Cultura Pop
Phil Spector: “Feliz Natal o cacete”

Morto no sábado (16), o produtor americano Phil Spector era uma figurinha… Bom, não dá para dizer que se tratava de uma pessoa exatamente controversa. Não havia dúvida nenhuma que o coautor de Be my baby, sucesso das Ronettes, era um gênio no estúdio: grande compositor, criador do wall of sound (método de gravação com várias reverberações e overdubs). Só que o fato de ele andar armado, contar muitas vezes com a companhia de seguranças e criar um ambiente meio tóxico em seu local de trabalho criava lá seus problemas. Inclusive com pessoas da mais extrema confiança de Phil.
O técnico de som preferido de Phil, Larry Levine, por exemplo, preferiu dar um tempinho após as gravações de um dos discos mais conhecidos de Phil Spector, A Christmas gift for you, lançado no finalzinho de 1963. Nesse papo aqui, Levine contou que o clima nas gravações do disco estava mais próximo do de uma reunião de Natal de uma família em que todos brigam. Depois de trabalhar quinze horas por dia (!!) durante toda a gravação do álbum, ele cansou e se afastou.
RELAXA AÍ
“Foi muito difícil trabalhar com o Phil, nunca houve um momento em que você pudesse realmente relaxar”, contou. Entre outras coisas, o produtor exigia que tudo que estivesse sendo tocado fosse mixado imediatamente. Também não gostava de dar aquela paradinha pro descanso porque tinha medo que as coisas não voltassem a ser como estavam sendo antes. E, como muita gente já leu por aí, mantinha o volume do estúdio muito alto, a ponto de afugentar visitantes.
“Ele não tratava bem os artistas. Ele sentia que poderia ter tirado qualquer um da rua e feito um álbum de sucesso com eles. Portanto, o artista era apenas mais uma ferramenta”, conta Levine. Não à toa, o disco depois passou a ficar mais conhecido como Phil Spector’s Christmas album, especialmente após ganhar uma reedição do selo Apple, em 1972 – com uma foto bizarra de Phil amarfanhado por trás de uma barba de Papai Noel (tem um texto bem legal sobre esse clássico aqui na Esquire, e também tem o podcast do Ricardo Alexandre, Discoteca Básica, só sobre ele).
Ô SEUS FDP
Um momento, er, sui generis da gravação de A Christmas gift for you foi a hora de interpretar Silent night, com todos os artistas que participaram do álbum – Darlene Love, Ronettes e outros. A música é a única em que aparece a voz do produtor e é um primor de autorreferência, com Phil agradecendo à equipe, aos artistas, ao mercado da música e “a você ouvinte, por me deixar relatar meus sentimentos sobre o Natal através da música que eu amo”.
Há relatos de que essa arenga de Phil, originalmente, era bem mais voltada para si próprio e sobre como ele era o fodão do que o que ficou registrado no disco. Mas Levine ainda dá outra versão mais bizarra e engraçada: antes de registrar a voz, Phil ainda fez uma narração ofendendo os ouvintes. Não era para sair no disco. “Era algo que você não tinha como lançar! Ele estava dizendo algo como ‘eu fiz esse disco para vocês, seus fdp'”, afirmou.
Phil depois ficou com medo dessa gravação vir a público e botou Levine para verificar cada tape em busca dos palavrões. “Adoraria recuperar isso de alguma forma. Verifiquei cada rolo, cada pedaço de fita. Eu apaguei porque Phil queria que fosse apagado”, contou.
Phil Spector estava preso desde 2009 pelo assassinato da atriz Lana Clarkson. A notícia de sua morte foi dada por autoridades da prisão estadual da Califórnia neste domingo (17). Ele tinha 81 anos.
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Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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