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Cultura Pop

Relembrando: Car Seat Headrest, “Teens of denial” (2016)

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Relembrando: Car Seat Headrest, "Teens of denial" (2016)

Vindo do estado norte-americano da Virginia e radicado em Seattle, o Car Seat Headrest vem tentando buscar maneiras diferentes de se manter na ativa, num mundo que pode ser absolutamente cruel com bandas e artistas que não estão na crista da onda. Divulgaram recentemente um Patreon, pelo qual os fãs podem apoiar a banda enquanto ela não estiver em turnê – em troca, oferecem lives solo, histórias de bastidores e causos dos mais de dez anos de carreira. Anos esses, por sinal, cumpridos numa espécie de underground de grau elevado. O grupo fez vários lançamentos, turnês, teve álbuns discutidos por sites de cultura pop, embora sua musicalidade repleta de ganchos não tenha levado o projeto criado pelo compositor e cantor Will Toledo a cruzar a ponte até o mainstream.

O Car Seat Headrest começou com os pés fincados na total independência. Will, que durante um bom tempo foi “o” grupo, lançou os oito primeiros discos pelo Bandcamp. O nome “encosto de cabeça de assento de carro” surgiu porque no começo, o cantor costumava gravar os vocais sentado em seu automóvel. Também era uma banda marcada pela incontinência produtiva: os quatro primeiros álbuns foram lançados no mesmo ano, 2010, com direito a EPs ocasionais dividindo espaço com LPs. Com o tempo, o CSH virou uma banda de verdade, foi contratado pela Matador e seus discos, que já primavam por um certo compromisso juvenil com a complexidade, foram se tornando sessões de contação de histórias.

Teens of denial, o décimo disco da banda, lançado em 20 de maio de 2016, arriscava virar uma espécie de Lifehouse do grupo. Era uma segunda parte de Teens of style, álbum de 2015, repleto de regravações dos lançamentos independentes. Na elaboração do disco, Will mergulhou durante dois anos em suas próprias vivências quando adolescente e adulto jovem, tentando colocar em canções sentimentos de uma época “em que eu não sentia muito amor”. O grupo turbinou as características de guitar rock de seu som com instrumentação em alto volume e influências que vão do country-folk à música norte-americana mais antiga, passando pelo punk – este presente em Connect the dots (The saga of Frank Sinatra), lembrando bandas como Stranglers, Hüsker Dü e Wire. Na área violeira e agridoce, destaque para os quase doze minutos da marítima The ballad of The Costa Concordia, que mesmo assim vira uma boa barulheira lá pela metade.

Nas letras, Will uniu autoanálises, observações sobre o dia a dia urbano, tiradas de positividade tóxica e ironia em doses quase iguais – abrindo com versos como “estou tão cansado disso, preencha a lacuna/conquiste mais, conquiste nada/se eu fosse dividido em dois, eu pegaria apenas meus punhos/então eu poderia espancar o resto de mim” em Fill in the blank. No geral, um disco sobre melancolia e sobre a transformação disso em depressão, por causa de pouca conversa, muitos abusos e pouca perspectiva.

O disco tem um personagem, o Joe citado nas faixas (Joe gets kicked out of school for using) Drugs with friends (But says this isn’t a problem) e Joe goes to school – dois folk-rocks chapados à moda do Pavement. Joe é um adolescente que tenta se encontrar nas drogas e na diversão animal com amigos, mas tudo o que consegue é um encontro patético e humilhante com Jesus Cristo (“sexta-feira passada eu tomei ácido e cogumelos/eu não transcendi/eu me senti como um pedaço de merda ambulante…/e então eu vi Jesus/ele disse, quem é você/para desafiar a palavra do meu pai?”).

Provavelmente é Joe o garoto bêbado, chapado e anônimo da ruidosa Destroyed by hippie powers, e o adulto jovem que descobre que tudo não passa de uma mentira, na desencantada Drunk drivers/Killer whales, que lembra uma curiosa mescla de Husker Dü e Fleetwood Mac. A psicodélica e pesada Vincent, segunda faixa do disco, com seus quase oito minutos, investe na tristeza herdada de Berlin, de Lou Reed – a letra faz referência aos problemas do pintor Vincent Van Gogh, em meio a uma base feroz de guitarra, baixo, bateria, trompete e ruídos.

Recebido por alguns críticos quase como uma novela indie e depressiva, Teens of denial fez Will, sua banda e a Matador passarem por um perrengue daqueles. Ric Ocasek, da banda The Cars, já havia supostamente autorizado o uso de sua canção Just what I needed numa interpolação na faixa Just what I needed/Not just what I needed. Só que ao ouvir a faixa, percebeu que Will havia alterado a letra de sua canção e não gostou nada disso.

O resultado foi o primeiro recall da história da Matador, que recolheu os álbuns, mandou destruir tudo com um compactador de lixo e amargou um preju daqueles. Restou a Will regravar a faixa (influenciadíssima pelos Cars, por sinal) com novo nome, Not what I needed. Foi tenso, mas no fim deu certo: Teens of denial é até hoje um grande disco.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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