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Ouvimos: Sloan – “Based on the best seller”

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Sloan reafirma seu power pop beatlemaníaco em Based on the best seller, unindo Beatles, Bowie e Weezer num som bubblegum e afiado.

RESENHA: Sloan reafirma seu power pop beatlemaníaco em Based on the best seller, unindo Beatles, Bowie e Weezer num som bubblegum e afiado.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Two Minutes For Music / YepRoc
Lançamento: 26 de setembro de 2025.

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Você pode nunca ter ouvido falar em Halifax, cidade localizada na província da Nova Escócia, no Canadá – e que na verdade, é uma junção, feita em 1996, de quatro municípios (Halifax, Dartmouth, Bedford e Condado de Halifax). Mas é uma cidade bem importante musicalmente: nos anos 1990 havia tantas bandas saindo de lá que os jornalistas musicais adotaram o termo “Halifax Pop Explosion” como um saco-de-gatos de luxo para definir o som de grupos como Jellyfishbabies e Sloan (inclusive, surgiu até um festival de música pop com esse nome, Halifax Pop Explosion, que durou até 2021).

Pra você ter uma ideia, havia até quem falasse em “Seattle do Canadá” para se referir a Halifax. Tanto que a própria Sub Pop, selo-artífice do som de Seattle, decidiu ir lá ver o que tinha de bom. Gostou tanto do que viu/ouviu que, em 1993, lançou Never mind the molluscs, EP com quatro bandas locais, com uma faixa de cada lado. Das bandas do disquinho, três delas (Eric’s Trip, Jale e Sloan) seriam contratadas pela Sub Pop e ficariam sob a santa proteção do selo por alguns poucos anos.

O Sloan, por acaso, hoje nem mora mais em Halifax: adotou a metrópole Toronto como quartel-general faz tempo. E mesmo não sendo uma das bandas mais populares do mundo, manteve-se na ativa, com muitos fãs e prestígio intacto – há quem chame o quarteto formado por Andrew Scott, Chris Murphy, Jay Ferguson e Patrick Pentland de “Beatles do Canadá”, por causa de seu senso melódico, totalmente voltado para o power pop, e por causa de suas referências claras de rock sessentista. E Based on the best seller, 14º disco da banda, mergulha exatamente nessa receita sonora.

  • Ouvimos: Replacements – Tim (Let it bleed edition)
  • Ouvimos: Jean Caffeine – Generation Jean

Antes de mais nada, vale informar que o Sloan, com o tempo, foi se tornando uma banda cada vez mais bubblegum e menos power pop. Eu diria que se trata de um bubblegum apaixonado por Hüsker Dü, mas com refrãos lembrando Beatles e vocais na cola dos Beach Boys. Based abre com dois sons que lembram uma espécie de Badfinger grunge – a ágil Capital cooler, o hard rock Dream destroyer – e traz emanações de Paul McCartney e do David Bowie do álbum Hunky dory em Open your umbrellas. Fãs de bandas como Weezer, Replacements e Cheap Trick vão curtir músicas como Baxter, Congratulatons, Live forever e So far down.

O conjunto todo de Based revela os Beatles como uma das maiores referências do quarteto. Só que o Sloan ressurge unindo os quatro de Liverpool a The Cowsills (banda bubblegum sessentista formada por irmãos) em Fortune teller, e a dinâmica sombria do Velvet Underground em No damn fears. Here we go again dá uma cara mais pós-punk ao som do grupo. Agora, para descobrir uma possível raiz do som do Sloan, recomendo ir fundo nos discos setentistas dos Hollies – álbuns como Distant light (1971) e Ronany (1972), unindo urgência sessentista e dinâmica glam rock, provavelmente são o que o grupo canadense vem tentando fazer até hoje.

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Ouvimos: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

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Resenha: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

RESENHA: Starly Kind mistura lo-fi, screamo, pós-punk e psicodelia em Inferno (xe/xem), EP sombrio sobre angústia queer e demônios internos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: CorpoRAT Records
Lançamento: 8 de maio de 2026

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Musicista agênero do Oregon, Estados Unidos, que se radicou em São Paulo, Starly Lou Riggs criou a Starly Kind como veículo para uma música lo-fi e fantasmagórica. Um som que volta e meia ganha ares math rock, ou que se aproxima de um art rock em clima de pesadelo. Inferno (xe/xem) é um EP sobre demônios xamânicos, angústia existencial queer, dores acumuladas durante uma vida inteira – e sobre como é chamar o inferno de casa.

Starly kind, a faixa de abertura, é lo-fizaça, com glitches, clima dreamy e vocais torturados e gritados. Held me with soma a isso um clima mais ambient, em que vibrações screamo unem-se ao experimentalismo da música. Superanatural clutches fica entre a psicodelia e a no wave, com direito a uma guitarra próxima do som do Black Sabbath. Uma curiosidade e uma mudança de rumo vêm com Bloodlust rising, algo entre Beach Boys, Residents e Devo – seguida justamente pela onda reggae + dub + fantasmagoria de And the devil watched me dance in.

  • Ouvimos: Delmore – Tão logo cada poste se ilumina

Demon dreams, que encerra o disco, é pós-punk mais do que tudo, e é a música mais bonita do EP – aliás lida com uma noção mais tranquila de “beleza” na melodia, ainda que também invista na vibe sombria das outras faixas. Um disco bem instigante, em todos os momentos.

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Ouvimos: Duo Violeta – “Mar pequeno”

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Resenha: Duo Violeta – “Mar pequeno”

RESENHA: Duo Violeta mistura violão, escaleta e folk nordestino em Mar pequeno, disco contemplativo, viajante e cheio de imagens sonoras.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: The Citadel House
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Se você for com muita sede ao pote no disco do Duo Violeta e chegar meio desavisado, pode acabar adorando o encontro do violão com a sanfona. Depois vai dar risada quando descobrir que André Sant’Anna e Rafael Campanaro, são na real, e respectivamente, o encontro da escaleta – teclado de sopro popularizadíssimo pelo reggae e pelo dub – com o violão. Mais que isso, as gravações tiveram vários testes de estúdio, que envolveram posicionamentos dos músicos, microfones diferentes e muitas experimentações sonoras.

Mar pequeno tá bem longe de ser um disco experimental, mas passa perto. É um disco brasileiríssimo e quase sempre nordestino, que parece seguir o curso de um rio e contar uma história – já que as músicas parecem encadeadas e evocam imagens que soam do mesmo modo. Será marés, Na rede e O boto, no começo, são folk nordestino – sendo que a última insere clima sombrio e efeitos de tremolo na escaleta. Para a ilha é forró + jazz, mas tem algo de indie rock na sonoridade, até algo de Beatles no meio da melodia. Inverno no mar é balada, blues e folk, com final contemplativo e várias partes diferentes.

Esse clima de viagem sonora, que insere segmentos diferentes em canções curtas, chega no ápice na última faixa do álbum, Emergiu. Até lá, André e Rafael proporcionam surpresas como a melodia de À deriva, que chega a lembrar um soul no final. Ou a recriação da folclórica Peixe vivo, cujas linhas melódicas só se tornam claras lá pelas tantas. Ou o clima folk brasileiro de Náufrago. Um disco muito bonito.

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Ouvimos: Soma Please – “Ballet” (EP)

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Resenha: Soma Please – “Ballet” (EP)

RESENHA: Soma Please mistura synth pop, pós-punk e dream pop em Ballet, um EP que cruza Queen, U2, LCD Soundsystem e até samba indie.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Skud & Smarty
Lançamento: 14 de maio de 2026

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O Soma Please é um duo luso-britânico, formado pelos músicos Nuno Bracourt e Rob Williamson. Não chega a ser um som muito inovador, mas tem detalhes que conquistam de cara, já que Ballet, o EP, soa às vezes como um encontro entre estilos e épocas. Tipo o que rola com I’m a fan, entre o synth pop e uma onda que lembra o Queen, ou Love, um dream pop com peso. Pockets on my sleeves é pós-punk com alma oitentista, e algo de Radiohead e LCD Soundsystem misturado.

As duas últimas faixas do EP são as mais diferentonas do disco: Alone é um curioso pop meio samba, meio bossa, com cara indie e solar. What’s the score é mais ruidosa, abre com clima sombrio fake, e depois chega a lembrar um blues rock eletrônico. Ballet é um pequeno apanhado do som deles, e uma demonstração de sonoridades que estão no arquivo deles.

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