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Cultura Pop

The buzzer: uma rádio russa que só transmite zumbidos (?)

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The buzzer: uma rádio russa que só transmite zumbidos (?)

Está cansado da programação das rádios atuais? Acha que são muito repetitivas e que há anos só tocam as mesmas coisas sem apresentar nada de diferente? Acredite, tem coisa muito pior por aí. Prova disso é a rádio russa UVB-76, mais conhecida como The Buzzer. Ela, desde 1982, emite apenas bipes e zumbidos, saindo da sua rotina muito raramente para enviar mensagens aparentemente desconexas em russo.

Ninguém sabe dizer com exatidão qual é a razão dessa rádio existir, muito menos qual é o sentido dos tais comunicados que às vezes ela emite. Porém, sua localização chegou a ser descoberta. Em 2010, um grupo conseguiu rastrear seu sinal e chegou até uma base militar abandonada na cidade de Povarovo, a apenas 30 Km de distância da capital Moscou. Depois disso, o transmissor da estação foi transferido para Pskov, quase na fronteira com a Estônia, onde se encontra até hoje.

LENDAS

Como você já deve imaginar, a internet é um terreno fértil para o surgimento de diversas teorias a respeito da UVB-76, ou The Buzzer (o nome, claro, vem por causa dos ruídos que transmite). Tem lendas para todos os gostos. Há gente que acredita inclusive que é uma tentativa de espíritos estabelecerem contato com o mundo dos vivos. Mas de todas essas teses que circulam, apenas três delas aparentemente são plausíveis. Veja abaixo.

A RÁDIO É PARTE DO SISTEMA DE MÍSSEIS DO EXÉRCITO. The Buzzer faria parte de um complexo sistema de comunicação ligado às Forças Armadas Russas e as mensagens que mandam ocasionalmente seriam uma forma de confirmar que os operadores de outras estações estão alertas.

ESTUDO DA IONOSFERA. Essa teoria ganhou força e ficou conhecida graças a um artigo publicado no Jornal Russo de Ciências da Terra. Segundo a mesma, esses estudos são feitos graças ao Efeito Doppler. Que nada mais é que um fenômeno físico observado nas ondas quando emitidas ou refletidas por um objeto que está em movimento com relação ao observador. (POP FANTASMA também é cultura!). Mas ela peca por não explicar o porquê das mensagens e porque então a rádio usa frequência de 4.625 kHz, que segundo os especialistas sofreria uma forte interferência em estudos desse tipo (só não me pergunte o motivo).

COMUNICAÇÃO ENTRE ESPIÕES. Há quem levante a possibilidade que os bipes e zumbidos da The Buzzer na verdade sejam mensagens criptografadas dirigidas a espiões russos ao redor do mundo.

NATAL DE 1997

Raros foram os momentos em que a UVB-76 saiu da sua programação rotineira. A primeira vez até onde se sabe foi na véspera do Natal de 1997 às 21 horas (horário local). Nessa data, uma voz não identificada disse a seguinte mensagem na The Buzzer: “Ya UVB-76, Ya UVB-76. 180, 08, BROMAL, 74, 27, 99, 14. Boris, Olga, Mikhail, Anna, Larisa. 7, 4, 2, 7, 9, 9, 1, 4”. Depois disso tivemos mais algumas manifestações, como veremos a seguir:

– Em 3 de onvembro de 2001, ouviu-se uma conversa onde alguém dizia em russo algo como “Eu sou o número 143, não sou eu quem recebo o oscilador”.

– Às 4 da manhã (sempre no horário local) de 09 de dezembro de 2002, outra mensagem enigmática: “UVB-76, UVB-76. 62, 691, IZAFET, 36, 93, 82, 70”.

– No dia 21 de fevereiro de 2006, tivemos “UVB-76, UVB-76. 75, 59, 75, 59. 39, 52, 53, 58. 5, 5, 2, 5. Konstantin, 1, 9, 0, 9, 0, 8, 9, 8, Tatiana, Oksana, Anna, Elena, Pavel, Schuka. Konstantin, 8, 4. 9, 7, 5, 5, 9, Tatiana. Anna, Larisa, Uliyana, 9, 4, 1, 4, 3, 4, 8”.

– No dia 10 de junho de 2010 às 21:30, uma série de códigos em morse foi transmitida por 4 minutos.

– Em 1º de setembro do mesmo ano às 22:25, sabe-se lá porque, um trecho de aproximadamente 40 segundos de A dança dos pequenos cisnes (do ballet O Lago dos cisnes de Tchaikovsky) foi transmitido pela The Buzzer.

DEU A LOUCA

Já no dia 05 de setembro às 12:30 uma mulher iniciou uma contagem de 1 a 10 e, do dia 07 de setembro até o fim de dezembro, deu a louca na emissora. Nada mais nada menos que 81 mensagens foram veiculadas nesse ínterim, quase sempre começando com o mesmo padrão “Mikhail, Dmitri, Zhenya, Boris. Mikhail, Dmitri, Zhenya, Boris. 04, 979, D, R, E, N, D, O, U, T. T, R, E, N, E, R, S, K, I, Y. Em 11 de novembro inclusive uma ligação telefônica de cerca de 30 minutos foi transmitida (só não se sabe se acidentalmente ou não).

É possível ouvir algumas dessas mensagens no vídeo abaixo.

Além dessas, também foram registradas pequenas atividades em 2013, 2016 e, a última delas, no dia 07 de Janeiro de 2020. A fama da rádio cresceu, o mistério em torno da UVB-76 só tem aumentado e, da mesma maneira, cada vez mais aumenta o séquito de fãs apaixonados que a acompanham 24 horas na esperança de registrar algum desses contatos (Sim, existem fãs!! Tem gosto pra tudo nesse mundo, você ainda não percebeu?) Se você ficou curioso e também quer conferir, é possível ouvi-los ao vivo por no vídeo abaixo.

Aliás, vale dizer que tem uma turma querendo fazer um documentário sobre a rádio e que já tá rolando um crowdfunding. Confira aqui.

Veja também no POP FANTASMA:
– Fita K7, rádio, relógio e 8 pistas (!) num aparelho só
Radio faces: as caras dos reis do rádio de Chicago nos anos 1980

LUCIANO CIRNE é jornalista, flamenguista, casado, ama cachorros e aceita doações de CDs, DVDs, videogames e carrinhos!

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Cultura Pop

Relembrando: Yoko Ono, “Season of glass” (1981)

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Relembrando: Yoko Ono, "Season of glass" (1981)

Complicado falar de um disco que, pelo menos até a publicação deste texto, não está nas plataformas digitais – pelo menos pode ser escutado no YouTube. Mas vale (e muito) relembrar Season of glass, quinto disco de ninguém menos que Yoko Ono, lançado no dia 3 de junho de 1981 no Reino Unido, e dia 12 nos EUA.

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Season of glass, por sinal, causou foi polêmica. Para começar, foi o primeiro disco da cantora e artista plástica japonesa lançado após o assassinato de seu marido John Lennon, em dezembro de 1980. A capa do disco trazia justamente os óculos que John usava no momento de sua morte, e que (por conta dos tiros que ele levou) havia ficado com as lentes manchadas de sangue. Ao lado dele, um copo d’água pela metade.

Yoko foi bastante cobrada por fãs e por jornalistas por ter feito isso. “O que eu deveria fazer, evitar o assunto?”, disse ao New York Times numa matéria publicada dois meses depois do lançamento do álbum. “Muitas pessoas me disseram que eu não deveria colocar aquela foto. Mas eu realmente queria que o mundo inteiro visse aqueles óculos com sangue neles e percebesse o fato de que John tinha sido morto. Não era como se ele tivesse morrido de velhice ou drogas, ou algo assim”.

“As pessoas me disseram que eu não deveria colocar os tiros no disco, e a parte em que começo a xingar: ‘Me odeie, nos odeie, nós tínhamos tudo’, foi apenas deixar esses sentimentos saírem. Eu sei que se John estivesse lá, ele teria sido muito mais franco do que eu. Ele era assim”. Aliás, a gravadora de Yoko na época, a Geffen, chegou a dizer a ela que as lojas evitariam ter o disco em estoque – porque a imagem era “de mau gosto”. Seja como for, Yoko alegou que a única coisa que ela conseguiu salvar de John após levarem seu cadáver tinham sido justamente os óculos dele. “Isso é o que ele é agora”, disse.

A tal música cheia de xingamentos é I don’t know why. E ela foi feita justamente quando Yoko viu que não iria conseguir dormir por causa de uma romaria de fãs à porta do edifício Dakota, onde morava com John, logo após a morte dele. Durante dez dias, Yoko escutou os admiradores do ex-beatle tocando na rua o disco Imagine, ininterruptamente.

“Uma noite eu comecei a me perguntar por que, por que era assim, e de repente aquela pergunta se tornou uma música. Eu não tive forças para me levantar e ir ao piano. Então apenas cantei em um gravador que tinha ao lado da cama. Quando estava cantando eu sabia exatamente qual seria o arranjo, até mesmo a parte em que eu estaria xingando”, contou ao New York Times.

A sombria No no no ganhou clipe, que abria com o som de quatro tiros e Yoko gritando. A versão que foi para o álbum excluiu os tiros. No fim da música, o então pequeno Sean, filho do casal, aparecia contando uma história que seu pai contara para ele. “Sean estava comigo durante toda a produção do álbum. E sua voz, aqueles tiros… Essas são as coisas que ouvi. Tudo o que fiz sempre foi diretamente autobiográfico, e esses sons eram a minha realidade”, contou.

Aliás, em 2020, Yoko deu entrevista para o site American Songwriter e o papo descambou para Season of glass. A cantora considerava o estado de espírito do disco ainda atual. O repórter notou que na contracapa, o copo da capa aparecia cheio, em vez de meio vazio. Eram outros tempos, meses após a morte de Lennon. “Você notou? Muito poucas pessoas notaram isso”, afirmou.

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Cultura Pop

Relembrando: Tad, “8-way santa” (1991)

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Relembrando: Tad, "8-way santa" (1991)

Banda liderada por uma personagem-testemunha do grunge, Tad Doyle, o Tad costuma ser esquecido quando o assunto é a onda de Seattle nos anos 1990. Injustiça: o grupo foi, ao lado do Nirvana, o responsável pela passagem de bastão do rock alternativo dos anos 1980 para os 1990 – mais ou menos como bandas como Joy Division, Killing Joke e o U2 do começo também foram em relação ao fim dos anos 1970. Se o Mudhoney mexia no baú dos lados Z sessentistas e o Nirvana era power pop destrutivo, Tad era um Black Sabbath pós-punk, cruzando riffs e batidas localizadas entre os anos 1970/1980.

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Cantor, guitarrista e, durante uns tempos, multi-instrumentista de sua banda, Tad Doyle é daquelas figuras que observam o tabuleiro do mercado musical por vários lados diferentes – na adolescência, chegou a tocar em bandas de jazz e depois estudou música formalmente, na faculdade. O Tad acabou virando um dos primeiros nomes assinados com a Sub Pop, pouco depois da empresa pular da condição de zine para a de selo. Ficou claro desde o começo que as especialidades de Tad Doyle (voz, guitarra), Gary Thorstensen (guitarra), Kurt Danielson (baixo) e Steve Wied (bateria), formação original, eram som pesado e provocação. E isso logo a partir do primeiro disco, God’s balls (1989), produzido por Jack Endino.

Salt lick, EP de 1990 – reeditado depois como álbum cheio – já foi concebido pelo grupo ao lado de um agente provocador daqueles: o recém-ido Steve Albini. Já 8 way santa (1991), terceiro álbum do grupo, foi o melhor momento da fórmula musical do Tad, abrindo com a pesada Jinx, e prosseguindo com encontros entre Black Sabbath e Killing Joke na fase anos 1980, em Giant killer e Wired god.

O álbum foi produzido por Butch Vig três meses antes dele pegar firme em Nevermind, do Nirvana – o que torna Tad um exemplo de banda que trabalhou com todos os integrantes da santíssima trindade dos produtores do rock alternativo norte-americano. O material não apenas de 8 way santa quanto dos outros discos de Tad poderiam ser colocados tranquilamente na gavetinha do stoner rock – embora haja certo domínio de linguagens não muito comuns ao estilo, como da criação de melodias mais próximas do som de bandas como Joy Division e Hüsker Dü (como acontece em algumas passagens de Delinquent e Flame tavern) e uma abordagem mais próxima do punk em certas faixas (como em Trash truck).

Uma sonoridade mais próxima de discos do Sabbath como Master of reality (1971) surge em Stumblin’ man e Candi. Já 3-D witch hunt, com violões quase hispânicos (e discretos) poderia estar no repertório do New Model Army ou do The Cure. No final, o punk de Crane’s cafe e o pós-punk Plague years, quase uma Plebe Rude/Gang Of Four grunge, combinando guitarras e violões suaves, riffs marcantes e vocais quase totalmente livres de drive (exceção no álbum).

8 way santa teve seu lançamento prejudicado pela capa original. A foto “do bigodudo agarrando uma garota” (como a própria banda definiu), e que havia sido encontrada pela banda num álbum de fotos comprado num sebo, teve que ser trocada assim que os personagens da imagem, que não haviam sido consultados, viram o disco nas lojas. Não só isso: a faixa Jack, o relato de um passeio bêbado – e perigoso – da banda numa pick-up em cima de um lado congelado, chamava-se originalmente Jack Pepsi, numa referência à mistura de uísque e refrigerante que embalou a aventura. Só que a faixa desagradou à Pepsi, e o grupo precisou mudar o título em edições seguintes.

A busca de “novos Nirvanas” chegou até o Tad depois de 8-way santa e o grupo foi contratado pela Giant, novo selo lançado pela Warner. Inhaler (1993), comparado com os outros discos, não trazia nada de tão novo – mas soava como primeiro álbum para quem desconhecia o grupo. O grupo bandeou-se para outro selo da Warner, o EastWest, e lançou Infrared Riding Hood (literalmente, “Chapeuzinho Infravermelho”), seu último disco, em 1995.

Nessa época, estava mais claro para o mercado que Tad era uma banda de “metal alternativo”, um rótulo que, dependendo da banda, servia mais como camisa de força do que como definição. Mas o Tad encerrou atividades por esse período, de qualquer modo. Hoje em dia, Tad Doyle lança trabalhos solo, é produtor, dono de estúdio e tem até Linkedin.

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Cultura Pop

Smashing Pumpkins entre 1992 e 1996 no nosso podcast

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Smashing Pumpkins entre 1992 e 1996 no nosso podcast

Para muita gente, Billy Corgan foi um herói. Tido como poeta da geração X, o cantor e principal compositor dos Smashing Pumpkins foi o sujeito que colocou inquietações e traumas em versos. Foi o músico que promoveu um impensável encontro entre o rock de arena e as encucações do college rock dos anos 1990. Foi igualmente (e ao lado do Nirvana e do R.E.M.) um artista que alargou bastante os limites do mainstream.

O episódio de hoje do nosso podcast, o Pop Fantasma Documento, dá um passeio na história de Corgan, James Iha, D’Arcy e Jimmy Chamberlin tendo como base seus dois álbuns mais significativos: Siamese dream (1993) e Mellon Collie and The Infinite Sadness (1995), além do antes, durante e depois de uma banda que, durante sua fase áurea, significou a sobrevida do rock, logo depois do grunge.

Século 21 no podcast: Tigercub e Miami Tiger.

Estamos no Castbox, no Mixcloud, no Spotify, no Deezer e no Google Podcasts. 

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch. Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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