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Cinema

Pegando uma onda maneira com o Pink Floyd ao som de “Echoes”

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Pegando uma onda maneira com o Pink Floyd ao som de "Echoes"

O surfista e diretor de cinema californiano George Greenough vivia na Austrália quando, em 1971, encontrou o Pink Floyd. A banda estava em turnê por lá e lançaria Meddle, seu primeiro grande sucesso mundial (com o hit quilométrico Echoes), em pouco tempo. Até aquele momento, além de ter desenvolvido até mesmo novas tecnologias para o esporte (como a construção de pranchas mais velozes e até o desenho de uma nova barbatana), George vinha deixando vários surfistas malucos com seus projetos cinematográficos.

Sua estreia The innermost limits of pure fun, de 1969, tinha de tudo. Aliás, tinha até mesmo uma câmera enfiada numa caixa à prova d’água, no seu ombro, para mostrar o interior de uma onda. Os efeitos, somados à trilha sonora psicodélica providenciada por uma banda chamada Farm, deixaram surfistas e curiosos uivando nos cinemas. Se a surf music era mais associada aos pranchões, lá vinha Greenough mostrar o quanto havia de espaço a ser desenvolvido com as pranchas mais compactas.

ONDÃO

O livro The routledge international handbook of ethnographic film and video, editado por Phillip Vannini, lembra que esse filme levou pela primeira vez para um público numeroso o universo das ondas grandes. E, mais que isso, do interior das ondas grandes.

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“A maneira como a câmera estava posicionada dava uma sensação de experiência corporal que fez plateias, nos cinemas, gritarem e ficarem de pé”, explica o livro. Aliás, o livro mostra também que o universo do espectador-como-protagonista hoje rende vários views no YouTube (até mesmo em vídeos que exibem passeios noturnos pelas cidades do mundo). E recorda também que tudo isso foi feito bem antes de chegarem ao mercado as primeiras câmeras GoPro, que tornam tudo isso brincadeira de criança.

NA ONDA SOZINHO

Greenough, que era conhecido por gostar de surfar sem aglomerações do lado (bem antes da palavra “aglomeração” ganhar o significado que tem hoje), começaria em 1971 um filme levemente autobiográfico, Crystal voyager, mostrando sua busca por novas (e enormes) ondas. O filme teve roteiro escrito por ele e direção feita por David Elfick, que naquele mesmo ano lançaria um filme de surf, Morning of the Earth.

O interessante de Crystal voyager era que Greenough foi um dos últimos diretores não-mainstream a conseguir se aproveitar do talento do Pink Floyd para compor trilhas sonoras. Isso porque um suposto encontro na Austrália sacramentou o uso de Echoes, principal música programada para Meddle, numa das melhores sequências do filme.

Na sequência (que costumeiramente é entendida como um curta-metragem à parte), a mesma câmera usada no filme anterior era colocada nas costas de Greenough enquanto ele pegava uma onda enorme. O Pink Floyd teria autorizado o uso da música lá mediante uma negociação interessante: a banda poderia exibir o curta como pano de fundo visual na hora de tocar a música. Ainda assim, Crystal só chegou às salas de exibição em 1973.

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A CÂMERA CAIU

Segundo essa reportagem, o próprio Elfick serviu de contato com o Pink Floyd, já que a banda havia assistido ao primeiro filme de Greenough e ficou tão animada com aquelas imagens que ofereceu seu repertório para um dos próximos filmes envolvendo o surfista. Daí veio a tal ideia da banda usar o curta nos shows. Crystal, com Echoes no fim, fez bastante sucesso, rendeu grana e foi parar até no Festival de Cannes.

“A maior parte do que estava em Echoes (o curta-metragem) veio do tipo de ondas de inverno que ocorrem a cada dez anos ou mais. Eu posso contá-las em uma mão. Eu era o único no mar durante todo o tempo em que eu estava filmando”, disse Greenough, que só teve um único problema no fim das filmagens: a força das ondas fez a caixa com a câmera cair nas suas costas.

VEJA TAMBÉM NO POP FANTASMA:

– Várias coisas que você já sabia sobre Atom heart mother, do Pink Floyd
– Pink Floyd toca Zabriskie Point
Seamus: quando o Pink Floyd teve um cachorro como vocalista

Tem conteúdo extra desta e de outras matérias do POP FANTASMA em nosso Instagram.

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Pinóquio no Espaço Sideral: sim, isso existe

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Pinóquio no Espaço Sideral: sim, isso existe

Pinóquio, a animação da Disney, foi feito em 1940. O que ninguém esperava era que a animação com a corrida espacial dos anos 1960 ajudasse no surgimento de uma versão interestelar da história moralista do boneco de madeira que queria ser gente, mas não conseguia vencer as tentações ao longo do caminho.

Pois é: em 1965 um diretor e roteirista americano chamado Fred Ladd foi contratado para reformatar e ajudar a lançar nos EUA uma animação belga chamada… Pinóquio no espaço sideral. Dirigido por Ray Gosseens, o filme era uma produção do editor da história em quadrinhos do Tintim (o belga Raymond Leblanc) e do cofundador da Filmation, a empresa que fez o desenho animado Archie Show (Norm Prescott) e a série da Poderosa Isis.

A novidade é que jogaram o desenho animado no YouTube.

A adaptação da história é uma continuação das aventuras nas quais o personagem já havia se envolvido. Pinóquio já havia virado uma criança e, como castigo por ter mentido, desobedecido e feito umas coisas erradas, tinha voltado a ser um boneco de madeira (e sonhava em voltar a ser um menino).

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O garoto frequentava a escola, vivia com o pai (o carpinteiro Gepeto, que passava por uma baita crise financeira). Mas cai de novo numas tentações aí da rua, e acaba indo parar numa aventura espacial, ao lado de uma tartaruga alien, enviada por seu governo para investigar um aumento incomum de radiação em Marte. No desenho, a dupla enfrenta uma baleia gigante e répteis enormes – tudo para assustar seus filhos. Quem vir o filme vai ser poupado do chato Grilo Falante, que não surge no desenho animado, mas numa determinada hora Pinóquio conta umas mentiras e o nariz dele cresce. Igualzinho à história original.

 

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Cinema

Jogaram o Duna de Jodorowsky no YouTube

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Jogaram o Duna de Jodorowsky no YouTube

O cineasta Alejandro Jodorowsky começou a fazer filmes por uma razão muito peculiar: ele queria provocar nas pessoas que assistissem às suas produções o mesmo efeito alucinógeno do LSD, mas sem “alucinações” na prática. “Eu não queria que as pessoas tomassem LSD, eu queria fabricar os efeitos da droga e fazer um filme que mudasse as percepções das pessoas”, chegou a afirmar ele.

Era nesse pé que o diretor de filmes como El topo e A montanha sagrada estava quando resolveu dirigir uma adaptação do romance de ficção científica Duna, em 1975. A adaptação nunca foi feita e costumeiramente é chamada por aí de “o melhor filme jamais feito”. Mas gerou um filme bem interessante: Duna de Jodorowsky, dirigido por Frank Pavich em 2013, que é um documentário sobre… a realização do Duna que nunca saiu. A tal fala de Jodorowsky foi dita logo no comecinho do documentário.

E a novidade é que jogaram o Jodorowsky’s Dune no YouTube, com legendas em inglês e espanhol. Veja antes que tirem do ar.

Jodorowsky, que fez uma turma enorme achar que estava MESMO viajando quando viram filmes como A montanha sagrada, queria que o Duna mudasse mentalidades e que chegasse perto de “um deus artístico, cinematográfico. Não era como fazer um filme, eu queria fazer algo sagrado”. O filme veio de um ataque de ambição desmedida de Jodorowsky, que teve um grande sucesso na Europa com A montanha sagrada (diz ele que ficou no segundo lugar de bilheteria na Itália, atrás apenas do filme de James Bond da época). E é uma produção meio americana, meio francesa (Jean-Paul Gibon, co-produtor, liderava um consórcio que comprara os direitos do livro).

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Com o tempo, nomes caríssimos foram aparecendo no projeto: o Pink Floyd, que estava em estúdio na ocasião, faria a trilha sonora, Orson Welles seria o Barão Vladimir Harkonnen, Mick Jagger faria Feyd-Rautha Harkonnen, Salvador Dalí interpretaria o Imperador Shaddam IV e até mesmo a modelo e atriz Amanda Lear (a garota da capa de For your pleasure, o segundo disco do Roxy Music) estaria no elenco interpretando a Princesa Irulan. Lá por 1976, só em produção de storyboard e roteiro, o filme já havia consumido mais de dois milhões. O script previa um filme que duraria 14 horas (!) e acabaria não sendo visto por ninguém.

Não deu muito certo, e o Duna não saiu. Mas rendeu umas histórias engraçadas: Dalí só aceitou se fosse “o ator mais bem pago de Hollywood” e ganhasse um cachê ziliardário (tipo cem mil dólares por hora de filmagem) – o diretor encasquetou que só usaria poucos minutos dele no filme, para compensar. Orson Welles, famoso por “comer e beber muito durante os filmes” (o próprio Jodorowsky diz isso), fez exigências gastronômicas caríssimas. Pelo menos Hollywood descobriu a equipe inteira do filme, o que foi bom para todos os envolvidos. E em 1980, o diretor faria uma breve mudança de rumo, dirigindo uma fábula infantil, Tusk.

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Cinema

The Baby, filme trash (e sinistro) sobre adulto criado como criança

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The baby, filme de 1973, não é apenas um filme trash: é um daqueles filmes que você tem vontade de desver assim que assiste (por acaso ele está no YouTube, inteiro, com legendas automáticas). O conteúdo, inicialmente, parece apenas absurdo, mas vai além da bizarrice: um adulto de 21 anos conhecido apenas como “baby” (David Mooney, ator morto em 2019, creditado como David Manzy) criado como criança por uma família formada por sua mãe (a megera Sra. Wadsworth, interpretada por Ruth Roman) e duas irmãs (Germaine, interpretada por Marianna Hill, e Alba, por Suzanne Zenor).

O pai de “baby” havia morrido e Sra. Wadsworth, com a ajuda das irmãs, começou a hiperproteger o filho, tratando-o como um bebê, e vivendo de uma pensão por invalidez que ele estava ganhando. A família tenta usar babás para cuidar do garoto – uma delas acaba espancada pela mãe e pelas irmãs. “Baby” costuma ficar preso num cercadinho e toda vez que tenta fugir, ou que começa a acordar para o fato de que não é um bebê, e sim um homem adulto, é molestado com um aguilhão elétrico pelas irmãs (isso aparece no filme, vale informar).

Só que aí aparece uma assistente social, Ann Gentry (Anjanette Comer, de filmes como Appaloosa) que começa a perceber que basicamente, “baby” é um adulto normal que sempre foi tratado como criança e nunca cresceu como um homem de sua idade. Ann começa a fazer de tudo para salvar o bebê-adulto de sua família disfuncional. Mas a história depois vai evoluindo para lados bem mais sombrios e estranhos.

No filme, “baby” é cercado de mulheres medonhas, fortes e decididas, mas se você pensava num filme com subtexto feminista, ou que aponte para a questão dos homens heteros tóxicos e abusivos, não é bem isso, não. Esse podcast, que tem até participação de David Mooney como convidado, aposta que o filme dá até uma visão meio cagada do feminismo, substituindo mulheres fortes por mulheres megeras e temidas. Contemporizando, Mooney diz acreditar que a ideia do filme foi mais criticar “quem criticava o feminismo” do que propriamente falar mal da liberação feminina em plenos anos 1970.

The baby junta-se ao universo bizarro dos filmes que falam de pessoas criadas totalmente afastadas da vida real, por mãe super hiper protetoras (o australiano Bad boy bubby, de Rolf de Heer, é outro desses). O diretor do filme, Ted Post, é mais conhecido pelo trabalho com séries de TV e por ter dirigido De volta aos planeta dos macacos (1970). No mesmo ano de The baby, ele dirigiria Magnum force, a continuação de Dirty Harry, Perseguidor implacável – nada a ver mesmo com as aventuras de um adulto criado como bebê.

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O filme foi produzido pelos irmãos Abe e Milton Polksy. Abe, responsável pelo roteiro, tinha feito filmes para a TV e escrevera o que seria The baby em 1968. O filme chegou a ser vendido para duas companhias cinematográficas – e foi comprado de volta assim que Abe viu que elas não fariam filme nenhum com um roteiro maluco daqueles. Ted Post se juntou ao time e o trabalho começou.

 

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