Cultura Pop
Quando Andy Taylor (Duran Duran) virou um cara do metal

Fruto da mesma Birmingham que deu origem ao Black Sabbath, o Duran Duran não tem nada a ver com heavy metal ou som pesado de modo geral – embora tenha batizado um controverso disco de covers lançado em 1995 como Thank you, porque haviam gravado nele uma cover da canção clássica do Led Zeppelin. O passado (er) metálico do ex-guitarrista do DD, Andy Taylor, é que não costuma ser muito comentado. Até porque, se os fãs do Duran não se identificam lá muito com hard rock e metal, imagina a luta que Andy travou para ser ouvido por fãs de um estilo bem mais radical.
O DD havia entrado num hiato em 1985 – fundamental para a banda abandonar vícios pesados em drogas, botar a cabeça no lugar e fazer, cada um no seu canto, projetos sem tanta pressão. Andy Taylor e o baixista John Taylor juntaram-se ao cantor Robert Palmer e ao baterista e ex-membro do Chic Tony Thompson, e fundaram o Power Station. O grupo rendeu algum sucesso, inclusive por causa de uma versão (boa) de Get it on (Bang a gong), do T. Rex, mas parou, naquele momento, no primeiro e único disco, The Power Station (1985). Voltaria em 1996 com o segundo álbum, Living in fear.
Na época, Andy já estava fazendo o tipo de balanço da história (curta) do Duran Duran que o levaria a anos depois, escrever o livro Wild boy: My life with Duran Duran. E já dizia que chegou a ter medo de que todos os integrantes da banda estivessem mortos em pouco tempo.
“Sobrevivemos a muitos acidentes envolvendo motos, carros e barcos e fomos abençoados com nove vidas. Acho isso até hoje”, explicou o músico no livro. “Éramos ingênuos na crença de que a cocaína, por ser cara, não fazia mal. Não havia uma reabilitação naquela época, tal coisa. Acho que você lutaria para encontrar uma reunião de Alcoólicos Anônimos. Não existia a cultura de cuidar de si mesmo”, continuou o assunto aqui. Andy retornou ao DD para gravar o disco Notorious (1986), mas logo logo estaria fora do grupo. Na época, estava fisicamente dos colegas, já que optou por viver em Los Angeles.
Aí que em 1987, ele produziu e co-escreveu um disco novo de ninguém menos que Rod Stewart, Out of order. E gravou também seu primeiro disco solo, Thunder, com colaborações de amigos como Steve Jones (guitarra, Sex Pistols), Flo & Eddie (voz) e ninguém menos que o percussionista brasileiro Paulinho da Costa. O som era mais ligado ao glam metal do que a qualquer coisa do Duran Duran. Inacreditável, mas I might lie, a faixa de abertura, poderia rolar na festinha do motoclube que ninguém iria reclamar.
Teve clipe, com Andy dando uma de Richie Sambora (tocando e presepando) e Jon Bon Jovi (balançando as madeixas).
Se você não estiver satisfeita/satisfeito, saca aí Dangerous, o segundo disco de Andy, lançado em 1990, só com covers de hard rock dos anos 1970 e adjacências. Tem Thin Lizzy (Don’t believe a word), Rolling Stones (Sympathy for the devil), Bad Company (Feel like making love), Kinks (Lola) e… AC/DC (Live wire). Esse disco não está nas plataformas digitais e pode ser ouvido no YouTube.
Em dezembro de 1990, a revista brasileira de música Bizz anunciava a metamorfose na carreira de Andy Taylor falando do disco novo, lembrando suas recentes produções e dizendo que ele queria respeito dos fãs de metal. “Pelo menos por uma razão: ao sair do Duran, deixei de ganhar cerca de quinze milhões de dólares. Ninguém pode me acusar de ser um cara comercial”, contava vantagem.
E vinha novidade na carreira de Andy: ele tinha acabado de produzir o novo disco da banda de hard rock escocesa The Almighty, Soul destruction, que o grupo definia como “um disco sobre quatro coisas básicas: ódio, amor, religião e sexo”. Hoje, o guitarrista permanece afastado do grupo – após uma volta breve ao Duran Duran que terminou em briga e em um disco da banda descartado, Reportage (2006) – e em carreira solo.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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