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Crítica

Ouvimos: Funeral Macaco, “Idade do pássaro” (EP)

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Ouvimos: Funeral Macaco, “Idade do pássaro” (EP)

Com origens na “cacofonia da favela de Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio” (frase tirada do próprio Instagram do grupo), o som do Funeral Macaco une pós-punk e brasilidades, num resultado que lembra tanto o rock pernambucano dos anos 1990 quanto bandas como Black Future e Paulo Bagunça e a Tropa Maldita. A capa do disco, por sua vez, dá uns traços com a de Exuma I, a estreia do Exuma (do hit Exuma, The Obeah Man).

Canicule, a faixa-título, resume tudo: baixo pesado, batuque de umbanda, vocal parecendo um dialeto, guitarra econômica, bateria soando como uma porrada rápida, entre rock e jazz – basicamente uma só nota entendida e transformada em algo pesado e sombrio. Congo e Angola é um samba fantasmagórico, com letra que lembra algo de Luiz Melodia. Frevo é um frevo de vocal furioso e bateria igualmente tensa, uma energia que passa pelo entendimento pós-punk do estilo.

General Candongueiro traz vocal cantado num ponto de umbanda, letra soando como homenagem a uma entidade – algo que ressoa na percussão-e-voz de Morangueira, e no ritmo quase cardíaco, que vai crescendo aos poucos em letra e peso musical, de O tempo do maquinário não é o mesmo de Exu Elégbará. Ao vivo, o Funeral Macaco deve ser uma enorme surpresa – e vale esperar pelos próximos shows.

Nota: 10
Gravadora: Independente
Lançamento: 13 de março de 2025

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Crítica

Ouvimos: Erin LeCount – “Pareidolia” (EP)

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Resenha: Erin LeCount – “Pareidolia” (EP)

RESENHA: Em Pareidolia, Erin LeCount une synthpop, dream pop e experimentação para transformar crises, autossabotagem e amores tóxicos em canções marcantes.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Atlantic
Lançamento: 29 de junho de 2026

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Reeditado com uma faixa a mais, Pareidolia, novo EP da britânica Erin LeCount, havia sido lançado inicialmente apenas com seis músicas no dia 27 de fevereiro. Ele retorna às plataformas aberto pelo single The cinema, um synthpop grandiloquente em que ela fala de uma baita crise criativa que a atingiu recentemente – uma crise tão forte que a deixava se debulhando em lágrimas toda vez que ouvia música ou ia ao cinema.

Erin é um achado: compõe e produz todo seu repertório (nada desse negócio de “times criativos” e dez parceiros por faixa) e poderia ser até uma Kate Bush versão 2026, já que investe numa espécie de synthpop de câmara, ou dream pop de câmara, cheio de ótimos refrãos, aclimatação eletrônica e algumas orquestrações. Músicas com 808 hymn usam do experimentalismo como uma forma de comunicação sonora (sons para contar uma história, enfim), com cordas cinematográficas.

  • Ouvimos: Pink Breath Of Heaven – Colors make a sound

Na letras, Pareidolia (fenômeno psicológico em que o cérebro identifica padrões familiares em estímulos aleatórios ou ambíguos, tipo ver figuras nas nuvens ou rostos nos bueiros) é um exercício de tragicomédia – com ênfase no tragi – em cima de temas sérios. A grandiloquente I believe, por exemplo, fala sobre a dificuldade de acreditar em alguma coisa – seja deus, astrologia, terapia, relacionamentos ou qualquer sistema que dê sentido à existência.

Don’t you see me trying?, por sua vez, fala sobre autossabotagem e botar tudo que deu certo a perder. American dream é um curioso dream pop de protesto. No final, Alice é a devastação: uma música em que amor, dependência emocional, vício e competição acabam se confundindo, e ela acha melhor que o “trago a pessoa amada de volta” nem se realize, porque vai dar ruim. Um pop “dos sonhos”, que fala de um pesadelo amoroso, e que lembra um dialógo de série.

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Ouvimos: Radkey – “Bedroom sand”

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Resenha: Radkey – “Bedroom sand”

RESENHA: Radkey retorna com Bedroom sand, disco que mistura punk, power pop e pós-punk em faixas diretas, criativas e cheias de energia.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Little Man Records
Lançamento: 14 de julho de 2026

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Vindo de St. Joseph, Missouri, o Radkey é uma banda nova pra muita gente. Mas já é um grupo veterano, que existe desde 2010, e é formado por três irmãos, Isaiah, Soloman e Dee Radke (o nome da banda é uma variação do sobrenome da família). Bedroom sand é o sétimo lançamento e o terceiro álbum da banda, lançado após um bom tempo de afastamento dos estúdios – Green room, o anterior, saiu em 2020, e ganhou destaque até como recomendação de podcasts de música no Brasil.

Bedroom sand traz um punk rock afiado, e que não repete fórmulas nem investe em misturas para deixar as faixas “variadas”. O segredo dos três irmãos é começar com algo simples que vai sendo desenvolvido, e que volta e meia fica mais próximo de uma esquina entre power pop e pós-punk, já que são bases e riffs bem econômicos, e às vezes meio sombrios, como rola em Falling out of grace.

  • Ouvimos: Triple Lutz – In the hands of an angry mob

Welcome to the backyard tem aquela mesma alegria do power pop herdado de bandas como Weezer e Replacements, e abre com um rolldrum leve, que lembra It’s the end of the world as we know it (and I feel fine), do R.E.M. A faixa-título Bedroom sand, por sua vez, segue os passos de bandas como The Cars e Ramones, tudo junto.

A segunda metade de Bedroom sand une distorção e espontaneidade em Strays (marcada por um “ôô” que lembra Replacements), traz algo mais próximo do punk pop em Return to the sky e constrói um curioso punk em vários segmentos em The heartless – uma música que vai do punk mais tradicional ao metal em pouco tempo, com ótimos solos de guitarra. Ready to burn, no final, tem algo a ver com Kurt Cobain – mas só se o Nirvana fosse uma banda mais alegre e descompromissada, e mais punk-beatle.

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Ouvimos: Os Elefantes Elegantes feat Luís Capucho – “Psiu!” (EP)

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Resenha: Os Elefantes Elegantes feat Luís Capucho - "Psiu!" (EP)

RESENHA: Tony Lopes e Luís Capucho criam em Psiu! um EP eletrônico, sombrio e experimental, onde poesia, pós-punk, ambient e narração se misturam.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: São Rock Discos
Lançamento: 24 de julho de 2026

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Capixaba criado em Niterói (RJ), gravado por artistas como Pedro Luis, Cássia Eller, Suely Mesquita e Daúde, Luís Capucho contribui com voz, melodias e clima nesse disco, que já é o trocentésimo lançamento em 2026 do músico, compositor e escritor baiano Tony Lopes.

Com vários discos lançados sob codinomes diferentes, ele usa Os Elefantes Elegantes para trabalhar ao lado do autor de músicas como Máquina de escrever e construir um universo eletrônico e sombrio, em que as músicas de Tony são narradas como se alguém passeasse pelo corredor de uma casa – ou como vozes que vem sabe-se lá de onde.

Juntando, nas próprias palavras de Tony, “poesia, música, ambientação e silêncio”, Psiu! é basicamente um EP de música eletrônica, que segue vários estilos. Um lado “dance music” surge em Ágil, em que a voz de Luís começa ao contrário, em meio a um som espacial e sombrio. Velas tem beats e teclados vindos de longe, com narração variando de velocidade, alternando canto e fala.

Lembrando às vezes o Arnaldo Baptista de Singin’ alone (1982) no registro grave, Luís vem como numa transmissão distante na experimental Angulares, falando da busca de emoções num dia comum. Psiu!, a faixa-título, é pós-punk gótico, entremeado por um “psiu” que soa como o rio da letra. Altar vai novamente numa onda pós-punk, com ruído de disco de vinil no pano de fundo.

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