

Instrumental pesado da Dinamarca, o Town Portal mistura prog, jazz-math-rock e grunge 90s, buscando beleza melódica em riffs densos e climas variados.
Crítica3 semanas ago

Ouvimos: Town Portal – “Grindwork”

RosGos mistura folk espacial e rock 90s num disco gravado em 5 dias, ao vivo. Clima viajante, tenso e dolorido, entre Brian Eno e Elliott Smith.
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Ouvimos: RosGos – “In this noise”

Foto (Ebony): Emna Cost / Divulgação
Lançamentos3 semanas ago

Radar: Ebony, Marina Sena e Psirico, Tenório, Favourite Dealer, SantiYaguo, Zé Manoel

Fermentação marca fase quase solo de Bebel Nogueira no Bel Medula: piano minimalista, poesia em foco e experimentações que cruzam jazz, MPB e ritmos brasileiros.
Crítica3 semanas ago

Ouvimos: Bel Medula – “Fermentação”

Vamossive, de Posada, mistura folk nordestino, baião-rock e psicodelia afro-latina, com clima sonhador e percussão tranquila que soa como convite.
Crítica3 semanas ago

Ouvimos: Posada – “Vamossive”

Como duo, o francês Pamplemousse mistura stoner, punk, grunge, psicodelia e vários experimentos sonoros em Porcelain.
Crítica3 semanas ago

Ouvimos: Pamplemousse – “Porcelain”

Em Factory reset, Retail Drugs faz eletropunk ruidoso com baixo distorcido e ironia ácida sobre trabalho, redes sociais e a vida real.
Crítica3 semanas ago

Ouvimos: Retail Drugs – “Factory reset”