A relação dos ex-integrantes do Vímana com a memória da banda nunca foi das mais tranquilas. Lulu Santos, Lobão e Ritchie, os ex-membros mais ilustres, já foram vistos falando muito bem ou desdenhando impiedosamente da pequena obra (um LP inédito e um compacto em tiragem limitada) do monolitinho prog carioca.

É até engraçado ouvir o próprio Lulu em 1977, ainda longe da posição de “rei” do pop brasileiro, falando sobre como o Vímana era tratado pelas gravadoras, pela imprensa e pelo (pouco) público. Olha aí essa entrevista da banda na antiga rádio rock carioca EldoPop, que alguém guardou por vários anos e acabou de subir no YouTube.

Digamos que a primeira pergunta era bastante ousada: o repórter quer saber por que a banda ainda não tinha um disco (o único single do grupo sairia naquele mesmo ano) e se ninguém queria ouvir o Vímana. “Eles querem, eu não sei se que eles querem comprar o Vímana”, respondeu Lulu Santos, que depois cita ninguém menos que Hermeto Pascoal. “Hermeto já falou uma vez: ‘Eles querem que eu venda discos, eu não sou vendedor de discos, eu sou músico!'”.

Depois entra Ritchie, chegado ao Brasil havia poucos anos, falando com o maior sotaque sobre as diferenças entre o rock brasileiro e o inglês. O radialista ainda faz uma campanha para que produtores interessados em lançar o LP do Vímana – já pronto naquele período – ligassem para a emissora. E, entre uma entrevista ou outra, faz trocadilhos com os nomes das músicas do grupo (!). Lobão, ausente da entrevista, é definido por Lulu como “um menino prodígio de 18 anos” que não foi ao papo “porque deve estar por aí com as gatas”.

Os integrantes do Vímana também são flagrados percebendo que o rock progressivo, dentro em breve, já não daria mais camisa a ninguém. “Eu notei que na Inglaterra tão voltando a fazer música em clubes (…). Esse negócio da canção pequena está fazendo uma volta”.