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The Falls troca o indie ensolarado por guitarras mais pesadas em “Loaded gun”

RESUMO: The Falls lança Loaded gun, single de indie rock que antecipa o EP Would you do it all over again com guitarras mais pesadas e uma letra sobre relacionamentos tóxicos e as consequências das próprias escolhas.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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O quarteto The Falls, de Manchester (que se chama The Falls Band nas plataformas, pra evitar confusão com o conterrâneo mais ilustre), chamou atenção na cena indie inglesa com um EP de estreia que passou dos 100 mil streams – e agora prepara o segundo EP, Would you do it all over again, que sai em 18 de setembro. O novo aperitivo é Loaded gun, talvez a música mais pesada e sombria que eles já lançaram.
Se até aqui o grupo parecia um cruzamento entre The Courteeners, The Kooks e Jake Bugg, Loaded gun mostra que a banda resolveu diminuir o sol e aumentar as nuvens. As guitarras chegam mais barulhentas, o clima é de tensão permanente e a letra gira em torno daquela sensação nada agradável de perceber que os erros do passado finalmente bateram à porta. Ou, como diria qualquer pessoa que ignorou um problema por tempo demais: uma hora a conta chega.
A inspiração veio de um filme daqueles que ninguém troca de canal quando passa na TV. A ideia da música nasceu de uma cena de Os infiltrados, de Martin Scorsese, em que o chefão vivido por Jack Nicholson explica que certas escolhas já vêm com o destino embutido. A “arma carregada” do título não é exatamente um revólver, mas a certeza de que algumas consequências já estão engatilhadas antes mesmo da gente apertar o gatilho.
Segundo a banda, essa faixa funciona como o ponto de virada do EP: é ali que a história abandona o clima mais escapista das primeiras músicas e mergulha em um terreno bem mais escuro.
“Loaded gun é provavelmente uma das nossas músicas mais pesadas e roqueiras, trazendo de volta um som parecido com o dos nossos primeiros lançamentos. Ela fala sobre o confronto com relacionamentos tóxicos e sobre a sensação de estar preso em uma situação da qual não há saída. É uma música que tocamos ao vivo há bastante tempo, então estamos muito animados por finalmente lançá-la oficialmente”, diz o cantor e letrista Harrison Sharp.
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Medulla volta relendo “Um móbile no furacão”, de Paulinho Moska

RESUMO: Medulla relê o clássico Um móbile no furacão, de Paulinho Moska, em versão intensa que marca a nova fase da banda e antecipa um álbum inspirado em jazz, brasilidades e experimentação sonora.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Léo Silva / Divulgação
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Se você viveu o meio indie verde-e-amarelo nos útimos dez anos e nunca ouviu falar do Medulla, pode acreditar: você frequentou menos o universo alternativo brasileiro do que imagina. Havia uma época em que era impossível não esbarrar com a banda formada pelos irmãos Keops e Raony (nascidos em Pernambuco e criados entre Recife, Rio de Janeiro e São Paulo).
Eles apareciam em festivais pequenos, festivais grandes (tocaram no Lollapalooza e Primavera Sound), surgiam na sua telinha (em 2014 estiveram na batalha de bandas SuperStar, da Globo), e sempre se notabilizaram por um som diverso, pesado, intenso e experimental, além de cultivar uma discografia constantemente atualizada. Dessa vez, a dupla de irmãos retorna com uma versão igualmente intensa de Um móbile no furacão, hit noventista de Paulinho Moska.
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A versão, que marca a nova fase da banda, foi produzida por Keops e Raony ao lado de Los Brasileros. E surge no repertório deles como um convite à reflexão sobre os momentos em que já não cabemos nas próprias escolhas, rotinas ou identidades – aquela coisa de já não se reconhecer em antigas versões de si próprio / própria.
Outra ideia da banda com a versão é homenagear uma geração formada por nomes como Moska, Carlinhos Brown, Lula Queiroga, Lenine e Marisa Monte. Ou seja, e nas palavras do texto de lançamento, “artistas que aproximaram o orgânico do eletrônico, o ancestral do universal”.
O lançamento ganha também um videoclipe dirigido pelo próprio Medulla em parceria com o diretor de fotografia Léo Silva. Inspirado no conceito “uma câmera na mão, uma ideia na cabeça”, em referência ao cinema de Glauber Rocha, o clipe tem ares de filme: foi gravado no metrô e usa cenas do cotidiano para aproximar a canção dos fãs, além de mostrar os dois irmãos como a mesma pessoa, dividida em diferentes conflitos e pensamentos.
Um móbile é só a primeira parada do grupo: vem por aí um novo álbum, que transita entre jazz, brasilidades e experimentação, com oito faixas novas. O disco foi gravado durante dois anos e traz o duo usando artifícios de beatbox, efeitos de voz e sons do corpo para a construção dos beats e arranjos. A gravação rolou nos estúdios da Head Media, com produção do duo e de Los Brasileros, e mixagem de Marcelinho Ferraz e Daniel Pampuri.
E tá aí Um móbile no furacão, na visão do Medulla.
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Beem discretamente, New Radicals lança música nova

RESUMO: New Radicals lança One night only (Break loose break free!) e reacende sua própria história. Mas é mentira que se trata da primeira música nova deles desde os anos 1990.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Criada pelo compositor Gregg Alexander no fim dos anos 1990, a banda New Radicals não é coisa de um hit só (são dois: You get what you give e Someday you’ll know). Mas é uma banda de um só álbum, Maybe you’ve been brainwashed too, lançado em 1998.
Em entrevistas, o músico já vinha fazendo piadas com a possibilidade do grupo encerrar atividades repentinamente com um só disco na discografia. O que ninguém podia imaginar é que ele estava falando sério: o New Radicals realmente fechou as portas com um só álbum. Gregg ficou cansado da vida de popstar e se voltou para os bastidores, compondo canções de sucesso como Murder on the dancefloor (Sophie Ellis-Bextor) e The game of love (Santana e Michelle Branch).
De lá pra cá, mudaram algumas coisas: em 2021 o grupo topou se reunir pela primeira vez em 22 anos para participar da cerimônia virtual de posse do então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Beau Biden, filho do presidente, morto em 2015 aos 46 anos após a batalha contra um câncer, amava You get what you give e a música havia sido importante para ele nesse período de luta. O próprio Joe Biden havia escrito sobre a importância da canção em sua autobiografia.
A novidade é que o New Radical acaba de lançar sua primeira canção desde os anos 1990… Bom, há controvérsias, mas de qualquer jeito, saiu na sexta (31) One night only (Break loose break free!), música da trilha do filme Só por uma noite, comédia romântica estrelada por Monica Barbaro e Callum Turner. Um filme em que sexo antes do casamento é proibido – com exceção de uma única noite por ano.
O EP da trilha tem também King Princess (cantando Love is in the air, de John Paul Young), além de Este Haim e Christopher Stracey fazendo a trilha instrumental do filme. A música nova dos New Radicals poderia estar em Maybe you’ve been brainwashed too: é um r&b levado adiante por um piano venturoso e por vocais naquela mesma onda “uaaaaa” de You get what you give.
O novo New Radicals (cof! cof) é formado por Gregg Alexander e Danielle Brisebois, que na prática já eram o núcleo duro da banda desde a época do álbum. Os dois inclusive permaneceram compondo juntos após o fim do grupo, ao lado de Nick Lashley, marido de Brisebois. E um detalhe curioso é que a maneira como foram lançados alguns trabalhos recentes de Gregg põe areia nessa coisa de “finalmente os New Radicals voltaram”.
Em 2015, Gregg e Danielle lançaram sua própria versão de Lost stars, música que haviam feito para a trilha do filme Se nada mais der certo (2013) e que foi indicada ao Oscar na gravação de Keira Knightley. Problema: a música foi relançada em 2024 como “New Radicals”. Gregg e Danielle não gostaram e tiraram a gravação das plataformas.
E em 2024 saíram também a versão demo de Murder on the dancefloor, além de uma nova versão para The game of love, ao lado de Michelle Branch. Nesses dois casos, Gregg decidiu reativar o nome New Radicals sem problema nenhum – tanto que as músicas continuam lá (e vale muito ouvir as duas versões, inclusive).
Resta saber se vem novo álbum aí também. Aliás, recentemente Gregg apareceu também no créditos do novo disco dos Strokes, Reality awaits, como co-autor da música Going to babble on. Você confere todas essas músicas aí embaixo.
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E essa volta do Elastica, hein?

RESUMO: Elastica volta a dar sinais de atividade após 25 anos. A banda de Justine Frischmann publicou um teaser nas redes sociais, alimentando expectativas de um retorno do histórico nome do britpop.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução
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Torçamos para que o descongelamento do Elastica, uma das principais bandas de rock britânicas dos anos 1990, ocorra meses antes do descongelamento de Roberto Carlos (para seu especial de TV anual) e do CD de Natal de Simone. O grupo liderado pela cantora e compositora Justine Frischmann mandou pelas redes sociais um teaser de seu retorno após 25 anos, dizendo aos fãs que estiveram “ocupados nos bastidores”.
A banda se separou em 2001, mas na sexta (31) compartilhou uma foto antiga em sua conta oficial do Instagram (epa, eles tinham uma conta oficial do Instagram?), junto com uma mensagem enigmática sugerindo que novas atividades estão a caminho.
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O Elastica foi formado pela guitarrista e vocalista Justine Frischmann e pelo baterista Justin Welch em 1992, após a saída deles da banda Suede. Na formação original, juntaram-se a eles a guitarrista Donna Matthews e a baixista Annie Holland.
Essa formação venceu o prêmio de Melhor Banda Revelação no NME Awards de 1994, e Elastica, o disco de estreia (1995), se tornou um dos lançamentos mais marcantes da era do britpop. É o disco de hits como Connection, Line up e Stutter, você deve saber. O grupo demoraria cinco anos para lançar um novo álbum – em 2000 saiu o experimental The menace. Em 2001, o grupo se separou.
Se você quiser saber tudo sobre o Elastica, temos nos nossos arquivos um episódio do nosso podcast, o Pop Fantasma Documento, sobre a banda. Uns rumores de reunião começaram a rolar em 2017, quando Matthews, Holland e Welch foram fotografados juntos nos estúdios Abbey Road – na verdade, eles estavam só trabalhando na reedição remasterizada de Elastica.
Naquele mesmo ano, rolou outra história: Justine contou que MIA havia convidado a banda para se reunir para o seu festival Meltdown em Londres. Ela confessou que ficou tentada, mas a reunião acabou não acontecendo. Mais: no começo de 2026, aliás, a ex-baixista do Hole, Melissa Auf der Maur, relembrou que foi convidada a se juntar ao Elastica durante os anos 1990, numa época em que Annie enfrentava dificuldades com a abstinência de heroína.
A ideia era que Melissa tocasse com a banda no Lollapalooza, mas a equipe do Hole a impediu de aceitar o convite. “Foi uma proposta muito legal, mas não foi legal ter que dizer não”, disse ela à NME. “Quando o Elastica surgiu com aquela atitude pós-punk do Britpop combinada com refrões pop cativantes, elas eram uma anomalia empolgante”.
Ainda em 2017, vale dizer, Justine falou um pouco de sua vida pós-Elastica para o periódico The Guardian. Ela morava na Baía de São Francisco, era pintora, estava sempre envolvida com exposições e tinha se afastado da música profissionalmente. Convidada pelo jornal a dar dicas culturais, recomendou a audição de Either / Or, disco de 1997 de Elliott Smith, e se desculpou por ter escolhido uma reedição em vez de uma novidade.
“Devo admitir que, em algum momento, acho que perto dos 40, decidi que já tinha música suficiente para a vida toda e parei de ansiar por novidades. A música ainda me parece uma tábua de salvação, mas, como a maioria das pessoas de meia-idade, prefiro ouvir músicas com as quais já estou familiarizada”, contou.
Outra revelação dela: Justine passava bem longe de qualquer revivalismo do vinil, pelo menos naquela época. “Quando saí de Londres, doei ou vendi minha coleção de discos, a maioria coberta de cera de vela e geleia”, contou. “Ainda acho emocionante e o maior luxo possível poder carregar toda a minha música no bolso e encontrar o que procuro em instantes”.
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