Cultura Pop
Quando Blow Up, de Antonioni, inspirou um clipe dos Stranglers

A capa de Black and white, terceiro disco dos Stranglers (1978), traz os quatro integrantes da banda vestidos de preto, sobre fundo branco – o cantor Hugh Cornwell, o segundo da fila, está bastante curvado, e quem olha a capa sem prestar atenção pensa logo que cortaram a cabeça do músico. A ilusão de ótica não passou despercebida ao grupo: logo que a banda resolveu soltar um single com sua versão de Walk on by, clássico de Burt Bacharach e Hal David, colaram uma foto da cantora Dionne Warwick, que fez bastante sucesso com essa música, em cima do pescoço de Cornwell.

Pra quem nunca ouviu Stranglers, vamos lá: o quarteto originalmente formado por Cornwell, Jean Jacques Burnel (baixo), Dave Greenfield (teclados) e Jet Black (bateria) é tido com uma das bandas mais inovadoras da primeira fase do punk britânico. O grupo tinha um tecladista (o já citado Greenfield, morto em 4 de maio por complicações do coronavírus), e não tinha constrangimento de incluir solos de órgão e de sintetizador em suas músicas, numa época em que teclados eram demonizados pela turma do “faça você mesmo”.
Mais: ao contrário do que acontecia com os Sex Pistols, por exemplo, os Stranglers tocavam bem, eram mais velhos (Jet Black, o batera, tinha 40 anos quando a banda estourou) e abusavam de referências psicodélicas e sessentistas. Duas marcas registradas da banda eram o baixo de Burnel, que às vezes soava mais alto que a guitarra, e os teclados de Greenfield, que podiam tanto levar referências clássicas a hits como Tank, quanto fazer solos totalmente caóticos – como em Nice n’ sleazy, a música do vídeo abaixo.
Já para Walk on by, a banda fez um arranjo que lembra The Doors, só que com baixo. Aumentaram o hit de Dionne para mais de seis minutos e soltaram no tal single com a foto dela na capa. Cornwell incluiu um verso, por sinal, que não estava na gravação de Dionne, e que falava em “só vou dar um passeio nas árvores”. Isso porque o músico já estava inspirado pelas árvores misteriosas do Maryon Park, no Sudoeste de Londres, onde havia sido filmado nada menos que o clássico Blow up, de Michelangelo Antonioni.
E quando surgiu a oportunidade de fazer um promo de Walk on by, Hugh não pensou duas vezes e sugeriu que o clipe fosse gravado lá mesmo no parque, com inspiração total em Blow up. O vocalista convidou o amigo fotógrafo Chris Gabrin para ajudar na direção, manipulando uma máquina barata de Super-8. A banda não conseguiu que Dionne Warwick fizesse o clipe. Em compensação, chamou uma sósia da cantora para caminhar ao lado de um dos ídolos do grupo, o jazzista George Melly, no sombrio parque londrino onde Blow Up foi filmado. No clipe, a banda tenta reproduzir, mesmo que com sérias restrições orçamentárias, a cena em que Jane (Vanessa Redgrave) passeia entre as árvores com seu namorado e é fotografada por Thomas (David Hemmings).
Hugh Cornwell chegou a lamentar que o clipe de Walk on by nunca nem sequer chegou a ser exibido – só uma vez num evento no Institute of Contemporary Arts. Seja como for, ele ta escondidaço no YouTube, só que com a velocidade levemente acelerada. Olha aí.
Veja também no POP FANTASMA:
– Euroman Cometh: o lado eletrônico de Jean-Jacques Burnel, dos Stranglers
– Aquela vez em que os baixistas dos Stranglers e do Clash saíram na porrada
– Stranglers avacalhando uma dublagem de “No more heroes” na TV holandesa
– Lembra quando o Jet Black (Stranglers) trabalhou vendendo sorvete?
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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