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Cultura Pop

Powder Ridge: o festival de rock que nunca aconteceu

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Lembra daquela vez que você ia fazer um baita festão em casa, convidou todo mundo e – graças a um problemão de última hora – precisou cancelar? E lembra que ainda assim teve convidado que não recebeu a mensagem de cancelamento a tempo e apareceu lá?

Rolou algo parecido num festival de rock dos anos 1970 – talvez o maior evento que nunca aconteceu. O Powder Ridge Rock Festival foi agendado para 31 de julho, 1 e 2 de agosto de 1970 na Powder Ridge Ski Area, em Middlefield, Connecticut. A escalação era quase tão luminosa quanto a de Woodstock, com nomes como Eric Burdon & War, Sly and the Family Stone, Delaney & Bonnie, Fleetwood Mac, Melanie e Jethro Tull dividindo o palco, por ingressos que custavam 20 dólares.

Powder Ridge: o festival de rock que nunca aconteceu Powder Ridge: o festival de rock que nunca aconteceu

Estaria tudo bem, só que uma liminar cancelou o evento em cima da hora. Tão em cima da hora que mais de trinta mil fãs FORAM MESMO ASSIM. A polícia de Connecticut – afirma-se – chegou a espalhar avisos pelas estradas, dizendo que o festival tinha sido cancelado. Não adiantou nada, não só para o público como também para cerca de setenta traficantes que foram à área tentar ganhar grana.

O site Sociedelic desencavou algumas fotos do festival. Olha aí. Essa massa de fãs nunca recebeu os 20 paus de volta.

Powder Ridge: o festival de rock que nunca aconteceu Powder Ridge: o festival de rock que nunca aconteceu Powder Ridge: o festival de rock que nunca aconteceu

Diz também o Sociedelic que, além do público e dos passadores de drogas, quem apareceu por lá foi também o “médico de Woodstock” William Abruzzi, que tratou das bad trips da rapaziada em meio ao ambiente insalubre, sem encanamento, sem comida e sem limpeza. Perdeção de linha geral: até barris de água batizada com ácido (carinhosamente chamada de “água elétrica”) rolaram por lá.

Alguém fez um filminho em super 8 do festival e, anos depois, jogou no YouTube. Pega aí.

Abruzzi contou à revista Life terem rolado cerca de 985 viagens ruins no evento. A publicação cobriu Powder Ridge e, no dia 14 de agosto de 1970, soltou uma reportagem chamada Quando a música parou. Na hora H, quando os moradores da cidade viram o que tinham acontecido, ficaram com pena e levaram comida e água para a tropa de hippies. Um vendedor de podrão resolveu montar sua barraquinha lá e calculou ter vendido cerca de mil cheeseburgers (você lê a matéria inteira aqui, já que dá para achar a coleção da Life no Google Books).

Aliás, isso de “nenhum artista apareceu, mas o público foi assim mesmo” não é verdade, não. Programada para se apresentar no primeiro dia, a cantora pop-folk Melanie acabou indo lá mostrar seu fofinho hit Beautiful people para uma plateia de 500 fãs. Melanie cantou e tocou violão para cerca de 500 pessoas, usando um único microfone só pra voz. O equipamento foi improvisado usando dois caminhões de sorvete (!).

Olha aí em cima o papo dela com um radialista que foi ao evento (e chama o festival de Powder Ridge Drug Festival). Melanie, saindo de casa para se apresentar em Powder Ridge, escutou no rádio uma notícia sobre o cancelamento do evento, e resolveu botar fé que ninguém iria desapontar 30 mil fãs – e que o festival iria acontecer mesmo assim. “Me falaram para não ir porque eu poderia ser presa. Fui mesmo assim e nem sabia o que ia fazer lá, só sabia que era uma multidão e eu era um dos nomes que eles tinham ido lá assistir”, recorda, rindo.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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