Cultura Pop
Relembrando: Martin L. Gore, “Counterfeit EP” (1989)

A sigla EP (extended play), indicando que se trata de um disco pequeno – um compacto duplo, vamos dizer assim – foi incluída até mesmo no título do primeiro disco solo de Martin L. Gore, Counterfeit (12 de junho de 1989). Está mais para um LP pequeno, de quase 25 minutos e seis faixas, em que Martin sai da posição de artífice do som do Depeche Mode e compositor de todas as faixas da banda, e grava apenas covers, numa seleção que inclui da banda new wave experimental Tuxedomoon (In a manner of speaking) ao som ambiente do Durutti Column (Smile in the crowd), passando por um hit dos Sparks (Never turn your back to Mother Earth) e pelo gospel americano (Motherless child).
Counterfeit foi uma diversão de Martin entre a gravação do disco Music for the masses (1987) e o começo da turnê do álbum, com gravações no estúdio londrino Sam Therapy, e produção dividida por ele com o londrino Rico Conning (ex-músico de bandas como The Lines e Torch Song). As gravações rolaram em relativamente pouco tempo e Rico acumulou também a função de técnico de som no disco.
>> Temos um episódio do nosso podcast Pop Fantasma Documento sobre a fase 1987-1990 do Depeche Mode
O repertório é completado pela depressiva Compulsion, creditada a um misterioso músico de Birmingham chamado Joe Crow, e por Gone, música dos Comsat Angels. Os arranjos vêm num clima mais próximo de Black celebration, álbum “dark” do Depeche Mode (1982), com direito a uma cara roqueira em Compulsion (a mais popular do EP), a um tom quase orientalista em Smile in the crowd e a um blues eletrônico em Motherless child.
A Mute, gravadora do Depeche Mode, lançou o disco e, mesmo considerando-o um EP de maneira tão veemente, deu a ele um número de série de LP. Acabou sendo um lançamento a ser descoberto pelos fãs do Depeche Mode com o passar dos tempos – se você ouve bandas da família Depeche em plataformas de música, com certeza já deparou com alguma faixa de Counterfeit por aí. O mais louc0 é que Counterfeit soa como um espécie de lado B deprê do próprio Depeche – que desde o começo dos anos 1980 já não é uma banda das mais alegrinhas.
O primeiro EP de Gore saiu relativamente na encolha. Até que em 2003, durante um período em que o Depeche ficou três anos sem discos novos, o compositor decidiu soltar Counterfeit 2, a segunda parte do projeto de covers, dessa vez em formato de LP, e não de EP – acabou sendo o primeiro álbum de verdade de Martin. O repertório continuava variado, incluindo John Lennon e Yoko Ono (Oh my love), Led Zeppelin (In my time of dying), Velvet Underground (Candy says), Nick Cave (Candyman).
Dessa vez, Gore se animou até em fazer uma turnê pra divulgar o disco. “São só oito datas, é curtinha, mas vamos a qualquer lugar do mundo. Por acaso estamos em Milão agora e vamos filmar o show”, disse Martin aqui (e de fato, saiu uma versão do disco com um DVD desse show).
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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