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Cultura Pop

Relembrando: Donovan, “Cosmic wheels” (1973)

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Relembrando: Donovan, "Cosmic wheels" (1973)

Uma das pontes entre a psicodelia dos Byrds e o glam rock foi o décimo álbum de estúdio de Donovan, Cosmic wheels (março de 1973). Um disco que também significou o fim de um chá de sumiço que o cantor parecia ter tomado – e que o manteve fora do mainstream por quase três anos.

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Depois de lançar uma espécie de projeto paralelo de sua carreira – um grupo chamado Open Road, que gravou um único disco com ele, intitulado justamente Open Road (1970), mas creditado ao próprio Donovan apesar de sua vontade de apenas fazer parte de uma banda – ele decidiu lançar um curioso álbum duplo infantil, HMS Donovan (1971). Que foi recusado por sua gravadora (a Epic) e lançado apenas no Reino Unido, por um selo independente.

HMS Donovan, realizado numa época em que o cantor estava para se tornar pai (daí o tema familiar), trazia Donovan esticando o crédito de discos sessentistas como Yellow submarine, dos Beatles, e Pet sounds, dos Beach Boys. O cantor surgia fazendo uma salada de canções próprias, músicas folclóricas e letras musicadas de autores como Lewis Carroll e Edward Lear. Vendeu bem pouco, e igualmente foi pouco fabricado e distribuído na época.

Cosmic wheels era a tentativa de voltar às paradas, ancorado em um culto que estava rolando na época: Alice Cooper e Marc Bolan (T Rex), que dominavam as paradas de sucesso, eram fãs de Donovan. Muita coisa que vinha sendo feita por artistas de glam rock (como o David Bowie de discos como The man who sold the world, de 1970) parecia bastante influenciada pelo cantor escocês e por nomes contemporâneos dele, como Syd Barrett.

Em Cosmic wheels (que saiu pela Epic), Donovan voltou a trabalhar com seu produtor Mickie Most, com quem estava brigado, e cercou-se de músicos como Chris Spedding (arranjos de cordas), Cozy Powell (bateria), Jill Utting, Valerie Charrington, Suzi Quatro (vocais) e Bobby Keys (sax). O repertório do disco, pelo menos na primeira parte, faz bastante sentido se comparado justamente a Alice Cooper e T. Rex.

É o que acontece na faixa-título, um hard rock acústico com vocais “fantasmagóricos” e arranjo de cordas com cara glam, ou em faixas como Earth sign man, o soul glam The music makers e Sleep (essa, lembrando bastante o Alice Cooper do álbum Billion dollar babies, de 1973 – disco, aliás, do qual Donovan participou soltando a voz na faixa-título). Ou em Wild witch lady, com sensação de perigo dada pelo baixo e pelo riff de guitarra.

Já o lado mais folk de Donovan aparece nas cinco outras faixas do disco. Cosmic wheels tem duas canções de amor psicodélico, a platônica Maria Magenta e a carinhosa I like you. Tem também filosofia glam e hippie na percussiva Appearances (“não se deixe enganar pelas aparências/a vida não é o que o livro de regras diz”), country de auto ajuda em Only the blues (“então você acordará de manhã/com um sorriso no rosto…/você logo esquecerá/que tinha apenas o que os solitários chamam de tristeza”).

Por sua vez, a curta The intergalactic laxative, com Donovan acompanhando-se ao violão, é o lado zoeiro do disco, na onda do hit Mellow yellow: um comentário sobre como astronautas urinam e defecam no espaço, com versos como “se cagar é o seu problema/quando você está nas estrelas/oh, o laxante intergaláctico/irá levá-lo daqui até Marte”.

Cosmic wheels chegou ao Top 20 tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos e manteve a carreira de Donovan num patamar que, se não era excelente, pelo menos justificava que ele se mantivesse próximo ao mainstream numa época em que surgia uma moda pop por segundo.

Surfando na onda do pop ensimesmado dos anos 1970, Donovan voltou ao folk em discos seguintes, e uniu violões e filosofia pós-hippie em Slow down world (1976), seu último álbum pela Epic. Nos próximos anos, viria uma fase pouco conhecida pela RCA, seguida de sumiço, dedicação à meditação transcendental e retorno nos anos 1990 com Sutras (1996), produzido por Rick Rubin. Shows e ocasionais lançamentos (e relançamentos) vêm mantendo acesa a chama de um dos arquitetos do pop sessentista.

Cultura Pop

R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

No dia 31 de maio de 1982, a gravadora I.R.S. enviava um press release avisando que havia assinado com o R.E.M., “uma banda de Athens, Georgia, aclamada pela crítica”. E já anunciava que no dia 26 de agosto sairia o EP Chronic town, com as faixas 1,000,000, Stumble, Wolves, lower, Gardening at night e Carnival of sorts (Boxcars). A foto de imprensa, em preto e branco, trazia Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo), Bill Berry (bateria) e Michael Stipe (vocais) com visual pós-adolescente.

“O EP vai ser seguido por um álbum no ano que vem. O R.E.M. planeja fazer uma turnê pelo Oeste do país durante o verão, seguida pelos estados da Costa Leste e do Canadá durante o Outono”, avisava a gravadora, oferecendo também o contato da empresária Betsy Alexander, primeira pessoa a cuidar profissionalmente do grupo, ajudando em contatos, logística e gestão. O release só errava na ordem das músicas do EP, que possivelmente ainda não estava decidida (Chronic town também saiu dividido em duas partes, com lado A nomeado Chronic town e lado B com nome Poster torn)

O contrato era de longo prazo e previa cinco discos – ou seja, tudo que saiu do grupo até Life’s rich pageant, o quarto álbum, de 1986. Depois disso, o grupo renegociou e lançou o quinto disco, Document, de 1987 – mas acabou migrando para a Warner e terminando o contrato com a coletânea Eponymous (1988).

A I.R.S. tinha sido criada em 1979 por Miles Copeland III, irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police. O selo vinha da cena punk/new wave britânica e funcionava como uma espécie de ponte entre o underground e uma estrutura profissional de distribuição via A&M (a gravadora do Police, por acaso).

Na época em que o R.E.M. assinou, a I.R.S. já tinha grupos como Wall of Voodoo, Oingo Boingo, The Go-Go’s e The English Beat. Era um selo muito ligado a college radio, pós-punk, new wave e à ideia de independência artística. Depois, virou praticamente sinônimo do rock universitário americano dos anos 1980 por causa do próprio R.E.M.

A entrada da banda na gravadora aconteceu muito por conexões da cena. O empresário/agente Ian Copeland, irmão de Miles e Stewart, já acompanhava o grupo desde os primeiros shows em Athens. O baterista Bill Berry tinha trabalhado para Ian em Macon como roadie e serviços-gerais, e mantinha contato com ele. Isso ajudou o R.E.M. a conseguir shows de abertura para bandas maiores, como The Police e Gang of Four, até chamar atenção da I.R.S.

E olha o post comemorativo do R.E.M. aí.

 

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Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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