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Cultura Pop

Raw Power, de Iggy Pop and The Stooges, fez 49 anos!

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Raw Power, de Iggy Pop and The Stooges, fez 49 anos!

Raw power jamais significaria a entrada de Iggy Pop no estrelato – embora tivesse significado a volta do cantor, ainda acompanhado pelos Stooges, ao mainstream, a partir de um contrato com a Columbia.  Também indicava que o mercado estava mesmo a fim dele. Houve uma possibilidade do terceiro disco dos Stooges, ou o primeiro disco solo de Iggy Pop fosse ainda um lançamento da Elektra, gravadora que lançara os dois discos da banda, Stooges (1969) e Fun house (1970).

Ao saber que Pop estava em conversações com o empresário de David Bowie, Tony Defries, o alarme tocou na empresa e Danny Fields, o diligente assessor de imprensa da Elektra, mandou uma carta avisando que a gravadora tinha interesse no trabalho solo de Iggy. Tarde demais. Iggy estava criando o repertório ao lado de uma figurinha tão ou mais chapada que ele, o último guitarrista dos Stooges, James Williamson, e o projeto era que o que viesse, ganhasse só o nome de Iggy. Defries, em particular, achava que músicos acompanhantes eram figuras dispensáveis e só interessava por trabalhar com nomes solo. Nesse período, Iggy Pop chegara a esbarrar com os ex-colegas Ron e Scott Asheton numa festa, mas os evitara durante toda a  noite.

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Com 49 anos recém completados (saiu 7 de fevereiro de 1973), Raw power acabou frustrando todos os planos de Iggy, James, Defries, David Bowie (que produziu o disco com Iggy) e toda a turma envolvida. Ainda que Clive Davis, chefão da Columbia, tivesse gostado do jeito afrontoso do cantor, e o empresário de Bowie estivesse animado com sua nova contratação.

Bowie sugeria músicos britânicos para tocar no LP (o disco foi gravado no estúdio londrino da gravadora). Williamson ia descartando todos um a um, infeliz com a falta de agressividade dos candidatos. Scott e Ron acabaram sendo chamados para tocar no álbum, porque Iggy e Williamson não achavam uma dupla de baixo-e-bateria adequada – o que significava que Ron, originalmente guitarrista, precisou pular para o baixo. Mesmo putos com Iggy, toparam.

A gravadora ficou descontente com os sons pesados como Your pretty face is going to hell, e focou os cuidados na balada pesada Gimme danger e no blues I need somebody. As recentes viagens de heroína de Iggy geraram também futuros clássicos como Search and destroy e Death trip. E Raw power era também sobre sexo, especialmente em Shake appeal. Mas não faltavam exemplos disso no álbum.

Ron e Scott desciam o cacete nos instrumentos, um pouco por hábito, e muito por ódio de terem sido recontratados como músicos de apoio em sua própria banda. Entre uma sessão e outra, Bowie decolava com seu novo personagem, Ziggy Stardust, os Stooges se entediavam com as transmissões de TV da Inglaterra (que acabavam às dez da noite e não tinham a fartura de canais dos EUA) e a Mainman, empresa de Defries, cuidava de tantas carreiras que os Stooges já tinham sido largados de lado.

A mixagem de Raw power foi outro problema: o autossuficiente Iggy (que costumava dizer que ele mesmo havia produzido os dois LPs dos Stooges)  mixou o álbum e transformou o disco numa maçaroca sonora que faria o maior sucesso como lançamento alternativo durante os anos 1990, mas era avançado demais para 1973. Checando o material, Bowie viu que Iggy aproveitara só três (!) das 24 pistas, para voz, guitarra solo e todo o resto apertado num canal só. Praticamente recriou o disco, deixando o material mais palatável, mas absolutamente sem graça.

Hoje, você encontra nas plataformas tanto o mix de Bowie quanto a reremixagem feita por Iggy em 1996, a convite da Sony, para que soasse parecida com as ideias que o iguana havia tido em 1973. O cantor diz que se puder escolher, opta pelo poder de fogo dos Stooges ao vivo, e pela porradaria que foi conferir aquele material no palco. Um vislumbre disso estaria prensado em vinil no disco duplo Metallic KO, de 1976, documentando um show caótico de 1974 que terminou em briga, e em objetos jogados no palco. E o álbum continha também uma outra apresentação de 1973. Ouça se for capaz.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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