No Brasil não tem um lance parecido com esses e nem vai ter. A MAPS (sigla em inglês para “associação multidisciplinar de estudos psicodélicos”) é uma organização sem fins lucrativos que funciona na Califórnia e “desenvolve contextos médicos, legais e culturais para que as pessoas se beneficiem de usos cuidadosos de substâncias psicodélicas e da maconha”.

Não se trata de um convite para todo mundo ficar doidão. A MAPS oferece serviços que incluem terapias assistidas à base de maconha, LSD e MDMA, além de palestras e encontros (como o que aparece no vídeo acima) sobre o assunto. E uma das coisas mais históricas e legais que eles fizeram foi disponibilizar online a coleção do Psychedelic review, uma espécie de Seleções da psicodelia, publicada entre 1963 e 1971 e editada por ninguém menos que Timothy Leary, Ralph Metzner e Gunther Weil. Tá tudo em PDF lá (só em inglês).

A ciência da psicodelia, nas páginas do Psychedelic Review

O Psychedelic review era, na prática, uma publicação de ciências. Mas sem esquecer que a psicodelia era uma tendência cultural, que surgia no cinema, na literatura, na música, nas artes, etc. Tanto que artes psicodélicas conviviam com textos científicos sobre o assunto, nas edições. O terceiro número, de 1964, foi tomado por homenagens ao escritor inglês Aldous Huxley (1894-1963). Havia também ensaios literários, textos de Platão e até poesias e desenhos lisérgicos. Boa parte do material, no entanto, vinha dos estudos que Leary, Metzner e Weil desenvolveram em Harvard, e que incluíam o uso do princípio ativo do LSD no combate ao alcoolismo, a transtornos mentais e até na reincidência de crimes.

A ciência da psicodelia, nas páginas do Psychedelic Review

O prefácio do livro The psychedelic reader, que reuniu textos do Review em 2003, lembra que as ideias de Leary foram vistas como “hedonismo barato” pela comunidade científica e que ele foi expulso de Harvard assim que o primeiro número da publicação saiu. Mesmo copm as várias contradições (e a pecha de “guru” adquirida por Leary), o material reunido no Review tem apelo e mostra bem o espírito de uma era que define muito da cultura pop até os dias de hoje.

Mais Timothy Leary aqui.

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