Cultura Pop
Relembrando: Cheap Trick, “Cheap Trick” (1977)

É dura a tarefa de explicar para fãs brasileiros de rock o que é o Cheap Trick e porque o quarteto de Rockford, Illinois, é uma banda importante. Lá fora, singles como I want you to want me e Surrender fizeram bastante sucesso. Mas nada se comparado ao que aconteceu com a banda no Japão, país em que geralmente eram recebidos como se fossem os novos Beatles – um pouco por causa da vocação da banda para agradar arenas, um pouco pela onda power pop do som deles, cabendo bem no ouvido médio de fãs de hard rock abertos a boas melodias.
Numa época tão maluca quanto os anos 1970, o quarteto tinha um condimento a mais, que era a aparência totalmente inusitada de Robin Zander (voz, guitarra), Rick Nielsen (guitarra solo, voz), Tom Petersson (baixo, voz) e Bun E. Carlos (bateria), dividida em dois músicos com cara de anjo (Zander e Petersson) e dois zoeiros (Nielsen e Carlos).
Dos primeiros ensaios, em 1974, veio a noção de que havia algo de muito estranho com as bandas que insistiam em fazer músicas de dez minutos e discos com três faixas enormes, que surgiam aos borbotões na época. O grupo focava em canções que tivessem poucos acordes, melodias certeiras e que não cortassem a onda de quem ia aos shows do quarteto para se divertir – e que soassem como uma ponte entre os anos 1950/1960 e o rock que eles achavam que deveria dominar as paradas naquela época. Também focavam em presepadas para justificar o nome da banda (“truque barato”), como as guitarras de cinco braços de Rick, fabricadas sob encomenda pela Hamer Guitars. Por causa de todos esses atributos, o que mais tem por aí são fãs de metal ou punk dizendo que o CT é apenas mais uma daquelas bandas que as grandes gravadoras insistiram em impor a todo mundo.
O material contido em Cheap Trick, primeiro disco do grupo (lançado em 3 de fevereiro de 1977 pela Epic/Columbia) ainda era um tantinho diferente do que apareceria em discos posteriores. Era tudo mais cru, a gravação muitas vezes lembrava uma demo bem realizada, muitas letras e títulos de faixas pareciam fazer sentido apenas na mente de Rick Nielsen, autor de quase todo o repertório do álbum.
Como acontece na boa abertura com a pesada e ágil ELO kiddies, rock marcial com riff psicodélico, e uma canção cuja letra é vista de maneira diferente por cada um dos integrantes da banda – Nielsen chega a dar explicações políticas sobre versos como “você sabe que a escola é para tolos/hoje o dinheiro manda/e todo mundo rouba”. Ou em Mandocello, uma bela balada romântica, tocada por Rick no raro instrumento de oito cordas que dá nome à música.
Muita coisa do disco soa até punk demais para uma banda que, dentro em pouco, estaria compondo a amável I want you to want me. Tinha He’s a whore, basicamente uma canção sobre gente que faz tudo por dinheiro, dedicada pela banda, secretamente, às rádios que cobravam jabá. Taxman Mr. Thief, que tem o melhor riff do disco, era uma continuação da letra de Taxman, dos Beatles, e estranhamente reclamava de cobradores de impostos como se o Cheap Trick fosse uma banda formada por multimilionários fugindo para algum paraíso fiscal. Se você ouviu distraidamente a doce balada hard Oh candy, único single do disco, e achou que fosse sobre algum pé na bunda, o assunto é bem mais grave: a letra é sobre um amigo da banda, o fotógrafo Marshall Mintz, que cometeu suicídio (“você ficou tão depressivo e maldito/todos nós gostávamos de você, menos você mesmo”).
O rock pesadinho e nostálgico Hot love lembrava canções de outros contratados da Columbia na época (Aerosmith e Ted Nugent, por exemplo). O mais inusitado no disco era o gosto da banda na hora de escolher covers: entrou Speak now or forever hold your peace, anti-clássico sessentista de ninguém menos que Terry Reid, o cara que entrou para a história como o sujeito que não aceitou virar cantor do Led Zeppelin – e que ganhou uma versão que funciona quase como uma mini-jam de luxo.
Mesmo sendo uma banda que dá a impressão que os anos 1970 nunca vão passar, o Cheap Trick ainda existe, numa formação sem Bum E. Carlos e com Daxx Nielsen, filho de Rick, nas baquetas. E andou especialmente produtivo entre 2000 e 2021, quando saiu o disco mais recente deles, In another world.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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