Cultura Pop
Scopitone: a jukebox de clipes

Quando você vir um clipe cheio de dançarinas, num clima burlesco, em que o cantor participa de um número bem irônico, ou dá uma de animador de auditório, pode ter certeza de uma coisa: esse vídeo foi bastante influenciado pela linguagem do Scopitone.

Se você nunca ouviu falar de Scopitone, prepare-se para se surpreender: era uma máquina que servia como uma jukebox de filmes. Ela funcionava com filmes de 16mm e usava trilha sonora em fita magnética. Você ia lá, depositava moedas e escolhia um filme, feito especialmente para ser visto na máquina.
O Scopitone, ainda por cima, tivera uma espécie de irmão mais velho, desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial, o Soundies, que eram filmes americanos de três minutos, produzidos entre 1940 e 1947, com atrações musicais. A diferença entre o Scopitone e o Soundies – que funcionavam numa máquina chamada Panoram, fabricada por uma empresa de Chicago – é que este operava apenas com filmes curtos, em preto e branco. O Scopitone aproveitou-se bastante da novidade do Technicolor, e oferecia aos usuários um mundo de cores bem vivas.

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Outra diferença é que Scopitone era bastante prático e o usuário poderia escolher o que ia ouvir – ou deixar tudo rodando como se fosse uma playlist do Spotify, numa “Scopitone party”. O Soundies já não tinha isso: quem chegasse para usar a máquina precisava escutar o que estivesse na fila. Em comum havia o fato de que eram plataformas bem interessantes para lançar até mesmo novos artistas.
As máquinas eram vendidas para bares frequentados por jovens. Os clipes da Scopitone tinham uma característica básica, por sinal também herdada dos Soundies. Os filmetes sempre apresentavam um lado camp bem particular. Em muitos casos, o resultado lembrava cenas de musicais e comédias, ou comerciais de TV. O look exótico de alguns artistas e a presença de go go girls (e garotas dançando de biquíni) inseria boa parte dos 16mm no universo burlesco.
Dois clipes que mostram bem o que era esse tal de Scopitone. Olha aí Neil Sedaka lançando a animada Calendar girl…
… e a sensação loura Joi Lansing cantando Web of love.
Outro clipe que fez sucesso foi o de Dionne Warwick soltando a voz no hit Walk on by, ao lado de uma trupe de modelos masculinos.
O filmete de Françoise Hardy cantando Tour les garçons et les files também foi uma sensação.
E um clipe que fez sucesso pra burro nas máquinas foi o de Nancy Sinatra com These boots are made for walkin.
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O reinado (se é que dá para falar assim) do Scopitone não durou muita coisa. Apesar de alguns grandes nomes terem usado o sistema, e de algumas sensações pop terem surgido por intermédio dele, nos anos 1960 já estava claro que o suporte não atraía mais nomões. Os artistas da chamada invasão britânica consideravam a plataforma ultrapassada e de mau gosto. Filmetes de nomes como Beatles e Rolling Stones já eram pensados para a televisão.
Com a virada para a psicodelia, nem mesmo as cores vivas dos filmes serviram para virar a chave e atrair novo público. Um tempo depois, descobriram que o modelo de negócios da Scopitone tinha ligações perigosas com a turma da máfia siciliana. Mas o curioso é que, mesmo com pouco público e fora de moda, a Scopitone foi durando até o fim dos anos 1970, com poucos filmes. Algumas máquinas passaram a ser usadas em inferninhos como peep show e boa parte delas está hoje em museus.
O vídeo abaixo, do Chicago Reader, mostra como funciona uma máquina dessas. Acharam uma máquina fabricada na França no fim dos anos 1950, com todos os cartões das músicas ainda disponíveis, incluído sucessos de Frank Randall, Lou Rawls e January Jones (cantora, atriz e celebridade televisiva que fez sucesso com Lazy river). Os narradores lembram como foi vantajosa para o Scopitone a chegada do formato Technicolor no mercado, e que boa parte dos clipes soa como uma visita a um passado que muita gente nem faz ideia que existiu um dia.
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“Teve gente se aproveitando da linguagem de clipes do Scopitone nos últimos tempos?”, você deve estar se perguntando. Teve. A cantora francesa Mareva Galanter lançou em 2006 uma série de vídeos em estilo Scopitone. E ainda apresentou um programa chamado Do you do you Scopitone, que foi ao ar no canal Paris Première.
Lembra quando Scott Weiland, o saudoso vocalista dos Stone Temple Pilots, gravou um disco de Natal? O clima de alguns vídeos era bem Scopitone.
Um primo brasuca dos vídeos no mood do Scopitone: Purabossanova, música solo do titã Sergio Britto, com participação especial de Rita Lee.
Via AVClub e History Dumpster
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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