Cultura Pop
Ué, Led Zeppelin II fez aniversário e não falamos nada?

Artistas que estão por cima, geralmente gostam de… Bom, tem alguns que até resolvem partir para a falsa modéstia, ou decidem aproveitar a fama para fazer propaganda de colegas (bandas, artistas etc), ou ficam no cantinho. A maioria quer mesmo é mostrar que chegou lá, deu certo, tem carro do ano, apartamento em Ipanema, iate em Botafogo, etc. Já o Led Zeppelin havia tido sucesso avassalador no primeiro disco (1969, epônimo), turnê bombástica, fãs alucinados e total clima de troca de guarda no universo do rock (dos psicodélicos aos pesados em pouco tempo).
Pois é: e aí é que entra Led Zeppelin II, o segundo disco, 51 anos no dia 22 de outubro (ok, atrasamos mais uma vez). Um disco feito para aproveitar o sucesso do primeiro álbum, realizado em meio às turnês bizarras da banda pela Europa e EUA, e composto em meio a orgias e devassidões que fariam Robert Plant (voz), Jimmy Page (guitarra), John Paul Jones (baixo) e John Bonham (bateria) ganharem o gelo do cancelamento em poucos minutos, se tudo rolasse em 2021.
O material foi todo composto em meio às turnês e aos shows, em poucas horas entre um compromisso e outro, muitas vezes em quartos de hotel. Não era descuido, era necessidade, por causa do excesso de trabalho. E não custa lembrar que Jimmy Page preocupava-se bastante em lançar um segundo disco do Led que “fosse além” do primeiro, e queria que a banda “ultrapassasse limites”.
Eddie Kramer, engenheiro de som que acompanhou a banda numa variedade de locais durante as gravações de Led Zeppelin II (nome escolhido por Page antes mesmo que o disco fosse terminado), fazia das suas: roubava tempo dos estúdios, gravava guitarras nos corredores para não ocupar as salas, enxertava solos de Jimmy Page gravados em diferentes estúdios. O de Heartbreaker, por exemplo, foi parar no meio da canção por ter sido justamente registrado em separado, numa ocasião diferente do resto da faixa.
Kramer, que trabalhara como engenheiro de som para Jimi Hendrix, atuou até quase como coautor (sem crédito) no interlúdio psicodélico de Whole lotta love, a primeira faixa. Aquele som que você ouve é um combinado de ruídos que inclui do recém adquirido teremim de Jimmy Page ao barulho de uma siderúrgica. Em Led Zeppelin II, por sinal, um coautor, de fato, surgia: Robert Plant começava a se responsabilizar pelas letras. Um velho sonho de Page, que queria um vocalista-letrista.
Quem critica Led Zeppelin II, critica geralmente pelo instrumental Moby Dick. Era um solo de bateria de John Bonham que talvez merecesse mais espaço num disco duplo. E que de fato, ganhou uma versão digna no ao vivo The song remains the same, de 1976. E você acreditaria que a banda não gostava da proto-glam Living loving maid (She’s just a woman) e só a deixou no disco para preencher espaço?
Já o efeito “clássico é clássico, e vice-versa” bate em todo o disco: a balada What is and what should never be, o soul-folk delicado Thank you (dedicado por um culpadíssimo Plant à sua esposa, após uma rodada de esbórnia nas turnês), o hard blues Ramble on (com letra inspirada em O senhor dos anéis, mania hippie da época) etc. Mais clássico que isso, só a contracapa “excrusiva” da edição nacional, com créditos em português e um texto de Nelson Motta (e da qual falei como convidado no livro do meu amigo Leandro Souto Maior, Jimmy Page no Brasil).
E, bom, para quem gosta de criticar o Led Zeppelin pelo assalto aos bluesmen, isso continuava rolando no II. The lemon song dava uma chupada bem cara de pau em Killing floor, de Howlin’ Wolf, e em Crosscut saw, de Albert King. Whole lotta love era o roubo do roubo. A música conseguiu se inspirar tanto em You need love, blues de Willie Dixon gravado por Muddy Waters, quanto em um outro plágio da mesma música: You need loving, dos Small Faces. Robert Plant conseguiu chupar até mesmo os vocais de Steve Marriot, cantor dos SF. Falamos disso aqui.
Led Zeppelin II foi um momento de devassidão sonora e pessoal que durou pouco. O Led Zeppelin III (1970) já levaria tranquilidade à banda, o disco sem título de 1971 seria o momento de maturidade, Houses of the holy (1973) seria um grande disco feito em meio a pau quebrando. Nessa época, Robert Plant chegou a pensar em dar uma de Rod Stewart e cantar solo. Mas ficou, e até o fim o Led Zeppelin só teve clássicos.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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