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Cultura Pop

O som MUITO estranho de Peter Wyngarde

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O som MUITO estranho de Peter Wyngarde

“Nada do que você tenha ouvido antes pode preparar você para a audição desta verdadeira carta de amor em formato vinil”, está escrito nas notas do relançamento de Peter Wyngarde, único disco lançado pelo ator britânico, em 1970 – anos depois, reeditado em CD com o nome When sex leers its inquisitive head. O disco é inteirinho uma experiência altamente distópica, que se localiza entre o cafona, o irônico e o (muito) estranho.

O som MUITO estranho de Peter Wyngarde

Contando 43 anos na época da gravação do disco, Peter (que morreu em 18 de janeiro de 2018, aos presumidos 90 anos) era um veterano ator de teatro, que ganhou fama por causa do papel-título da série policial Jason King. O bigodão e a cara de malvado dele ainda faziam sucesso com as mulheres (eram os anos 70…), e, décadas depois, os ternos e o cabelo amarfanhado de King serviram de inspiração para o visual retrô de Mike Myers na franquia Austin Powers. Ao receber, em 1970, o convite da RCA para gravar um disco, Peter ouviu da diretoria da gravadora que, graças à sua popularidade, poderia entrar em estúdio e fazer o que quisesse.

Tem um probleminha: Wyngarde não cantava porra nenhuma. Teoricamente, não seria problema. Ao que parecia, a rédea solta que a RCA havia lhe dado não era muito diferente da que outras gravadoras davam para discos de entertainers cafonas. Ou da que, aqui no Brasil, era dada a Ronald Golias, Chico Anysio e outros nomes.

“Vi o disco como um entretenimento para ser apreciado com ironia”, contou. Traduzindo: Peter não viu problemas em passar o álbum inteiro fazendo declamações e narrações cafonas, em escrever ele mesmo várias letras cheias de histórias bizarras e de o primeiro single do disco, Rape, ser uma letra em que Peter “explica” como acontece o estupro em várias parte do mundo. A canção foi lançada com um single que trazia a frase “Peter Wyngarde comete estupro” (!).

Rape rendeu também as pichações da contracapa do álbum.

O som MUITO estranho de Peter Wyngarde

Tem It’s when I touch you, que deixaria Wando constrangido.

https://www.youtube.com/watch?v=hM3Iuk9TUCg

E a historinha triste de Hippie and the skinhead. Aqui, aliás, você confere todas as letras do disco

O próprio Peter comentou que a RCA esperava uma coisa e teve outra. “A gravadora devia estar achando que eram oito ou nove versões do Sinatra, mas queríamos fazer algo diferente. Eles esperavam que fosse um disco para abater do imposto de renda, mas aconteceu o contrário e se tornou um ganho fiscal!”, explicou em um texto publicado no relançamento do disco em CD. De acordo com Peter, a gravadora tirou o disco de catálogo assim que viu que “pode fazer o que quiser” tinha sido levado ao pé da letra. Só que o álbum acabou virando um item cult, com exemplares trocando de mãos por 400 libras e fãs animadinhos.

Wyngarde continuou mantendo a fama até meados dos anos 1970. Em 1975, no entanto, teve um problema grave: foi preso, condenado e multado em 75 libras por um ato de “indecência grosseira” num banheiro da Estação Rodoviária de Gloucester. Só aí chegou a público, por vias tortas, o que muita gente já sabia: Peter era gay e, por causa da homofobia na Inglaterra, escondia isso de todo o mundo. Em 1980, rolou um retorno rápido à fama, já que Wyngarde fez o papel de General Klytus no filme Flash Gordon.

https://www.youtube.com/watch?v=UjzZxgo4Rhk

Ainda assim, ele foi casado duas vezes, e teve fãs bastante avançadinhas. Abaixo, em 1993, Peter é visto num programa da BBC lembrando sobre como foi furiosamente atacado por um grupo de mulheres na Austrália, logo depois de ganhar de lavada uma eleição de “homem mais sedutor” na terra dos cangurus. “Foi a coisa mais assustadora que já vi na vida! Me derrubaram no chão, cortaram meu cabelo – elas estavam com uma tesoura. Fiquei no hospital por três dias, elas cortaram tudo o que viam pela frente!”, contou.

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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