Cultura Pop
The Tiller Boys, o projeto paralelo de Pete Shelley, dos Buzzcocks

Os Tiller Boys foram uma, digamos, pulada de cerca do líder dos Buzzcocks, Pete Shelley, em 1978. Durou pouco tempo e, enquanto existiu, contou pouco com a presença dele na formação. E bizarro que Shelley tenha concluído que dava tempo de montar mais uma banda, com a agenda maluca que seu projeto principal teve em sua primeira fase de carreira.
De 1978, quando estrearam com o LP Another music in a diferent kitchen, até 1981, quando encerraram atividades pela primeira vez, os Buzzcocks gravaram três álbuns, chegaram a iniciar demos para um quarto disco, e excursionaram feito loucos. Tanto que o grupo precisou deixar de lado um projeto do comecinho da carreira, o selo New Hormones, pelo qual lançaram o EP Spiral scratch (1977). A gravadora ficou com o primeiro empresário da banda, Richard Boon, e acabou sendo uma espécie de Factory em escalas menores, um selo de Manchester que serviu como grife por vários anos, mas que não deu tão certo.
O livro Buzzcocks – The complete history, de Tony McGartland, lembra até a data em que Shelley fez o primeiro show do grupo: 9 de junho de 1978, entre shows da turnê do primeiro álbum, numa noitada na primeira fase do clube Factory, antes da casa ser comprada por Tony Wilson.
A ideia dos Tiller Boys era fazer um som bem mais experimental e pós-punk que o de sua banda de origem, com Shelley na voz e na guitarra, seu amigo Eric Random na guitarra solo e um camarada com quem dividiu um flat, Francis Cookson, na bateria. Nos shows, gravações feitas em estúdio, além de uma drum machine, complementariam a massa sonora e levariam o som para um lado bem mais eletrônico e antipop que o dos Buzzcocks.
Na época, a crítica musical de Manchester caiu de pau na banda e achou tudo bem mais cagado que o grupo original de Shelley. Ao lado disso, um parça da banda, Ian Watson, costumava mandar releases dos Tiller Boys à imprensa, avisando coisas como “a banda faz cinco shows em cinco lugares diferentes ao mesmo tempo”. Mentira, claro.
A demanda pelos Buzzcocks era imensa em 1978, já que a banda conseguia unir a crueza e a urgência do punk a um senso melódico apuradíssimo. Tanto que Shelley logo estaria na capa do New Musical Express e a United Artists, gravadora do grupo, logo solicitaria mais lançamentos. Menos de seis meses depois da estreia, o Buzzcocks lançava o segundo disco, Love bites (1978).
Shelley precisou dar um tempo do Tiller Boys e o restante da banda, enquanto o líder mixava o disco, foi abrir para a Gang Of Four na York University, em agosto de 1978, usando o nome Free Agents. Esse show foi gravado e circulou em cópias piratas a partir de 1980, com o título £3.33. O álbum incluía quatro faixas sem título (!).
Os Tiller Boys nunca foram um sucesso de palco e a intenção era mais chocar o público do que qualquer outra coisa – com ou sem Shelley, diga-se. Num textinho publicado no site do selo New Hormones (que vem promovendo uma série de relançamentos), Random lembra que já viu pessoas da plateia vomitando durante os shows do grupo. O músico também recorda que o fato de os Tiller Boys terem sido fundados por Shelley (que só chegou a fazer dois shows com a banda) fazia com que os fãs dos Buzzcocks chegassem aos shows desavisados, achando que iriam escutar algo parecido com o grupo que ouviam no rádio. “Teve um show em Ambleside que se transformou em um tumulto completo – foi completamente aterrorizante”, contou. Os Tiller Boys chegaram a abrir até shows do Joy Division, quando a banda ainda estava bem no comecinho.
De qualquer jeito, o grupo durou pouco tempo (entre 1978 e 1979) e terminou atividades deixando dois discos gravados. Um deles era o EP Big noise from the jungle, gravado em 1978 para a Factory, mas engavetado e só lançado em 1980 pelo New Hormones. O outro, foi um segundo disco gravado em março de 1979 por Shelley e Cookson num estúdio portátil que o líder dos Buzzcocks havia comprado, e no qual gravara o disco experimental Sky yen. Fazendo jus à natureza maluca dos Tiller Boys, o grupo adotou o nome Strange Men In Sheds With Spanners para o álbum, que tinha treze faixas sem título, e só saiu em 2011 pelo selo Groovy Records, criado por Shelley e Cookson.
Em dezembro de 2018, pouco após a morte de Pete Shelley, Random divulgou no Twitter uma imagem em que apareciam ele, Shelley e Cookson ao lado de amigos. “É a única foto que conheço em que a banda aparece”, contou. O músico continua envolvido com sons experimentais e ainda usa o nome Free Agents – lançou até um disco sob esse nome em março.
The only photo that I'm aware of with the Tiller Boys present. L to R Carol, Francis Cookson, Lyndsay Reed, @theericrandom and of course Pete Shelly R.I.P pic.twitter.com/ceevnDX1t1
— Eric Random (@theericrandom) December 10, 2018
Com infos do livro Buzzcocks – The complete history, de Tony McGartland.
Veja também no POP FANTASMA:
– Tudo sobre o primeiro EP dos Buzzcocks
– Dez fatos sobre a carreira solo de Pete Shelley
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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