Morto na terça-feira (26) após alguns dias internado, o jornalista Paulo Cavalcanti deixa um buraco enorme na reportagem de música pop no Brasil. O ex-editor da Rolling Stone Brasil e ex-colaborador não apenas da Bizz como do jornal paulistano Notícias Populares era pesquisador de Jovem Guarda e Elvis Presley, e fã de Beach Boys. Era reconhecido como um jornalista bastante criativo, do tipo que arrumava soluções rápidas para pautas que precisavam de salvação imediata, e inventava maluquices que viraram grandes matérias – como a célebre partida de futebol unindo sósias de Bob Marley, Elvis Presley e Raul Seixas, publicada nas páginas do saudoso NP.

Em 1995, quando ele era colaborador da Bizz – e quando a revista mudou de nome para Showbizz – Paulo foi, digamos, bastante encostado contra a parede por ninguém menos que Clodovil. O apresentador fez um especial sobre Jovem Guarda, levou convidados como Silvinha e Eduardo Araújo e… entrevistou Paulo sobre a Bizz, sobre jornalismo musical e sobre rock nacional dos anos 1960 e 1970. Tá aí, em duas partes. Clodovil mal deixou o coitado do Paulo falar.

Clô perguntou a Paulo se ele “sabia ler partitura”, quis saber “como sobrevive um jornalista de música oldies no Brasil”. E ainda descobriu que Paulo havia participado de uma coletiva convocada por ele, cinco anos antes, quando o colunista Ibrahim Sued tinha publicado uma notícia falsa sobre Clodovil ter sido atingido pelo vírus HIV.