Urgente
O pop brasileiro não seria o mesmo sem Alvin L

Você provavelmente já ouviu várias músicas feitas por Alvin L mesmo que nunca tenha ouvido o nome dele – toda a virada na história do Capital Inicial, por exemplo, deve-se à constância da parceria dele com o cantor Dinho Ouro Preto. Músicas como Natasha, Tudo que vai, Belos e malditos e faixas do EP novo do grupo, Movimento, como Você me ama de verdade? e Mistério, têm o dedo dele na composição. Não sei dançar, hit de Marina Lima de 1991, é dele, letra e música. Cadê você, hit noventista de Lulu Santos, tem ele como letrista.
Se bobear, ouviu também músicas como 24 dias por hora, único hit de seu disco solo de 1997, Alvin L – uma música que tocou por vários anos em rádios de perfil pop adulto, e que volta e meia ainda retorna ao dial. Tem mais de onde essas músicas vieram: Alvin foi integrante da banda carioca Sex Beatles (que tinha como vocalista a hoje cantora solo Cris Braun) e quem só conhece o compositor de hits pode ouvir o álbum Automobília, de 1994, nas plataformas. Ou assistir ao documentário Memorabília, dirigido pelo baterista do grupo, Marcelo Martins (tá no YouTube).
Alvin, ou Arnaldo José Lima Santos , seu nome verdadeiro, nasceu em 1959 no dia da mentira (1º de abril) e morreu aos 67 no domingo de páscoa (5 de abril) – datas cheias de significado e ironia, como toda a obra dele. Muitas vezes você ouvia uma música com letra dele esperando uma canção digerivel e fácil (como as do Capital Inicial) e se deparava com um poema sobre desespero, aflição e insatisfação existencial. Discos como Rosas e vinho tinto, de 2002, do Capital, eram repletos dessa onda, em músicas como Quatro vezes você e Como devia estar.
O Sex Beatles também era assim, meio ambíguo. Se bem que às vezes você esperava sacanagem quando lia o nome de uma música, e o que vinha era… sacanagem, claro (… E seu namorado também era pura festa, em versos como “isso é que dá / querer quem já tem alguém / se você estiver com ele / não precisa vir sem”). Já Não sei dançar, gravada por Marina Lima, era melancolia e paixão inacessível estado bruto, em versos como “às vezes eu quero chorar, mas o dia nasce e eu esqueço” e “às vezes eu quero demais e eu nunca sei se eu mereço”. Quase uma mistura de Luiz Melodia, Cazuza, Ian Curtis e o próprio irmão de Marina, Antônio Cícero.
Enfim: se você leu sobre a morte de Alvin L e pensou “poxa, acho que já vi esse nome em algum lugar…”, pode parar tudo e começar a ouvir Alvin L – faz uma pesquisa no indispensável IMMUB que tem tudo lá. O pop brasileiro não teria tido a mesma graça sem ele, que sempre foi um cara dos bastidores, mas cuja obra tem carisma eterno.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
Urgente
Lydia Lunch e The Art Gray Noizz Quintet releem Magazine e Iggy Pop em modo destruição

RESUMO: Lydia Lunch se junta ao The Art Gray Noizz Quintet para reinventar Permafrost, do Magazine, e Mass production, de Iggy Pop, em um single ruidoso e sombrio.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Capa do single
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
Esse compactinho demorou a passar pelos nosso ouvidos, mas agora chegou e… grudou. Permafrost / Mass production representa a união da musa no-wave Lydia Lunch com a turma pós-punk-de-terror do The Art Gray Noizz Quintet, que reúne músicos do underground novaiorquino, e já dividiu o palco com bandas como The Scientists e Mudhoney. O criador do grupo é o guitarrista australiano Stuart Gray – o Stu Spasm, que tocou em bandas como Lubricated Goat e The Beasts Of Bourbon, e que ganhou até recentemente um documentário sobre sua vida, I should have been dead years ago (2024).
O single, lançado em versão de sete polegadas e também nas plataformas (e no Bandcamp), traz Lydia e a banda dando um trato especial a Permafrost, clássico da banda de pós-punk Magazine, e a Mass production, música do disco básico The idiot (1977), de Iggy Pop. Duas canções originalmente beem aterrorizantes e contemplativas – e irmãs, com arranjos bem parecidos. O clima de destruição total de Permafrost e a onda industrial, de alienação total, de Mass production casaram muito bem com o instrumental ruidoso do The Art Gray Noizz Quintet, e com a voz diabólica de Lydia. Em Mass, ela divide os vocais com o “mestre de cerimônias” Stuart e o arranjo fica bem fiel ao original,.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Urgente
Punk de NYC, The Underbites prepara disco sobre um mundo fora de controle

RESUMO: O punk nova-iorquino The Underbites prepara Out of control, disco sobre desigualdade, vigilância e caos contemporâneo, com riffs rápidos, melodias grudentas e espírito à moda antiga.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
The Underbites é uma banda punk de Nova York, mas que está se preparando para lançar seu próximo disco Out of control pelo selo italiano I Buy Records. Alguns singles já saíram de batedor: Ruling class fala desigualdade econômica e da distância entre quem concentra poder e quem precisa lidar com as consequências. Modern times e Panic button (cover da banda britânica Johnny Moped) põem as modernidade mais absurdas dos dias de hoje – todo mundo vigiado pelas big techs, guerras, destruição – no rol de temas.
“O punk sempre foi um lugar onde as pessoas podiam reagir, fazer perguntas e desafiar o status quo”, conta o cantor e guitarrista John Fox, referindo-se especialmente a Ruling class. “Ela fala sobre observar a distância entre as pessoas comuns e aqueles que estão no topo se tornar impossível de ignorar. É uma música raivosa, mas que foi feita para energizar, também”.
- Today: sai mais um single de David Bowie nos anos 1960
O álbum que tá vindo aí foi produzido por Perry Leenhouts e, diz a banda, combina “punk acelerado, melodias grudentas e letras sobre política, divisão social e injustiça econômica”. Ao lado de John, Kurt Feldhun (guitarra), Ethan Rosenblatt (baixo) e Mike Hoffman (bateria) – uma turma bastante influenciada por Ramones, Buzzocks, punk de Nova York e da Inglaterra em geral. Out of control sai em breve nas plataformas. “Um lançamento em vinil é improvável, mas não impossível”, avisa o grupo, que faz punk como antigamente, e prefere também a internet como antigamente – eles têm até um blog.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Urgente
Until They Burn Me: skate punk e histórias de sobrevivência em “Addict”

RESUMO: Addict, do Until They Burn Me, mistura garage rock, punk, pós-punk, gótico e rap em uma faixa sobre o amor e o ódio pela dependência química.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
Sim, parece aquele tipo de som que você teria descoberto alugando um VHS de skate na locadora, lá pelos anos 1980 / 1990. Addict, novo single dos norte-americanos do Until They Burn Me, é uma mistura bem azeitada de garage rock, punk, riffs de pós-punk e gótico, rap (na letra quase falada) e música para fazer evoluções a bordo de um carrinho de quatro rodas.
O arranjo de Addict tem aquela mesma onda quebra-tudo do skate-punk, mas sem se prender a rótulos. E a letra, vale falar, é séria: Cody Carlyle e Travis Jordan, os dois criadores do grupo, que tocam juntos há 35 anos, foram dependentes químicos e passaram por maus bocados nas mãos das drogas. Chegaram a sobreviver nas ruas, em galpões e em áreas selvagens.
Tanto que Addict explora o doloroso paradoxo de amar e odiar a própria dependência ao mesmo tempo, inspirando-se diretamente nas experiências pessoais de recuperação da dupla. Uma faixa que “fala com quem já enfrentou a escuridão e saiu dela com histórias que merecem ser contadas”, dizem os dois. Um detalhe curioso sobre o som deles é que Addict representa apenas uma face da dupla. Nos álbuns Mud music (2024) e A carnival of reveries (2025), eles são flagrados misturando punk, country sombrio, murder ballads e outros estilos.
Addict tá aí.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.


































