Cultura Pop
Relembrando: Echo and The Bunnymen, “Ocean rain” (1984)

Na anatomia de The killing moon, principal hit do Echo And The Bunnymen (lançado em 20 de janeiro de 1984), e single do disco Ocean rain (4 de maio de 1984), encontram-se David Bowie, o sucesso Space oddity e uma certa paixão que Ian McCulloch, o vocalista, chegou a ter por astronomia quando criança – interesse esse causado por séries como Star trek e pelo pouso do homem na lua, em 1969.
A letra, segundo Ian, traz nada mais do que a “eterna batalha entre o destino e a vontade humana”. E surgiu não apenas das tais encanações especiais (enfim, estamos falando de uma certa “lua assassina”) como também de um sonho do músico, do qual surgiu o refrão que fala em “o destino contra a sua vontade”. Assim que Ian acordou, começou a tocar Space oddity, de Bowie, com os acordes ao contrário – o que gerou a melodia da música. O guitarrista Will Sergeant, por sua vez, chegou a recordar que uma viagem da banda à antiga União Soviética deixou o quarteto fissurado no som da balalaica, um instrumento de cordas local, e isso inspirou o arranjo e o solo no meio da faixa.
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Na anatomia de Ocean rain, quarto disco do grupo, estava o embate entre a experimentação musical e a criação de músicas que estourassem. Porcupine, disco anterior (1983), era muito bom e até que vendeu bem, mas deixou a crítica musical de nariz torcido. O grupo fez gravações para especiais de TV e rádio e em alguns desses programas (como o do DJ John Peel, na BBC), passou a testar repertório novo. O novo álbum acabaria surgindo de verdade num local perfeito para roqueiros em crise ou em procedimento de fuga: a banda migrou para Paris e gravou o LP no estúdio Des Dames, espécie de Abbey Road da Philips Local. Gil Norton, produtor que depois faria de Pixies a Foo Fighters, e que tem fama de gostar de ensaios longos e gravações detalhadas, cuidou de tudo ao lado do técnico de som Henri Loustal e da banda.
O anterior Porcupine trazia arranjos de cordas belos e bem simplificados, feitos pelo músico L. Shankar, além de uma sonoridade um tanto mais eletrônica em hits como The cutter e The back of love. Já Ocean rain era um sonho de elaboração em rock britânico: trazia uma orquestra de 35 músicos em faixas como as belas e melancólicas Silver e Seven seas. O Echo queria uma sonoridade exuberante e sombria, e um clima que parecesse “varrido pelo vento”, como em trilhas de antigos faroestes, ou filmes de piratas europeus.
Com desentendimentos e brigas marcando o dia a dia da banda, e sombras do passado inspirando letras e climas, Ocean rain virou um perfeito disco de fuga, de escapismo. Os versos do álbum lembravam Syd Barrett e Jim Morrison, ou até mesmo o clima destrutivo de Lou Reed – a bela e tranquila My kingdom é um cruzamento disso tudo. The yo yo man soava como um The Doors mais assustador, se é que era possível. Thorn of crowns era o lado tribal do grupo, indo na mesma área de bandas como os conterrâneos e rivais Teardrop Explodes, além de Psychedelic Furs. Orquestral e marítima, a faixa-título encerrava o disco como um correspondente musical da capa do álbum – uma cena fantasmagórica da banda num barco a remo, entre cavernas artificiais na Cornualha.
Na minúscula Inglaterra, Ocean rain vendeu bem e rápido, e The killing moon virou sucesso-assinatura. Depois de Ocean rain, o Echo And The Bunnymen virou aquele caso clássico de banda que lança seu melhor e mais ousado disco, faz sucesso e começa a ter milhares de crises e bloqueios para dar prosseguimento ao trabalho. Bill Drummond, empresário do grupo, ajudou nessa: sugeriu que a banda desse um tempo após o álbum para compor novo repertório. Não deu muito certo: o grupo não conseguiu surfar na onda do sucesso recente (que, na prática, não significava que o grupo havia invadido os EUA), nem estava ganhando grana de verdade. O quarteto acabou substituindo Bill por Mick Hancock, empresário de turnê do Duran Duran.
Em meio a isso tudo aí, já em 1985, o baterista Pete de Freitas entraria num lost weekend de drogas, álcool e pirações que o tiraria da banda por uns tempos – dois anos depois, ele voltaria. Só em 1987 sairia um novo álbum, Echo And The Bunnymen, primeiro álbum americanizado do grupo, e o último do Echo em sua primeira fase, encerrada de vez com a morte do baterista, em 1989, e com a tentativa fracassadíssima de lançar um álbum sem Ian nos vocais, Reverberation (1990).
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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