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Ouvimos: Walfredo Em Busca da Simbiose – “Mágico imagético circular”

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Em Mágico imagético circular, Walfredo Em Busca da Simbiose mistura Mutantes, MPB e pop psicodélico solar em canções existenciais cheias de imagens e surpresas.

RESENHA: Em Mágico imagético circular, Walfredo Em Busca da Simbiose mistura Mutantes, MPB e pop psicodélico solar em canções existenciais cheias de imagens e surpresas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Balaclava Records
Lançamento: 5 de novembro de 2025

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Projeto criado pelo músico e engenheiro de som Lou Alves, o Walfredo Em Busca da Simbiose chega ao terceiro disco, Mágico imagético circular, com uma baita cara mutante. Ou melhor: os Mutantes (e os Secos & Molhados) são a base de tudo que foi construído no disco, mesmo quando a sonoridade aponta para outras coisas: pop adulto oitentista, MPB, lembranças de Mac deMarco, David Bowie, Tame Impala, Todd Rundgren, Flaming Lips e Lô Borges, canções com surpresas tonais típicas da bossa nova.

Você vai achar tudo isso em Mágico imagético circular, um daqueles discos em que as letras, mesmo abusando das imagens psicodélicas, parecem falar de realidades que conhecemos bem – aliás, conhecemos bem a ponto de nos defrontarmos todos os dias com elas. O clima solar e psicodélico de Realidades paralelas fala de esquecimento, cura, e de um tempo fora das redes sociais, em versos como “ritmos, íntimos, sincronicidades / não confunda com os algoritmos das cidades” e “a cabeça tava cheia / toda cheia de besteira / como é bom nos desaguar”. Os quase cinco minutos de Iridescência falam em desapego, deixar para trás, ir sem medo – a melodia parece que vai derreter a qualquer momento, como num pop oitentista transformado em tema de fritação psicodélica.

  • Ouvimos: NSLOD (No Space Left On Device) – Anomalia no campo magnético

Em músicas existencialistas como Toda vez primeira vez, a abolerada Rita Lee (homenagem cuja letra cita músicas como Ovelha negra e Fruto proibido) e o bubblegum tropicalista Zum zum zum das abelhas, há algo que lembra Júpiter Maçã, ou o retorno da formação original dos próprios Mutantes, só que no século 21. A curiosidade em Mágico imagético circular é que faixas como Mudo, Malha do ar e Calmaria unem jazz pop, algo de fusion e psicodelia, como se Djavan e o Tears For Fears de The seeds of love (1989) fossem banhados em LSD. Em vários momentos, a voz de Lou lembra algo entre Guilherme Arantes e Sergio Dias.

Mágico imagético circular encerra com as sombras sonoras de Meia noite, canção que responde pelo lado Velvet Underground do disco, mas sem deixar a psicodelia de lado. Boa parte das letras do álbum falam de transes pessoais, hipnoses em que a realidade vira uma viagem particular, e Meia noite é a mais explícita delas, unindo cura, amor e travessia, como numa cerimônia psicodélica: “conversei com o fogo / deitei na fogueira / e eu virei fumaça / dancei com as estrelas (…) / olhos de navalha / miravam julgavam / e eu me exorcizava / e tu gargalhavas”.

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Ouvimos: Limbo7 – “Relíquias do ódio”

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Resenha: Limbo7 – “Relíquias do ódio”

RESENHA: O Limbo7 vem da mesma onda metal mandrake de MC Taya e Isotopxs, e mostra várias relações com o rap, o skate-punk e a música dos anos 1990 em seu álbum Relíquias do ódio.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 18 de agosto de 2026

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MC Taya, Isotopxs, Chainsaw Kid, Limbo7… Essa turma se dedica a uma estileira pesada chamada metal mandrake. Ou seja: metal, rap, funk, eletrônica, berros, letras “de rua”, mobilização punk. Vindo de Vitória (ES), o Limbo7 une a isso tudo aí skate-punk à moda de bandas como Charlie Brown Jr e rap-rock a la Pavilhão 9, além de sonoridades latinas. Da galera, talvez seja o nome mais noventista, como mostra em seu segundo álbum, Relíquias do ódio.

O som, de certa forma, tem muito dos artistas de funk e rap que enveredam pelo metal e pelo punk, cabendo o peso sinuoso (às vezes próximo do Sepultura) de Neblina, o rap-thrash de Encruzilhada, o death-funk-core de Abaporu (“é que cês fala demais / foi assim que o peixe se tornou defunto”, ameaçam, numa música que fala de guerrilhas latinoamericanas e fodelança imperialista), o metal-rap latino e guerreiro de Cova rasa.

MC Taya surge em Chora agora, ri depois, metal com percussão e sample de Originais do Samba. No repertório, tem também o ambient infernal de Eu tenho um tesão do krl em ver tu se fuder (com lembranças do Sepultura de músicas como Lookaway e Manifest), o funkão-metal De copão em copão e a raiva oprimida de Da lama ao concreto (sobre chuvas, alagamentos e desabrigados no Sul) e de Zoonoses.

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Ouvimos: Jubba & Samyr – “Até que foi bom, sabe?”

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Resenha: Jubba & Samyr – “Até que foi bom, sabe?”

RESENHA: Dividido entre São Paulo e Paraíba, o duo Jubba e Samyr reúne em Até que foi bom, sabe? slowcore, soul, trip hop, city pop, folk-rock e trap em um álbum experimental sobre perdas, obsessões e recomeços.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Slowrecords
Lançamento: 23 de março de 2026

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Dupla dividida entre São Paulo e Paraíba, Jubba e Samyr decidiram fundir sonoridades e experiências de vida nos climas experimentais e psicodélicos do álbum Até que foi bom, sabe?. Um disco que já começa entre estalos que lembram um disco de vinil, partindo depois para a balada slowcore + soul Quando tudo ficou leve, eu quase flutuei – com toques de guitarra a lembrar um Pink Floyd vaporwave. E para o trip hop cheio de estranhezas de Desassossego, falando do sonho tenso com um amor que já se foi.

O disco é dividido em faixas com letra e vocal, e temas intermediários, como o city pop sombrio de 2406, o charminho lo-fi de K e o instrumental noturno e tranquilo de Vila Aurora. A união de estilos dos dois traz músicas como o folk-rock espacial e lisérgico de Coração de aço (cuja letra fala sobre a primazia de corações fortes e vencedores), o trap loucão de Cicatrizes e obsessões, o instrumental voador e urbano de Onsra.

Até que foi bom, sabe? chega ao fim com o bilhete triste de Dissolução, emoldurado por uma espécie de ambient guitarrístico. E com os quase seis minutos de Inércia, um trip hop que fala em ciclos fechados e recomeços, mas sem deixar a deprê ir embora.

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Ouvimos: Septik – “World of turmoil” (EP)

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Resenha: Septik – “World of turmoil” (EP)

RESENHA: No novo EP, World of turmoil, o Septik mistura crossover, thrash metal, punk e metalcore em faixas rápidas e agressivas, com referências a Megadeth, Sepultura, Ratos de Porão e Metallica.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: REDSUN Records
Lançamento: 27 de agosto de 2026

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Com um álbum e alguns EPs e singles na bagagem, o Septik vem de Houston e aposta em sons extremamente rápidos, agressivos e ríspidos em seu novo EP, World of turmoil. Mesmo podendo ser definida como “crossover”, pelo cruzamento entre metal e punk a banda tem até alguma ligação com climas mais clássicos do metal, embora vá fundo numa receita anárquica para unir tudo.

Tipo na curta Oblivion, que abre em clima de metalzão, tem algo de Megadeth (a banda de Dave Mustaine volta e meia surge como referência em algumas guitarras do disco) mas encerra com arrotos, lamentos e um clima de possessão demoníaca. Mind the silence tem algo de rap nos vocais e ganha até certo suingue, com uma cara punk vindo depois. A faixa-título tem vocais rappeados e um clima meio metalcore.

O final de World of oblivion expõe influências de Sepultura e Ratos de Porão, e do metal dos anos 1990 em geral – Without a trace tem muito de Dead embryonic cells, do Sepultura. Dá até para ver algo de Metallica no refrão de Vanish point, embora a principal onda da música seja ter um beat quase punk, bem ágil. Como o rock dos anos 1990 tem se tornado o paraíso idealizado de um monte de bandas e artistas (do rock e do pop), normal o metal ir pelo mesmo caminho. No caso do Septik, vem dando certo.

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