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Cultura Pop

A vida louca (ok, nem tanto) dos Osmonds em 1973

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Osmonds em 1973

Sabe aquela turma gringa, que anda de porta em porta falando de religião, num português com forte sotaque? Bom, nos anos 1960 os missionários da igreja Mórmon – esses da primeira frase do texto – conseguiram uma galera bem famosa para ajudar na divulgação dos preceitos da religião. Eram os Osmonds, um grupo musical inicialmente por quatro irmãos Osmond. Depois os quatro chegaram até a virar sete irmãos. A que menos participou da boy band foi a irmã Marie, que preferiu fazer carreira solo e também formou dupla com um dos irmãos, o gatão das gatinhas Donny.

Os Osmonds eram um grupo musical, digamos, bem peculiar. Pra começar, todos tinham sido criados mesmo dentro da igreja mórmon (havia ainda dois irmãos, os mais velhos, que tinham problemas de audição e não participavam da banda) e eram acompanhados de perto pelos pais. “Eu nunca dizia ‘papai’ e ‘mamãe’ porque meu pai considerava essas expressões desrespeitosas. ‘Você não diz ‘Papai Nosso que está no céu’, ele respondia”, contou Donny em sua autobiografia Life is just what you make it.

Hoje talvez ninguém imagine, mas os Osmonds eram considerados uma espécie de Beatles dos anos 1970, com fãs ensandecidas, viagens pelo mundo todo, show em estádios lotados, mudanças vocais nos garotos quando chegavam à adolescência (Donny, responsável pelas canções açucaradas da banda, precisou parar com as baladinhas porque já estava ficando com a voz grossa demais para cantar igual criança). Em 1971, faziam uma mudança inusitada para a mescla de power pop e hard rock no disco Phase III. No Brasil, esse disco foi lançado com uma campanha armada com a revista Pop, para levar fãs para conhecer a banda fora do Brasil (um puta risco, como se vê aí embaixo: a promoção previa apenas o envio de um fã, sem a companhia de pais ou responsáveis – se alguém ganhou essa promoção na época, apareça por aqui que eu quero saber no que deu isso).

Osmonds e o disco "Phase-III", que tinha uma promoção na capa para os fãs brasileiros irem assisti-los

Osmonds e o disco "Phase-III", que tinha uma promoção na capa para os fãs brasileiros irem assisti-los

“Tudo muito simples”

Em 1973, o grupo dava um passo bastante… bom, “ousado” é uma maneira de descrevê-lo. Após o sucesso do disco Crazy horses (1972), que estourou a faixa-título (um rock pesado com cara soul, bem bacana), o cinco levaram às lojas uma espécie de mergulho radical nas ideias da Igreja Mórmon. The plan (1973), disco conceitual sobre temas ligados à religião, que não fez muito sucesso nos Estados Unidos mas chegou ao sexto (!) lugar das paradas britânicas. Pois bem, o grupo era tão popular no Reino Unido que a BBC não pensou duas vezes e botou uma equipe para correr atrás da banda durante a parte europeia da turnê deles de 1973.

Saiu então o documentário On tour with The Osmonds, esse dos vídeos aí de cima, que mostrava o grupo indo a rádios, enfrentando fãs malucas em portas de hotéis, dando entrevistas, visitando uma escola religiosa para falar com os alunos e tocando, em shows pela Grã-Bretanha.

Em vários desses momentos, fica engraçado perceber como 1) o padrão “pop” da época ainda era mais ou menos o mesmo dos Beatles em 1964, com todo mundo uniformizado e tendo uma cara meio “familiar”; 2) o som dos Osmonds estava se tornando uma espécie de equivalente do glam rock de David Bowie e os Spiders From Mars, com melodias “pra cima” e tons pesadinhos; 3) essa guinada religiosa de The plan tinha tudo a ver com uma época em que um dos maiores sucessos era o filme demoníaco O exorcista, de William Friedkin, em que Jimmy Page, do Led Zeppelin, fazia experimentos com as filosofias pagãs de Aleister Crowley e andava envolvido com a trilha do filme Lucifer rising, de Kenneth Anger e em que até Jesus Cristo ganhava seu Woodstock, com cinco anos (ok, com 1972 anos) de atraso. Muita força de um lado provoca força equivalente de outro.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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