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Televisão

Quando o SBT fez um reality show para escolher o melhor paranormal do Brasil

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Quando o SBT fez um reality show para escolher o melhor paranormal do Brasil

Que A fazenda, que nada! Se em algum momento a televisão brasileira (em especial os canais que não são a Globo) produziu um reality show realmente interessante, esse posto pertence a Os paranormais, exibido pelo SBT dentro do Domingo legal entre setembro e dezembro de 2014.

A ideia do reality era um pouco mais atraente do que mostrar gente comendo, dormindo, interagindo e curtindo a vida na frente das câmeras. Realizado por uma empresa chamada Cygnus Media, e inspirado no formato holandês Psychic Challenge, o programa decidiu descobrir quem era o melhor paranormal do Brasil – um tema que, com certeza, fez a audiência mais religiosa das estações populares (a turma que zapeia do SBT para a Record) tremer de medo.

Bruxos, terapeutas, tarólogos e médiuns candidataram-se à honraria, mas quem levou o prêmio (50 mil reais em barras de ouro) foi o bruxo, tarólogo e astrólogo Edu Scarfon, também autor do livro Magia grega – Como acessar os Deuses da Grécia Antiga nos dias de hoje.

A novidade é que todos os episódios do reality estão no YouTube.

Os paranormais abriu com o apresentador Celso Portiolli apelando (no bom sentido) para aquela velha sensação de deja vu que todo mundo teve na vida, e que muitas vezes deixa a sensação de que há algo mais entre os céus e a Terra. “Você já passou por alguma situação inexplicável? Como, por exemplo, ter a certeza de quem estava te ligando antes de atender ao telefone? Ou mesmo aquela sensação que já esteve antes em um lugar que você acabou de conhecer?”, afirmou. O programa teve 16 participantes, todos realizando provas bem objetivas. Os competidores teriam que adivinhar informações, “sentir” a energia de pessoas, e coisas do tipo.

Para dar um gás nas provas, passaram pelo programa nomes como Carlos Alberto de Nóbrega, Alexandre Frota, Ilana Casoy (autora de livros sobre assassinos seriais) e Walter Sperandio (sobrevivente do incêndio do Edifício Andraus). A taróloga Cigana Maíra fez uma visita à chácara que pertencia ao cantor Dinho, dos Mamonas Assassinas (e onde viviam os pais dele). De olhos vendados, no caminho, vislumbrou “uma pessoa que ainda sofre muito, pedindo muita ajuda”. Depois viu “um acidente, que pode ter sido um acidente de avião”, com “uma pessoa que alcançou o sucesso muito rápido”.

A terapeuta Selena F, na mesma casa, viu nas cartas “uma personalidade infantil, abobada”, e “uma subida e descida meteórica, e um falecimento, que envolve falecimento de outras pessoas”. Viu até “uma corte forte, amarela” (a Brasília amarela de Pelados em Santos, enfim?). As duas tiveram meia hora para começar a relatar o que viram, e tudo teria que bater com os fatos da vida de Dinho (auditados pelo pai do cantor, seu Hildebrando).

A prova mais arrepiante e emocionante (e que por isso mesmo daria até 40 pontos para o participante) envolvia ir a lugares “malditos”, nos quais ocorreram acidentes ou assassinatos, e soltar o maior número possível de fatos. Uma turma de paranormais foi ao apartamento onde o maníaco Chico Picadinho matou e esquartejou uma mulher. O local é apresentado por Portiolli como tendo “uma energia pesada”. O programa não economizou em (vá lá) emoções fortes e até colocou as fotos da perícia no ar.

Como é de se esperar num assunto desses, sem drama nada aconteceria: o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o SBT a pagar R$ 50 mil de indenização à mãe de uma jovem assassinada por Leandro Basílio Rodrigues, o “Maníaco de Guarulhos” (enfim, um dos crimes cujas histórias apareceram na atração). Na ocasião, os paranormais estavam no lugar em que ela foi morta e precisavam “sentir” os últimos momentos dela – com direito a Celso Portiolli usando frases como “vocês vão se divertir” para animar o público.

Só que, de qualquer jeito, o programa era muito bem produzido e representou uma novidade absoluta para o SBT, uma estação que nos anos 1980 foi acusada até curandeirismo e charlatanismo – por causa de Roberto Lemgruber, que fazia uma oração diária no popularíssimo O povo na TV. Quem viu Os paranormais e tem interesse pelo assunto, viu uma das raras vezes em que a paranormalidade foi tratada com seriedade na televisão brasileira.

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Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

Notícias

Urgente!: O que teve de bom no final de “Vale Tudo”?

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E aí, o que teve de bom no final de Vale Tudo?

E aí, o que teve de bom no final de Vale Tudo?

Bom, o capítulo foi um belo discurso. Seo Bartolomeu defendeu as últimas melhorias do país (naquele papo com o Ivan). Fátima e Cesar mostraram que quem não presta pra nada vai continuar não prestando pra nada – esqueça essa patacoada de “discurso de redenção”, que é usada bastante em reality shows.

Mais: Odete Roitman sempre volta porque isso é o que acontece de tempos em tempos no Brasil e no mundo. Sempre tem um maldito que ganha o protagonismo. Odete volta porque Trump voltou, e porque o sonho de um certo ex-presidente inominável é voltar.

(Sobre os lados bons do último capítulo, aliás, vale ler também o que escreveu a Patricia D’Abreu, que me deu aula no curso de jornalismo)

O que teve de pior é que, já que a linguagem da novela foi definitivamente invadida pela publicidade, nada como usar a linguagem publicitária no roteiro da trama. Em vários momentos – e isso rolou no final – Vale Tudo foi usada mais para passar ideias e “entregar” coisas do que para contar uma história propriamente dita. Tudo isso aí de cima foi “publicado” como numa colagem mal feita.

Eu tento enxergar isso como uma tendência dos dias de hoje, mas: 1) a descoberta de que foi Marco Aurélio o assassino rolou sem emoção nenhuma (eu sou velho o suficiente pra lembrar do “eu matei Salomão Hayala!” da novela O astro, de 1977, e toda a perplexidade que veio depois); 2) Alexandre Nero parece ter sido sorteado como assassino num globo daqueles de bolinhas pra bingo – não houve emoção, pareceu marmelada e a expectativa de que “o assassino é alguém que ninguém imagina” foi pro cacete; 3) o final pareceu mais uma “entrega” do que um último capítulo – aliás tudo estava nesse mesmo clima desde a morte da Odete.

No mais, eu saí de Vale Tudo fã da turma que faz o comercial da Globo: aquela inserção da turma de Três graças assistindo o último capítulo foi ótima, os atores da novela fazendo propaganda de um aplicativo de entrega de bebidas que não patrocina o Pop Fantasma, idem. O problema é que novela não é só isso.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Notícias

Urgente!: História da Nação Zumbi chega ao Canal Brasil nesta sexta (18)

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Pra botar na agenda e não perder de jeito nenhum: a série documental Nação Zumbi – No movimento das marés, de Aquiles Lopes e Leo Crivellare, que conta a história do grupo pernambucano, chega à grade do Canal Brasil nesta sexta-feira (18), às 19h30.

No movimento das marés é uma série curtinha e completa: são quatro episódios de 25 minutos falando da banda desde o comecinho, passando igualmente pela história de Chico Science (que criou a banda, você deve saber) e chegando aos dias de hoje.

A produção percorre cenários em Recife, Olinda, Rio de Janeiro e São Paulo, e há depoimentos de jornalistas, executivos de gravadora, músicos e todo mundo que lidou com a banda (Lorena Calábria, Arthur Dapieve, Roberto Frejat, Marcelo D2, Alice Pellegatti, Charles Gavin e Edgard Scandurra estão entre os entrevistados).

Urgente!: História da Nação Zumbi chega ao Canal Brasil nesta sexta (18)

No sentido horário: Marcelo D2, Frejat, Charles Gavin e Edgard Scandurra nos depoimentos da série (Todas as fotos: Canal Brasil/Divulgação)

A série começa com o episódio Hoje, amanhã e depois, que dá um passeio por várias fases da banda: traz a turnê pela Europa em 2017 e a gravação no estúdio Abbey Road, em Londres, mas volta lá atrás para contar a história desde o começo – e também para relembrar a tristeza com a morte de Chico, num acidente de automóvel, em 1997.

Os três próximos episódios vão ser exibidos pelo canal, nos dias 25 de julho, 1º e 8 de agosto. Se você perder algum deles, há horários alternativos aos sábados, às 13h30, e aos domingos, às 9h.

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Cultura Pop

Relembrando: Vários, “O espigão – trilha sonora nacional” (1974)

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Relembrando: Vários, "O espigão - trilha sonora nacional" (1974)

Até os dez primeiros capítulos (que foi até onde assisti), O Espigão, novela das 22h exibida pela Rede Globo em 1974, e escrita por Dias Gomes, tem ritmo de série bem construída e passagens que lembram Os Simpsons. Por sinal, com a chance de cada personagem ali conseguir ser o Homer por alguns minutos, ou por alguns capítulos. Os três primeiros capítulos são tomados por um cavernoso engarrafamento no Túnel Novo – que divide Botafogo e Copacabana, na Zona Sul carioca – no último dia de 1972. Hoje dá para ver tudo no Globoplay, que resgatou a trama.

No túnel, os personagens vão aparecendo para, mais do que construir a história, dar uma baita sensação de caos. Isso porque parece que quase ninguém ali costuma ser ouvido ou enxergado de verdade. No caso do trio de bandidos interpretado por Betty Faria, Ruy Resende e Milton Gonçalves, nem eles conseguem enxergar sua própria falta de talento para roubar os outros, mas isso é apenas um detalhe.

Para quem passou a vida ouvindo as trilhas sonoras de O Espigão, a nacional e a internacional, lançadas pela Som Livre naquele mesmo ano, o mais legal é ver a utilização nos capítulos das faixas da trilha nacional (um perfeito disco pop-rock-MPB). Pela cidade, tema instrumental e quase progressivo do Azymuth, surge na primeira cena, com o assombrado Léo (Claudio Marzo) chegando de navio de Sergipe, passando pela Baía de Guanabara. Nessa hora, destaque para o estranho cromaqui marítimo e para as imagens das barcas Rio-Niterói em alto-mar.

Retrato 3×4, primeiro quase-hit de Alceu Valença, e segunda ou terceira tentativa de sucesso do cantor, antes da fama, surge nas cenas do assalto frustrado do trio de bandidos. Versos como “rasgue meu retrato 3×4/porque eles vão pintar o sete com você” dão a sensação de que a turma formada por Lazinha (Betty), Nonô (Milton) e Dico (Ruy) é bem mais robin hoodiana do que pode parecer. Na sombra da amendoeira, de Sá & Guarabyra, na voz do grupo niteroiense Os Lobos, dá vontade de visitar o tal casarão antigo que é, de fato, o tema da novela.

Alfazema, tema folk do hoje astrólogo Carlos Walker, surge inicialmente numa cena de total lesação e abandono na cidade grande (por sinal no fim da Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, Zona Sul do Rio, bem antes do excesso de bares e carros). Já o tema de abertura, o hard rock orquestral O espigão, de Zé Rodrix, vem da transição entre os álbuns I acto (1973) e Quem sabe sabe, quem não sabe não precisa saber (1974), os dois primeiros do cantor – que geraram um show apresentado no Rio em março de 1974, ao lado da banda Agência de Mágicos.

O repertório da trilha de O espigão ainda inclui um excelente e hoje cancelável samba-rock (Malandragem dela, de Tom & Dito, que tocou muito no rádio na época), uma música que surge como protesto à gentrificação no Rio, mas que tem mais a ver com a poluição em São Paulo (Botaram tanta fumaça, de Tom Zé), um tema clássico composto por Tuca (Berceuse), um samba antirracista com letra de Nei Lopes (Você vai ter que me aturar, com Sônia Santos) e um sambão triste composto e cantado por Benito di Paula (Último andar).

O espigão fez tanto sucesso que a trilha nacional voltou às lojas várias vezes. Volta e meia dá para achar um vinil a preço barato em loja de usados, mas o álbum foi relançado em CD na série Som Livre Masters, com remasterização comandada por Charles Gavin. Hoje é um caso raro de trilha de novela nacional dos anos 1970 que pode ser vista e ouvida.

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