Connect with us

Cultura Pop

Time Fades Away, o ao vivo “odiado” de Neil Young, está de volta

Published

on

Time Fades Away, o ao vivo "odiado" de Neil Young, está de volta

Todo mundo tem um esqueleto no armário, uma história passada que causa constrangimentos, um acontecimento passado que provoca aquele arrependimento e aquele frio na espinha. O problema é quando a causa do arrependimento é uma turnê que passa por várias cidades, na qual você é acompanhado por feras da música (cujos cachês são caros, por sinal) e que gera um disco ao vivo gravado com a melhor tecnologia disponível. Mas está com o astral lá no pé.

Para piorar, esse disco ao vivo vende como água, porque você está naquela fase interessante em que tudo que você faz, vende – e o “ao vivaço” veio depois de um outro disco super popular. Essa história sem pé nem cabeça aí foi o que rolou com Neil Young na época de Time fades away, álbum ao vivo lançado originalmente em 1973, e que deixou o cantor tão puto da vida que passou vários anos fora de catálogo. Ele já havia ganhado reedição em CD e até em vinil como parte de box-sets, estava no Spotify até Neil ficar puto com a plataforma, e hoje está no Deezer. Mas vai ganhar sua primeira edição solitária em CD no dia 12 de agosto, após mais um tempinho esgotado.

Time fades away é um disco ao vivo de inéditas, quase todas gravadas em 1973 na turnê do disco Harvest (1972), exceto Love in mind, gravada em 1971. A banda que acompanhava Young nessa época, os Stray Gators, incluía Jack Nitzsche (piano), Ben Keith (guitarra), Tim Drummond (baixo) e Kenny Buttrey (bateria), uma galera que foi reunida para trabalhar com Young pelo técnico de som Elliot Mazer, durante as sessões do LP Harvest. Só que ainda houve um acréscimo nessa banda: Danny Whitten, guitarrista do Crazy Horse (a principal banda que acompanhava Young) foi convidado a se juntar à turma no fim de 1972, em plena turnê.

Mais para lá do que para cá por causa do uso de heroína, Whitten já havia ganhado uma “homenagem” de Young em Harvest, com The needle and the damage done, música curta que falava do flagelo do pó marrom no rock, e que vale por um pequeno roteiro de cinema, abordando os dramas da vida de músico (“cheguei na cidade e perdi minha banda”), crises pessoais e morte (“cada junkie é um sol poente”).

Era verdade: as drogas haviam tirado Whitten do Crazy Horse, daí o convite de Young, que queria ajudá-lo. Só que ao chegar nos Stray Gators, ele não parecia disposto a contribuir muito. O resultado muita gente sabe: Young, que era grande amigo de Whitten, mas tinha uma turnê a fazer, o demitiu em 18 de novembro de 1972. Na mesma noite, o músico morreu de overdose – não de heroína, mas de quaaludes.

Neil, que se culparia por vários anos pela morte do amigo, voltou aos palcos devastado. As noites de Time fades away foram gravadas nesse clima triste, com Neil, um animal de palco, querendo cair fora dos shows o mais rápido possível. O clima atingiu outras pessoas: Buttrey, após uma encheção de saco sobre salários, saiu do grupo e foi substituído por Johnny Barbata, do Jefferson Airplane. Young começou a encher a cara de tequila além da conta e desenvolveu infecção na garganta. Testemunhas reclamam de displicências de parte a parte, músicos tocando mal, shows amarfanhados. O disco foi mixado numa mesa digital último tipo na qual ninguém sabia mexer direito.

“Eu me senti como um produto, e eu tinha essa banda de músicos-estrelas que nem conseguiam olhar uns para os outros”, chegou a reclamar Neil Young, que estava vivendo aquele famoso processo em que o êxito atrapalha, os discos de platina oprimem, os shows lotados viram um bando de gente disposta a te ver ao vivo mas não a entender suas letras, e as novas músicas do repertório surgem tristonhas e alienadas. Ainda que Time fades away continue sendo um disco bem interessante e tenha músicas lindíssimas como Journey through the past, Love in mind e Last dance. E, enfim, finalmente tá de volta.

Aliás ele sai juntamente com Eldorado, EP de Neil Young lançado apenas no Japão e na Austrália em 1989, e que é lançado também agora em CD. Mas isso é outra história e depois a gente conta 🙂

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

Published

on

George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Published

on

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

Continue Reading

Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Published

on

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

Continue Reading

Acompanhe pos RSS