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Cultura Pop

Por que é que ninguém mais comenta do Probot?

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A inspiração para o Probot, projeto de heavy metal lançado por Dave Grohl (Foo Fighters) no começo da década passada, veio de dois álbuns bem diversos. Um deles é Iommi, disco solo de Tony Iommi (2000) no qual o próprio Grohl tocou bateria. O outro é nada menos que o multiplatinado Supernatural, disco de Santana (1999). Ambos os álbuns tiveram vários vocalistas convidados, um em cada música.

O resultado foi um disco, o epônimo Probot, lançado em 2003, que serviu como uma homenagem à adolescência de Grohl, passada entre audições de discos de metal e descobertas de lendas underground do estilo. E que, incrivelmente, hoje em dia é até pouco lembrado. Geralmente quando as pessoas lembram de projetos lançados por Dave, um dos primeiros que vêm na mente é o Them Crooked Vultures, trio que trazia o baterista ao lado de Josh Homme (Queens Of The Stone Age, guitarra e voz) e John Paul Jones (Led Zeppelin, baixo).

O Probot foi consolidado no fim da turnê de um disco “maduro” da banda de Grohl (o terceiro dos Foo Fighters, There is nothing left to lose, de 1999). E, inicialmente, era um projeto tão rascunhado que se resumia a sete temas instrumentais pesadíssimos que Grohl tinha composto e gravado em seu estúdio, sem a intenção de lançar ou criar letras para eles.

Dave acabou tendo a ideia de homenagear seus grandes heróis do heavy metal (era o tipo de som que ele escutava desde a adolescência, e que ele ouvia antes de subir no palco com o FF). Na época, lá por 2002, 2003, o mundo ainda estava acostumado com hábitos como tentar descobrir telefones das pessoas, ligar para elas e usar o correio para enviar materiais. Grohl, de posse das fitas, acabou ligando para vários vocalistas de heavy metal, com a ideia de chamá-los para cantar nas músicas do Probot.

“Eu não tinha certeza de que todos cooperariam, só porque era meio fora de esquadro que um cara do Nirvana ligaria para pessoas como Cronos, do Venom, Tom G. Warrior ou Lee Dorrian”, acrescenta. “Mas todo mundo estava muito, muito animado para cantar. E a partir daí, foi realmente um processo simples de ligar e dizer: ‘Você gostaria de fazer parte disso?’ E se eles concordassem, eu enviaria a eles uma cópia da música que achava que deveriam cantar, e eles diriam sim ou não. Todos diziam sim. Nós mandávamos a fita master, dávamos dinheiro para o estúdio, então eles cantavam e mandavam de volta. E um por um, o material começava a voltar e era incrível”.

Essa foi a turma que cantou no disco Probot: Cronos (Venom), Max Cavalera (Soulfly), Lemmy Kilmister (Motörhead), Mike Dean (Corrosion of Conformity), Kurt Brecht (D.R.I), Lee Dorrian (Napalm Death & Cathedral), Wino (Saint Vitus), Tom G. Warrior (Celtic Frost), Denis ‘Snake’ Bélanger (Voivod), Eric Wagner (Trouble), King Diamond e Jack Black. Grohl tocou quase todos os instrumentos. Lemmy e Cronos tocaram baixo nas músicas que lhes couberam. Wino tocou guitarra em sua música e Kim Thayil (Soundgarden) tocou guitarra em duas faixas. Jack Black canta e toca guitarra na faixa escondida, I am the warlock. Michel (Away) Langevin, baterista e letrista do Voivod, fez a parte da capa.

O disco teve um clipe, o de Shake your blood, com Lemmy e Grohl cercados por setenta modelos do site Suicide Girls – uma tendência na época, com garotas tatuadas com visual indie e metaleiro.

Como o disco foi feito todo à distância, Grohl não tinha chegado a conhecer pessoalmente alguns dos nomes escolhidos, como Tom G. Warrior e King Diamond. Com Kurt Brecht, do D.R.I., ele tinha tido um contato em 1983 num show em Washington DC, quando Dave apareceu na van deles para comprar um disco. Algumas faixas, como as de Lemmy e Max Cavalera, foram feitas especialmente para os cantores. Para a maioria das canções, Dave tentou se concentrar na composição sem pensar em quem iria soltar a voz.

Probot, o disco, ainda demorou dois anos para ser lançado, porque Grohl não tinha certeza sobre qual gravadora seria a mais adequada para pôr o projeto nas ruas. Chegou a pensar na RoadRunner ou mesmo na grandalhona RCA, que distribuía os discos de seu selo Roswell – mas ele achou que a major não iria entender a natureza underground do projeto. O álbum acabou saindo por um selo especializado em metal, Southern Lord. Foi publicado em CD e LP duplo (este, vermelho e preto).

Ah sim, teve ainda o single de Centuries of sin/The emerald law, lançado em uma edição limitada de 6.666 cópias em vinil de 7 polegadas. Enfim, por que é que ninguém mais comenta do Probot, o projetinho metálico de David Grohl? Aproveita e pega o disco inteiro aí.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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