Cultura Pop
Punkt: o disco “perdido” do Faust nas plataformas

Se você está procurando uma música indecente para assustar vizinhos e atazanar transeuntes, esqueça qualquer grupo de heavy metal ou de punk e tente a banda alemã Faust. Criadores do krautrock – o som experimental alemão, parente tanto do punk quanto do rock progressivo – eles coemçaram em 1971, e desde o começo, fizeram carreira na experimentação, na dissonância, nas microfonias e nos efeitos de estúdio. Tanto que Werner “Zappi” Diermaier, Hans Joachim Irmler, Arnulf Meifert, Jean-Hervé Péron, Rudolf Sosna e Gunther Wüsthoff (a primeira formação do grupo) fizeram questão de agregar um engenheiro de som exclusivo, Kurt Graupner.
Olha a turma aí fazendo bastante barulho na TV da Alemanha em 1971. Nessa época, o Faust já tinha dado um passo bem grande para uma banda tão desafiadora e tinha até contrato com a Polydor, pela qual lançaram os dois primeiros álbuns.
O curioso a respeito do Faust é que as origens da banda são até bem (vá lá) comerciais. O grupo tinha um criador, produtor e mentor, o jornalista e crítico musical Uwe Nettelbeck, que havia sido procurado pela Polydor alemã com uma proposta tentadora: criar uma banda “underground” que poderia ser a resposta do país aos Beatles e Rolling Stones.
Uwe, digamos, entendeu mais ou menos bem a proposta: reuniu duas bandas alemãs em uma e montou o Faust, que vendeu para a Polydor. Convencer a gravadora de que aquela banda numerosa e “difícil” seria a sensação do ano deve ter sido até fácil. Complicado foi convencer o público a ouvir um grupo tão maluco e experimental, inspirado por jazz e música concreta. Olha ai Why don’t you eat carrots (“por que você não come cenouras?”), música do primeiro e epônimo disco deles, de 1971.
O Faust não esquentaria o banco na Polydor por muito tempo, mas conseguiria outro contrato, com a Virgin – seria, aliás, uma das primeiras contratações da gravadora. E vinha coisa mais podre aí: The Faust tapes, o terceiro disco, saiu em 1973 e tinha só duas longas músicas sem título, divididas em pequenos segmentos. Os segmentos dividiam-se em momentos folk, sons calminhos, vinhetas ruidosas e barulhos de microfonia que entravam sem aviso prévio. O material foi tirado de várias fitas nas quais o grupo vinha trabalhando. Hoje, nas plataformas, cada vinhetinha do disco ganhou um nome. Se for escutar de fone, cuidado com as altas frequências (é sério!).
E aí que, ainda sob contrato com a Virgin, aconteceria uma coisa bem estranha na vida do grupo. Após lançar o disco Faust IV (1973), bem mais acessível que o anterior, o grupo alemão fez uma turnê pelo Reino Unido, brigou com o empresário e se mandou para Munique, para fazer gravações no estúdio Musicland, do produtor Giorgio Moroder.
Ficaram lá durante maio de 1974 e criaram as sete faixas do que seria o quinto disco da banda e o terceiro pela Virgin. Morning land, Crapolino, Knochentanz e Schon rund são cheias de referências à música concreta, manipulação de tapes, eletronices a la Karlheinz Stockhausen, rock progressivo e jazz (com direito a metais que parecem ter sido copiados de Bitches brew, de Miles Davis). É tanta psicodelia que chega a desnortear o ouvinte. E agora esse disco chega aos ouvintes com o nome de Punkt. São as últimas gravações com a formação clássica. Não por acaso, Punkt é “ponto final” em alemão (e tem “punk” no meio).
O tal disco era uma baita viagem, que acabou não chegando ao público porque a Virgin decidiu não se responsabilizar pelas gravações, levando o grupo a acumular uma dívida impagável no estúdio. Ao que consta, os integrantes foram presos pelo calote, tiveram fianças pagas pelas famílias e as fitas foram recolhidas pelos músicos – e levadas para um lugar desconhecido.
O que seria Punkt, esse disco “perdido”, já havia saído num box do Faust. Pela primeira vez, o disco sai em edição individual e chega também às plataformas. O “álbum de Munique” continua assustando, mas na época, marcou o fim do grupo, que sumiu do mercado por vários anos e só retornou em 1994 com o disco Rien. E em setembro de 2011, para o seu conhecimento (caso você não saiba), veio ao Brasil. Olha só eles aí no Centro Cultural São Paulo.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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