Connect with us

Cultura Pop

Que saudade daquela edição brasileira cagada do Tommy, do Who

Published

on

Que saudade daquela edição brasileira cagada do Tommy, do Who

Nos anos 1960/1970 não havia Spotify nem Deezer, muito menos YouTube (jura?). Para estar atualizado com o mundo da música pop, você precisava ir a uma loja de discos e coçar o próprio bolso para levar o que quisesse. Ou pior ainda: precisava recorrer a amigos que viajavam para outros países para comprar discos importados, a preços altíssimos. Foi dessa última forma que bandas como The Who e Pink Floyd ficaram conhecidas no Brasil, já que alguns discos dos dois grupos demoraram bastante a sair por aqui (no caso do Who, alguns jamais saíram aqui, pelo menos não em vinil).

Quando você não tinha dinheiro para comprar discos importados, nem podia aproveitar a viagem de algum amigo para outro país – e ainda tinha grana para comprar o que saía por aqui – restava aproveitar o que as gravadoras lançavam, incluindo aí alguns embustes e sacanagens. Entre elas, as edições com capas modificadas, ou com algumas músicas faltando. Ou, só para tornar a coisa mais dramática ainda, os LPs duplos ou até triplos que saíam no Brasil transformados em LPs simples ou em “coletâneas” que mudavam as ordens das faixas e incluíam até músicas de outros álbuns.

A Philips, que após fusões e fusões atende pelo nome de Universal, era responsável por várias “surpresas” dessas aqui no Brasil. Você até conseguia comprar os discos, mas como não havia tanta informação assim circulando, podia descobrir que um LP que você levou para casa era, na verdade, duplo, mas no Brasil havia saído simples e com a ordem das faixas bastante alterada. Como naquela época, para piorar um pouco, os álbuns tinham “conceito” (e alguns contavam histórias que se aproximavam de ter início, meio e fim) quem tinha alguma noção de inglês não ia ter ideia do que estava escutando em casa.

Um dos casos mais bizarros aconteceu com 666, o disco duplo da banda grega Aphrodite’s Child (1972), que por aqui saiu com o nome alterado para Break, grande hit do disco. A gravadora, provavelmente assustada com o título e a capa (um 666 enorme e um versículo da Bíblia), mandou cortar o nome e substituiu a capa do álbum pela do single Break, e foi assim que o disco foi para as lojas. A desinformação era tanta que, muitos anos depois, lembro de ter lido uma carta na antiga revista Som Três de um fã da banda reclamando que “tinha ouvido falar” que o disco se chamava 666.

E teve Tommy, a ópera-rock do Who, lançada em 1969, que chegou às lojas brasileiras no mesmo ano em que saiu lá fora, só que… em LP simples, com várias músicas faltando. O disco acabou virando uma espécie de coletânea do que era o Tommy original, com alguns dos hits do disco e, entre uma canção e outra, algumas vinhetas do LP duplo, o que tornava a audição próxima do que seria o Álbum branco dos Beatles (1968) reduzido a poucas canções e a esquisitices como Honey pie, Everybod’s hot something to hide except me and my monkey e The continuing story of Bungalow Bill.

No caso do disco do Who, sumiam músicas importantes para entender a história do personagem, como Christmas, Cousin Kevin, Amazing journey e até o tema instrumental Sparks, e o fã da banda levava para casa uma versão compacta do álbum. Cujo lado B abria com as curtíssimas There’s a doctor e Tommy, can you hear me, que serviam de pontes entre faixas do disco original e acabaram deixando uma boa parte dos fãs da banda (pelo menos os que entendiam as letras) crentes de que estava faltando alguma coisa ali, já que a edição feita no Brasil cagou o storytelling todo.

Seja como for, se você quiser ouvir o Tommy como uma porrada de gente ouviu no Brasil em 1969, a gente resolve seu problema. Pega aí uma playlist com as músicas que foram aproveitadas para a edição nacional da época.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

Published

on

George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Published

on

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

Continue Reading

Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Published

on

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

Continue Reading

Acompanhe pos RSS