Cultura Pop
Quando Jim Morrison foi convidado para gravar um anúncio anti-drogas

Gravando com os Doors o último disco da banda, L.A. Woman, no comecinho de 1971, o cantor Jim Morrison acabou atendendo um pedido inusitado.
Um grupo antidrogas chamado Do It Now estava bastante preocupado com o crescimento de usuários de metanfetaminas entre jovens e entre astros pop. Bem antes do público descobrir um composto químico conhecido como MDMA, o efeito “nunca mais eu vou dormir” era dado por variações como speed e cristal, bastante populares – e com presença forte no universo do rock, já que o Motörhead, só para citar um exemplo, não foi batizado com esse nome à toa. E o tal do Do It Now queria que Jim gravasse um spot radiofônico prevenindo os jovens quanto aos perigos do speed.
O Do It Now estava procurando vários astros do rock para fazer gravações e tinha conseguido sucesso com Frank Zappa, que topou gravar anúncios (olha aí alguns deles no vídeo acima). Um dia Jim estava no escritório dos Doors e calhou de atender um telefonema do Do It Now, que estava atrás dele havia alguns meses. Um representante da organização agendou uma visita naquela mesma tarde para gravar o tal depoimento.
O spot de Jim nunca foi ao ar, porque o cantor passou o tempo todo zoando a gravação e tentando fazer uma espécie de anúncio de redução de danos avacalhado. A biografia dos Doors Daqui ninguém sai vivo, de Jerry Hopkins e Danny Sugerman, diz que o cantor do grupo abriu os trabalhos super educadinho e pedindo para o funcionário da Do It Now testar o gravador. Depois abriu os trabalhos falando algo como: “Alô, idiotas que estão ouvindo rádio em vez de fazer dever de casa, aqui fala Jim Morrison dos Doors”.
Depois Jim falou mais algumas frases que foram recusadas pelo Do It Now:
“Oi, como vão? Sou Jim Morrison, canto com os Doors, talvez tenham ouvido falar deles. Fiz algumas músicas, mas nunca fiz uma sob o efeito de speed. Já bêbado…”
“Olá, aqui é o Jim Morrison, dos Doors. Quero avisar que injetar speed não é legal. Já cheirar speed…”
“Olá, aqui é o Jim Morrison. Não injetem speed, fumem maconha, pelo amor de Deus”.
“Injetar speed mata gansos, se você injetar speed num ganso ele vai andar em círculos para sempre”
“Olá, aqui fala Jim Morrison e tenho uma coisa para dizer. Não injetem speed, speed mata. Usem downers, barbitúricos, tranks, reds (variedades de drogas). São muito menos caros e…”
O representante da Do it Now (que já tinha dito que Jim poderia ser engraçado, “como Frank Zappa foi”, mas que tinha que manter o foco) se aborreceu, desligou o gravador e foi embora – e Jim nunca gravou nada para a empresa. O curioso é que o sinal verde de Jim causou estranhamento em pelo menos uma pessoa do círculo da banda (o secretário Danny Sullivan cobrou o roqueiro pelo fato de ter dito um dia que queria que seus fãs pensassem por conta própria). O cantor alegou que sabia dos efeitos maléficos do speed e que achava que os fãs, caso usassem esse tipo de droga, estariam impedidos até de pensar direito.
E teve aquela vez em que Alice Cooper, Doobie Brothers e Grateful Dead (!) gravaram um disco de spots radiofônicos para manter os fãs longe das drogas.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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