Cultura Pop
Stryx: quando criaram um programa de TV satanista na Itália

Se você achava que o Cocktail, apresentado pelo saudoso Miéle no SBT, era o máximo em termos de choque cultural televisivo, é melhor você rever seus conceitos. Por um período bem breve, a Itália teve um… programa de variedades dedicado às artes satanistas. O tal programa era o Stryx, exibido pela emissora RAI no outono de 1978.
O Stryx, claro, assustou a maior galera. Tanto que foram gravados apenas sete episódios – e desses sete, um nunca chegou a ir ao ar. Aparentemente, telespectadores indignados com o conteúdo blasfemo da atração enviaram várias cartas pedindo a retirada do programa da grade. E aliás, não custa lembrar: a Itália era um imenso barril de pólvora naquele momento. Berço do catolicismo, o país passava por conflitos sociais, atos de terrorismo e altas merdas até mesmo em shows de música pop.
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Entre as atrações que o telespectador mais saidinho poderia ver no Stryx naquele momento, estava a aparição triunfal de Amanda Lear. A apresentadora, modelo, atriz, cantora e musa de capa de disco do Roxy Music, chegou para abalar. Dançou e cantou sensualmente, dividiu o palco com goblins e feiticeiros (era o “corpo de baile” da atração) e acariciou três gatinhos pretos, perguntando se os bichanos eram anjos ou demônios.
Para chocar o espectador (aliás, naquela época a TV em cores estava popularíssima na Itália) valia tudo. Abusando de efeitos em 3D, o programa abriu com gritos de “senhoras e senhores, o diabo!”. E na sequência, uma procissão de demônios, goblins, odaliscas e dançarinos. A diva Grace Jones também foi uma das atrações do programa. Esteve lá acariciando peles de leopardo e cantando músicas como Fame e Anima e cuore. Aliás, temas como quiromancia, cabala e sacrifícios humanos estavam entre os assuntos.
Olha aí a cantora italiana Patty Pravo soltando a voz em Bello, versão em italiano de Love goes building on fire, dos Talking Heads. Ela é carregada por goblins e, no fundo, uma mulher sacrificada aparece amarrada num tronco de árvore. Aliás, Patty é tida por muita gente séria como uma espécie de versão local feminina de David Bowie.
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Aliás, teve brasileiro lá. Ou melhor, brasileira. Olha Gal Costa no Stryx cantando O vento, Relance e Rainha do mar, em um cenário repleto de bichos chifrudos, goblins e índios. Mas pelo que diz aí, o programa tinha um quadro chamado Stryx do Brasil.
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A história de como Stryx começou a ser feito é muito louca. Criador do programa, o diretor de TV Enzo Trapani dizia em entrevistas que tudo começou quando recebeu um telefonema tarde da noite, de um homem muito polido. O sujeito (que aliás, desculpava-se por ligar naquele horário) tinha uma reclamação a fazer. Queixava-se da falta de representação que “ele” tinha na TV nacional. Em seguida, perguntou se não havia ninguém escrevendo um programa a seu respeito. “Mas quem é você?”, perguntou Enzo. “Eu sou o diabo”, confessou o tal cara.
Sei lá se Trapani foi iluminado pelo coisa-ruim ou se inventou a história. Fato é que o programa foi feito, assustou geral e saiu do ar. O diretor, depois disso, pôs no ar C’era due volte, outro programa bem safadinho, no qual trabalhava com ninguém menos que a atriz Illona Staller, a popular Cicciolina. Só que nessa época, Trapani não estava bem, talvez meio assombrado pelo fracasso do Stryx. Tanto que tirou a própria vida em 1989. Mesmo que tenha durado pouco, ficou a lenda da ousadia do programa, que infelizmente só tem alguns clipes no YouTube.
Via Atlas Obscura
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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