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Radar: Magdalena Bay, Tyler Ballgame, Circa Waves, Portugal. The Man, Immoral Kids

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Magdalena Bay

O Radar vai dar uma mudada a partir dessa semana, com menos textos por dia e uma frequência um pouco maior ao longo da semana – lógico que quando a falta de tempo bater na nossa porta, as coisas vão mudar um pouco. Dos sons internacionais que ouvimos nos últimos dias, destaque para os dois singles novos do Magdalena Bay, que continua a saga de seu álbum do ano passado, Imaginal disk, com um single duplo. Ouça e passe adiante.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Magdalena Bay): Divulgação

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MAGDALENA BAY, “SECOND SLEEP” / “STAR EYES”. Se bobear, você furou Imaginal disk, álbum do ano passado do Magdalena Bay, de tanto ouvir – ou pelo menos gastou sua plataforma preferida de tanto dar play no álbum. O duo de Mica Tenenbaum e Matthew Lewin, preparando um filme sobre a criação do álbum, soltou na semana passada um single duplo com duas faixas, Second sleep e Star eyes, criadas na etapa final do processo do disco. “Elas são ambas uma espécie de sucessora espiritual do clima e do arco emocional do álbum. Gostamos de como elas se complementam, então aqui estão elas como uma dupla”, contou o Magdalena Bay no release.

Em Imaginal day, a dupla fez faz uma mescla certeira de rock anos 1980, house music, pós-disco, disco camp na onda do ABBA, synth pop e dream pop – aliás resenhamos esse disco aqui. Second sleep soa como um belo pop clássico texturizadíssimo, que soa quase como uma entrada em uma nova dimensão. Já Star eyes é uma balada experimental e sussurrada, de beleza quase progressiva e clima psicodélico e vertiginoso. Ambas as músicas falam sobre superar a realidade – seja partindo para um mundo de sonhos (como na primeira música) ou mantendo a esperança (como na segunda).

TYLER BALLGAME, “I BELIEVE IN LOVE”. For the first time, again, álbum de estreia de Tyler, sai só em 30 de janeiro de 2026 – mas I believe in love, single do álbum, tema indie-folk e com uma cara bastante setentista, já está disponível e tem até clipe. Vale a pena esperar pelas novidades de Tyler, um cara cujo talento vem sendo desenvolvido desde a infãncia, e cuja relacão profissional com a música surgiu quando decidiu sair da Nova Inglaterra e migrar para Los Angeles, em busca de um trabalho em escritório – não parecia ser a melhor opção, mas ele passou a fazer apresentações num bar de open mic e foi descoberto pelos produtores Jonathan Rado e Ryan Pollie. Got a new car, outro single-que-virou-clipe, também está no álbum.

CIRCA WAVES, “OLD BALLOONS”. Há alguns meses saiu a parte 1 de Death & love, novo álbum do Circa waves – dia 24 de outubro sai a parte 2, que esperamos que seja beeeem melhor que a parte 1, ou que descortine um disco inteiro bem legal. Vale dizer que o indie rock luminoso de Cherry bomb, lançada anteriormente em single, já deu uma boa animada – e agora sai Old balloons, som animado sobre as turnês da banda nos Estados Unidos, a saudade de casa e a certeza de que, se o sucesso realmente aparecer, o tempo passado em casa vai ser cada vez mais curto.

Kieran Shudall, o cantor da banda, diz o excesso de produção surgiu após uma séria operação cardíaca, quando um de seus médicos ligou para informar que a artéria principal de seu coração estava gravemente bloqueada. Mas, na parte 2, tudo está bem mais otimista que na parte 1. “É como se o primeiro disco fosse sobre a operação, a morte e o medo de morrer, enquanto este é sobre o que vem depois. Fala de amor, vida, sobrevivência e euforia”. Agora, é aguardar.

PORTUGAL. THE MAN, “TANANA” / “MUSH”. Aos poucos vai se descortinando Shish, o próximo disco do Portugal. The Man, previsto para sair em 7 de novembro. Se o EP uLu Selects Vol. 2 , lançado de surpresa há alguns meses pelo grupo (e resenhado pela gente aqui) oferecia uma faceta cada vez mais experimental do PTM, Shish promete mostrar um lado roqueiro e invernal do grupo. O single Denali foi o primeiro a anunciar o disco, e agora saem Tanana e Mush. A primeira, voltada para um country-soul cheio de experimentações – a segunda, um punk eletrônico que lembra a união de Devo e Beatles.

Mush é sobrevivência, conexão e ambição. Vida rural com momentos de perigo e absurdo, como motos de trilha, defumadores, tiros e videogames. A frase repetida ‘we can be family’ resiste ao isolamento, buscando algo sólido. Este é um tema recorrente no álbum – construir uma vida, apoiar seu povo, comprar terras e cultivar algo duradouro. A mensagem é simples: não desista, queira mais e lute por isso. Enquanto isso, Tanana dá voz a uma tristeza geracional, em busca de significado passageiro em um mundo à beira do colapso”, conta John Gourley, vocalista e guitarrista do grupo.

IMMORAL KIDS, “GOUDRON”. Os franceses do Immoral Kids estão prestes a soltar Tantrika, o primeiro álbum da dupla, que sai dia 24 de outubro. Sean e JiF – os tais “garotos imorais” – puxam o electro-punk para um lado mais sombrio, cheio de referências a darkwave, industrial e aquele clima de festa decadente que lembra Alien Sex Fiend. E não é só som: tem todo um universo visual, entre imagens, fotos, performances e vídeos, que amplia a imersão. O single novo, Goudron, já dá o recado: catarse total, tanto no áudio quanto no clipe.

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Ouvimos: Jenny On Holiday – “Quicksand heart”

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Entre luto e descobertas, Jenny On Holiday estreia com synthpop e dream pop oitentista em Quicksand heart, disco íntimo sobre vulnerabilidade e prazer.

RESENHA: Entre luto e descobertas, Jenny On Holiday estreia com synthpop e dream pop oitentista em Quicksand heart, disco íntimo sobre vulnerabilidade e prazer.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Transgressive Records
Lançamento: 9 de janeiro de 2026

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“Coração de areia movediça” é uma boa metáfora para falar de profundidades sentimentais, ou de fragilidades, ou de perdas – e esses três temas surgem o tempo todo em Quicksand heart, estreia solo de Jenny Hollingworth, que faz parte da dupla de synthpop mutante Let’s Eat Grandma.

Jenny, usando hoje o alegre nome de Jenny On Holiday, passou por um acontecimento nada feliz em 2019: seu namorado morreu em 2019 de câncer ósseo. O luto chegou a fazer parte da lista de temas de Two ribbons, último álbum do Let’s Eat Grandma (2022), mas como ela própria disse num papo com o jornal The Independent, era preciso esperar até o momento em que o principal fosse se divertir fazendo música. Quicksand heart tem até um pouco de luto nas letras, mas boa parte do material fala de descobertas pessoais, tanto na vida quanto no sexo, no amor, no trabalho e em tudo que possa mexer com a vulnerabilidade.

Musicalmente, Jenny abraçou tanto a mescla de synthpop e dream pop, com teclados cintilantes e vibe oitentista evidente, que é quase impossível não pensar em Kate Bush, Fleetwood Mac e The Cure ao ouvir o disco. Essa onda surge na abertura com Good intentions, dá as caras nos riffs de guitarra e baixo da faixa-título e na vibe saturada e sonhadora de Appetite – música que fala bem diretamente sobre apetite sexual feminino, culpa e autoestima.

Every ounce of me, Pacemaker e These streets I know usam teclados gelados para falar de um mundo gelado, em que o estresse acaba virando combustível e a melancolia pode inspirar atitudes e canções. O New Order mais baladeiro e tranquilo dos discos mais recentes dá as caras em faixas como a tristonha Dolphins, além das razoáveis Push e Groundskeeping.

Nem tudo funciona 100% em Quicksand heart e dá para dizer que a segunda metade do disco traz menos canções que conquistam de cara, mas Jenny compensa na ambiência das músicas e na verdade inserida nos vocais e nas letras. O “casamento consigo própria” da capa – e vale dizer que o Let’s Eat Grandma não acabou – vem funcionando.

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Crítica

Ouvimos: Julieta Social – “Julieta”

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Entre caos e conforto, o Julieta Social estreia com um pop alternativo aberto a referências, letras afiadas e climas que vão do indie ao soul psicodélico.

RESENHA: Entre caos e conforto, o Julieta Social estreia com um pop alternativo aberto a referências, letras afiadas e climas que vão do indie ao soul psicodélico.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Seloki Records
Lançamento: 30 de janeiro de 2026

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Tem muito caos, mas também tem muito conforto no som do Julieta Social – uma banda/mini-coletivo de quatro integrantes, que sempre chama convidados para participar das gravações e tenta fazer com que sua sonoridade seja a mais aberta possível. Tanto que Julieta, o primeiro álbum, pode ser definido tranquilamente apenas como música pop, ou até como pop alternativo, que aponta para várias referências e busca não facilitar tanto as coisas para quem ouve.

Julieta é o disco do single Casos de Colômbia, que assume referências de Radiohead e Chico Buarque, mas também mistura emanações de Arctic Monkeys e guitarras em clima de blues pós-punk. A faixa tem participação de Mariana Estol nos vocais, e uma letra que mete o dedo na ferida das expectativas que, muitas vezes, não representam nada (“nunca que você vai encontrar dentro do armário / algo lendário, é tudo vestuário / sabe aquela luz que a gente vê de madrugada / é quase nada, mas satisfaz a alma”).

Abrindo o disco, Casos de Colômbia serve de balizador para faixas poéticas como o soul psicodélico de Nuvem nua, o easy listening esparso de Dorme pra ver se me esquece, o pop rock radicalmente brasileiro de Quem nunca quis demais e Um tempo pra pensar – estas duas lembrando um pouco o som praiano de Lulu Santos e Charlie Brown Jr. Também cede espaço para a vibe sixties de Ce la vie e para o clima alt-disco de Como te dizer, que traz lembranças de Arctic Monkeys, Khruangbin e Mamalarky.

Do meio pro fim do disco, o Julieta Social aposta numa vibe indie-pop que tem muito de Tim Maia (Rubbish shuffle), em climas sonhadores e existenciais (Astronauta, Fome) e num bloco dançante com guitarra base e baixo à frente (Poodle marciano), que serve como demonstração de possibilidades instrumentais do grupo. Em meio a tantas ideias, o Julieta Social faz de seu primeiro álbum uma celebração das incertezas – e da beleza que nasce delas.

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Ouvimos: Just Mustard – “We were just here”

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Shoegaze fantasmagórico e gótico: o irlandês Just Mustard mistura ruído, poesia e psicodelia em We were just here, disco que foge de rótulos.

RESENHA: Shoegaze fantasmagórico e gótico: o irlandês Just Mustard mistura ruído, poesia e psicodelia em We were just here, disco que foge de rótulos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Partisan Records
Lançamento: 24 de outubro de 2025

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Shoegaze e rock gótico são primos bem próximos, mas em vários momentos, é comum que bandas curtam misturar nuvens de guitarras e climas ensolarados – como se o sol fosse sair a qualquer momento. O grupo irlandês Just Mustard, que tem na voz de Katie Ball uma de suas maiores armas e atrativos, opera numa onda de shoegaze fantasmagórico, como se as microfonias e saturações servissem mais para confundir do que para explicar.

A opção da banda vem dando tão certo que eles já foram escolhidos pelo The Cure para abrir shows, e em We were just here, seu terceiro disco, escapam completamente de qualquer rótulo musical unindo vários elementos. Pollyanna, na abertura, poderia até ser uma canção do The Cure ou até do Jesus and Mary Chain: tem início ruidoso, bateria maquínica, teclados, ruído de vento – como se algo cobrisse tudo – e vocal doce, quase bossanovístico. A letra dessa música, assim como de boa parte do disco, é um primor de poesia e contemplação: “quando você vai brincar / onde os pássaros mais doces choram? / estou vendo, não sonhando / estou vendo, não sonhando agora”.

  • Ouvimos: Equipe de Foot – Small talk

Não é escapismo, já que parece um doce encontro com a realidade. E que surge também na viagem sonora fantasmagórica de Endless deathless, no quase trip hop + shoegaze de Silver (cuja letra absolutamente psicodélica diz: “luzes prateadas dançando ao redor do seu rosto / não consigo acompanhar o ritmo”) e no dream pop tranquilo de Dreamer. Já a faixa-título é quase hi-NRG, dançante, com início eletronificado e synthpopizado, só que tudo bastante sonhador e psicodélico – encerrando com uma rajada de microfonia daquelas.

Uma ouvida com atenção no Just Mustard revela que o som deles tem bastante a ver com uma certa onda que tomou conta do rock inglês e norte-americano nos anos 1980. Foi quando de uma hora para outra começaram a falar em neo-psicodelia e várias bandas apareciam unindo climas pós-punk a vibrações bem sixties – bandas como Primal Scream, The Pastels e até mesmo o Jesus and Mary Chain tinham a ver com isso.

Essa onda surge no clima enevoado, quase como se você tivesse dificuldade para enxergar na neblina, de Somewhere. Também está no drone, que chega a lembrar uma orquestra se aquecendo, que toma conta de The steps. Por outro lado, We were just here é inteirinho baseado numa espécie de som de ferro rangendo, que aparece em várias faixas, e ganha mais espaço em Out of heaven, a última faixa. Um lado pós-punk também vai surgindo em canções como Dandelion e That I might not see. Essas faces, juntas e equilibradas, formam o clima sonoro de uma das bandas mais legais da atualidade.

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