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Cultura Pop

Phil Collins e Robert Plant: parabéns por você existir, amigo

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Rodou pela web no último de semana – a partir de um resgate feito pela conta do Twitter Classic Rock Pics – a imagem de um selinho entre ninguém menos que Phil Collins e Robert Plant. Nem mesmo a considerável diferença de altura entre os dois (quase vinte centímetros, com vantagem para o cantor de Stairway to heaven) impediu o beijinho dos dois amigos. Olha que fofo.

O encontro de Plant e Phil Collins, na época, ainda rendeu mais cliques. A Getty Images tem mais fotos da ocasião. Na época, o bromance dos dois foi parar na capa de uma revista de música dos Países Baixos, Muziek Express. A publicação emoldurou a foto com a frase “o que temos?”.

Phil Collins e Robert Plant: parabéns por você existir, amigo

A Classic Rock Pics informa que a foto foi tirada no Be-Bob Cafe em Nova York, 1983. E vale citar que o regabofe não rendeu só beijos entre o ex-Led Zeppelin e o ex-Genesis, não, como você viu acima no tal link da Getty Images. O evento rolou em 12 de setembro daquele ano e era a festa da turnê do segundo disco solo de Plant, Principle of moments. Na ocasião, Plant já estava mais do que convencido que os tempos de Led Zeppelin haviam ficado para trás. Tinha dado uma disfarçada na cabeleira dos anos 1970 com um mullet e adotara uma boa dose de sintetizadores em seu som. Um dos maiores hits do disco foi esse aí, Big log.

O cara que fez as fotos de Plant e Collins é ninguém menos que Ron Galella, um dos maiores paparazzi dos Estados Unidos. Ron clicou praticamente todos os grandes astros do pop gringo – de Michael Jackson a David Bowie, pouca gente escapou. E também apontou suas lentes pra uma turma grande do cinema. Uma das histórias mais malucas a respeito de Ron foi a da vez, em 1973, em que ele recebeu a missão de localizar o ator Marlon Brando, então totalmente fora de circulação, e fotografá-lo. Ele conta a história neste vídeo abaixo, infelizmente sem legendas.

Para quem não conseguiu ouvir, vamos lá. Após alguns dias de procura – durante os quais se valeu de informações de colegas e até de motoristas de limusine – Ron conseguiu localizar Brando num restaurante em Chinatown, Nova York. Conseguiu tirar a foto do ator. Mas Brando, irritadíssimo por ter sido encontrado, deu em Ron um soco que lhe quebrou cinco dentes e arrebentou seu lábio inferior. Galella processou o ator e saiu da contenda judicial com US$ 40 mil nos bolsos (“não quero ninguém pensando que pode me socar se eu tirar uma foto”, contou). Em 1974, vingou-se enquanto clicava novamente Brando em outro restaurante, só que usando um capacete de futebol americano com “Ron” escrito.

Se você está achando o rolé Phil Collins-Robert Plant muito aleatório, vai a info de que Phil, por aqueles tempos, dividia seu tempo em três. Era o baterista do Genesis, mantinha uma bem-sucedida carreira solo que começara com Face value (1981) e era… o baterista de Robert Plant. Tocou nos dois primeiros discos solo do ex-Led Zeppelin, Pictures at eleven (1982) e Principle of moments (1983), além de participar das turnês.

A amizade dos dois era nova. Em 1982, após se oferecer para tocar com o Who e não conseguir a vaga (o grupo havia acabado de pôr Kenney Jones na batera), Collins estava em casa, quando Plant telefonou perguntando se ele gostaria de ser um dos convidados de sua estreia solo. Na autobiografia Ainda estou vivo, Phil contou que Robert lhe mostrou uma série de demos do disco, em que o baterista era Jason Bonham, filho de John Bonham.

“Mais tarde, Jason me contaria que seu pai o fez escutar Turn it on again (sucesso do Genesis), lançada pouco antes da sua morte, e havia pedido que tentasse tocá-la. Nem passava pela minha cabeça que John soubesse que eu era baterista”, escreveu no livro. Robert Plant, numa entrevista ao The Pulse Of Radio, disse ter outra lembrança: a de que o próprio Phil o contactou e disse: “Eu amo tanto (John) Bonham, eu quero sentar atrás de você quando você canta. Foi Phil Collins. Sua carreira estava apenas começando e ele era o cara mais animado, mais positivo e realmente o mais encorajador”, contou, responsabilizando o amigo pelo apoio definitivo em sua carreira solo.

A amizade entre Phil e Plant rendeu ainda outros lances. Em 1985, o Led Zeppelin surgiu do nada no palco do festival Live Aid – com o ex-Genesis na cozinha. Em 1988, quando foi personagem de um programa de TV no estilo esta-é-a-sua-vida, Collins ganhou uma homenagem-zoeira do amigo Robert Plant, que apareceu na cozinha fritando salsichas. Isso porque durante a gravação de seus primeiros discos solo, a turma só comia isso todo dia no café da manhã.

E já que você chegou até aqui, pega aí Phil Collins e o Led Zeppelin quebrando tudo no Live Aid.

Aliás, dá mole pro beijoqueiro Phil que ele chega junto. Olha aí o encontro cordial entre ele e o ex-colega Peter Gabriel, nos anos 1970.

Phil Collins e Robert Plant: parabéns por você existir, amigo

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Chapterhouse: “O termo shoegaze era depreciativo”

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O Jesus and Mary Chain deu uma de Padre Quevedo indie e explicou numa entrevista ao site Stereogum que isso aí de shoegaze “não existe” – para Jim Reid, em particular, isso não passa de invenção de “algum palhaço do New Musical Express“. Pois bem, num papo com a newsletter First Revival, Stephen Patman, guitarrista, vocalista e fundador do Chapterhouse, uma espécie de “banda de shoegaze original” (que por sinal vem ao Brasil em setembro), deu mais detalhes sobre a origem do termo. E ainda lembrou que não era exatamente um orgulho ser chamado de “olhador de sapato” (shoegazer significa exatamente isso em português).

“O termo shoegaze era um comentário depreciativo, uma provocação”, recorda ele, lembrando que inicialmente, um jornalista chamado Steve Sutherland, da Melody Maker, escreveu que o Chapterhouse e bandas como Moose e Lush eram “a cena que celebra a si própria”. “Basicamente, porque tínhamos o mesmo empresário que o Moose e o Lush (Howard Gough), então saíamos bastante com eles e íamos aos shows uns dos outros. Também conhecíamos o Ride e o Swervedriver de Oxford, porque era bem perto de Reading”, contou.

Ele lembra de uma nomenclatura de tiro curto que surgiu: “Antes disso, chamavam de ‘cena do Vale do Tâmisa’, que incluía nós, Ride, Swervedriver e Slowdive. Então, era assim que chamavam, depois ‘a cena que se celebra'”, diz. “E aí o Andy Ross , que era o chefe da Food Records, estava assistindo ao show do Moose, e os quatro estavam lá parados olhando para baixo. Foi ele quem criou o termo ‘shoegaze’. A Polly (Birkbeck), assessora de imprensa da Food, provavelmente comentou com alguém, e a notícia chegou à imprensa musical, e aí eles começaram a usar o termo”.

Só que o termo – surgido, na prática, de uma postura tímida e mal-ajambrada de palco – acabou se revelando um feitiço que se virou contra um monte de feiticeiros do barulho. “Quando houve uma espécie de mudança na imprensa musical após a euforia inicial de 1991 em torno de tudo, eles (os jornalistas) de repente se voltaram contra nós, e passaram um ano inteiro zombando de nós. E como também saíamos juntos, os jornalistas nos viam reunidos e escreviam colunas de fofoca tirando sarro de nós de alguma forma”, continua. “Foi aí que ouvi o termo shoegaze pela primeira vez, e era um comentário depreciativo, uma provocação”.

“Mas, de certa forma, ele foi ressignificado ao longo dos anos e se tornou um gênero, o que eu acho bem curioso. Nós nunca nos consideramos uma banda shoegaze. Para ser sincero, não somos exatamente fãs de shoegaze. Não ouvimos esse tipo de música”, diz Patman. “Mas principalmente porque a maioria era de artistas contemporâneos, dos quais você não se torna fã por ser amigo. Então, sim, era um termo pejorativo que chegou à imprensa e eles começaram a usá-lo”.

“E agora o conceito se expandiu, com tantas bandas que nem de longe eram consideradas shoegaze, como The Verve, Kitchens of Distinction e Catherine Wheel, agora são consideradas assim. Eles até chamam The Jesus and Mary Chain e Cocteau Twins de shoegaze”, continua Stephen, que também não gosta do termo dream pop para definir qualquer tipo de música com alguma distorção e reverb. “É ainda mais repugante”.

E pra saber mais sobre o show do Chapterhouse no Brasil, só ir aqui.

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

No dia 31 de maio de 1982, a gravadora I.R.S. enviava um press release avisando que havia assinado com o R.E.M., “uma banda de Athens, Georgia, aclamada pela crítica”. E já anunciava que no dia 26 de agosto sairia o EP Chronic town, com as faixas 1,000,000, Stumble, Wolves, lower, Gardening at night e Carnival of sorts (Boxcars). A foto de imprensa, em preto e branco, trazia Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo), Bill Berry (bateria) e Michael Stipe (vocais) com visual pós-adolescente.

“O EP vai ser seguido por um álbum no ano que vem. O R.E.M. planeja fazer uma turnê pelo Oeste do país durante o verão, seguida pelos estados da Costa Leste e do Canadá durante o Outono”, avisava a gravadora, oferecendo também o contato da empresária Betsy Alexander, primeira pessoa a cuidar profissionalmente do grupo, ajudando em contatos, logística e gestão. O release só errava na ordem das músicas do EP, que possivelmente ainda não estava decidida (Chronic town também saiu dividido em duas partes, com lado A nomeado Chronic town e lado B com nome Poster torn)

O contrato era de longo prazo e previa cinco discos – ou seja, tudo que saiu do grupo até Life’s rich pageant, o quarto álbum, de 1986. Depois disso, o grupo renegociou e lançou o quinto disco, Document, de 1987 – mas acabou migrando para a Warner e terminando o contrato com a coletânea Eponymous (1988).

A I.R.S. tinha sido criada em 1979 por Miles Copeland III, irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police. O selo vinha da cena punk/new wave britânica e funcionava como uma espécie de ponte entre o underground e uma estrutura profissional de distribuição via A&M (a gravadora do Police, por acaso).

Na época em que o R.E.M. assinou, a I.R.S. já tinha grupos como Wall of Voodoo, Oingo Boingo, The Go-Go’s e The English Beat. Era um selo muito ligado a college radio, pós-punk, new wave e à ideia de independência artística. Depois, virou praticamente sinônimo do rock universitário americano dos anos 1980 por causa do próprio R.E.M.

A entrada da banda na gravadora aconteceu muito por conexões da cena. O empresário/agente Ian Copeland, irmão de Miles e Stewart, já acompanhava o grupo desde os primeiros shows em Athens. O baterista Bill Berry tinha trabalhado para Ian em Macon como roadie e serviços-gerais, e mantinha contato com ele. Isso ajudou o R.E.M. a conseguir shows de abertura para bandas maiores, como The Police e Gang of Four, até chamar atenção da I.R.S.

E olha o post comemorativo do R.E.M. aí.

 

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Um post compartilhado por R.E.M. (@rem)

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George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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