Cultura Pop
The Damned: e “Smash it up”, que fez 40 anos em 2019?

Muita gente mal deve fazer ideia disso, mas um dos principais sucessos da banda punk britânica The Damned, Smash it up (parts 1 & 2) surgiu inspirado pela morte de Marc Bolan, líder do T. Rex. O grupo chegou a excursionar com Bolan no começo da carreira, pouco antes do acidente de automóvel que tiraria a vida do músico. E Marc Bolan – você já leu sobre isso aqui – estava se aproximando do punk rock lá por 1977.
Smash it up também era uma canção punk bastante inovadora. O Damned, uma banda punk que tinha lá suas manias com o rock progressivo (o segundo disco, Music for pleasure, de 1977, foi produzido por Nick Mason, baterista do Pink Floyd) resolveu compor uma canção em duas partes, com uma longa introdução instrumental e um segundo segmento “punk”, com versos como “eu vou gritar e gritar até o meu último suspiro” e “não estou nem aí se pareço um cara esculachado/não quero parecer um babaca como todo mundo”.
Numa reportagem enorme da Uncut, os músicos que tocavam no The Damned na época do disco Machine gun etiquette (1979), que tinha essa música, relembraram o período de Smash it up. O guitarrista Captain Sensible recorda que a música foi feita quando a banda estava ainda ligada a Bolan, e que recebeu de sua mãe a notícia de que o músico havia morrido. “Ela me disse: ‘Seu amigo, como é o nome dele, Roley, Boley? Ele morreu em um acidente de carro'”, recordou. Sensible pegou a guitarra e escreveu boa parte da primeira seção da música, cujo clima meio sombrio foi todo inspirado pela morte do amigo.
“Essa parte da música praticamente se escreveu sozinha e é uma homenagem a Marc. Enquanto outros roqueiros da velha guarda como (Phil) Collins e (Keith) Richards odiavam o punk, ele realmente gostava disso”, contou Captain. No dia seguinte, o baterista Rat Scabies deu mais uma ajudinha com alguns acordes. “Bolan morreu em um acidente de carro e a parte 1 foi escrita para ele. A parte 2 não foi, mas com um título como Smash it up, parece incrível que não fosse sobre o acidente de carro. Eu só percebi isso alguns anos atrás”, completou ele, que também liderou a composição da parte 2.
Por causa da ajuda do produtor Roger Armstrong e da folclórica rapidez do Damned para compor e arranjar, o grupo acabou partindo para duas semanas de estúdio nas quais boa parte do material do terceiro disco foi feita. Por causa da rédea livre, o grupo acabou gravando quatro (!) partes de Smash it up. Só que as duas últimas partes ficaram durante vários anos engavetadas. A gravadora do grupo na época, Chiswick, se interessou apenas pelas duas primeiras. As duas últimas não foram bem trabalhadas em estúdio e soavam (opinião nossa) como dois enxertos instrumentais sem pé nem cabeça.
Em 2004, o selo Ace Records decidiu recolocar o single nas lojas, incluindo as malditas duas últimas partes. Olha aí.
Captain, por sinal, não sabe explicar até hoje como a parte 2 de Smash it up foi composta, por um motivo básico: ele mal conhecia acordes na época. A letra, ele lembrou para a Uncut, foi inspirada nas canções da banda sessentista britânica Groundhogs sobre inadequação à sociedade.
“Smash it up está em sol e permite que a nota aberta seja tocada sem restrições até que o refrão comece”, contou. “Eu não sou fã de assuntos técnicos, mas eu era fã do Soft Machine e o verso dessa música tem uma contagem estranha antes que o acorde mude para dó e depois volte novamente. Você precisa perguntar a um teórico da música o que estávamos fazendo, porque eu não faço ideia. Muitos músicos que tocaram a música conosco ao longo dos anos foram completamente prejudicados pelo tempo excêntrico dela, e as coisas terminaram em caos”.
A música chegou a ser censurada pela rádio da BBC, que considerou a letra “anárquica” demais. Em compensação, havia uma data para o Damned divulgar Smash it up num popular programa de TV da emissora, o Old Grey Whistle Test, e lá foram eles. A banda tocou também I just can’t be happy today, sem guitarras, com Captain Sensible tocando órgão.
No final o órgão começa a dar defeito e o vocalista Dave Vanian, totalmente bêbado, finge que lê uma revistinha de acordes que Sensible (também visivelmente doidão) havia deixado em cima do instrumento. O final do número deixou a apresentadora Annie Nightingale sem saber o que fazer.
Leia também no POP FANTASMA:
– Aquela vez em que The Damned uniu forças com Robert Fripp (!)
– “Impact”: The Damned e outras bandas punk na TV em 1977
– “Supersonic”: T. Rex e Damned para crianças na TV britânica
– The Damned: discografia básica – descubra!
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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