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Crítica

Ouvimos: Danilo Penteado, “DáPé”

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Ouvimos: Danilo Penteado, “DáPé”

O som de Danilo Penteado é ligado à música brasileira feita em São Paulo, mas tem muito de Jorge Ben, Nelson Cavaquinho e, em especial, Gilberto Gil – este último, vale lembrar, acabou sendo parceiro de Danilo quando este encontrou o poema Plateia no livro Gilberto Gil: Todas as letras, organizado por Carlos Rennó, e pôs música nele. Nomes como Mauricio Pereira, Cesar Lacerda e Romulo Fróes, que colaboraram em DáPé, ajudam a dar um ar simultaneamente lírico e irônico para as faixas do álbum – que no entanto abre com um samba-celebração, Hoje o dia nasceu diferente, lembrando Jorge Ben, mas com uma certa cara reggae.

Uma malandragem paulista, bem diferente da carioca, surge em Acordei tava morto (com Mauricio Pereira), que fala sobre morte e traz um morto ironizando quem ficou vivo. E também em Minha pipoca, samba com jeito de música dos anos 1940, com Livia Nestrovski e Livia Mattos. Ornitologia, uma letra sobre aves (“algumas não existem mais”) ganha um trabalho de cordas quase espacial. Lealdade, com Suzana Salles, traz o diálogo de um ex-casal – um homem que tenta retomar o namoro, e uma mulher que preferiria que ele superasse o fim da relação. Falta muito ainda?, com Ná Ozzetti, põe o foco numa mulher cansada de ser explorada pelo “traste mimado” do seu marido (“não queria nem fazer feijão/acordar em outra dimensão”).

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Duas citações claríssimas em DáPé surgem na cara do ouvinte: o samba pessimista de É a esperança, que traz o personagem perdendo tudo o que lhe cerca, tem a frase “o sol não brilhou nenhuma vez” (lembrança ao contrário de Juízo final, de Nelson Cavaquinho). O que, então, nos faz sonhar? lembra Nelson, lembra Gonzaguinha e lembra também Aldir Blanc, com vários versos terminados em “ora” e frases excelentes como “que adultos incompreendidos/não se percam do que são”. Já Nova oração é uma bossa realmente nova, fazendo referência a A paz, de João Donato e Gilberto Gil. DáPé um disco de histórias e comentários, em que letras, melodias e sambas são vistos do avesso – e por todos os lados.

Nota: 8,5
Gravadora: YB Music
Lançamento: 7 de novembro de 2024

Crítica

Ouvimos: Sutiã Rasgado – “Trash meninas” (EP)

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Resenha: Sutiã Rasgado – “Trash meninas” (EP)

RESENHA: Sutiã Rasgado mistura darkwave, pós-punk e punk em Trash meninas, EP que vai do etéreo ao peso com letras de desilusão e autoafirmação.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 30 de maio de 2025

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Duo feminino de Campinas (SP), o Sutiã Rasgado lançou ano passado o EP Trash meninas e o single Ilusão – e são uma banda que vai do clima etéreo ao peso punk em poucos minutos. Na verdade, é exatamente esse o caminho que elas fazem em Trash meninas: Again, a faixa de abertura, tem onda darkwave e baixo lembrando Joy Division, além de um beat de máquina. Like a shot tem estileira doce, guitarras bem simples e legais, e um som que lembra bandas como The Chameleons, The Sundays e a fase mais seca e nervosa do The Cure.

  • Ouvimos: Sutil Modelo Novo – Corre errado (EP)

Gênio ganha mais distorções, uma letra de desilusão amorosa em português e um clima entre o pós-punk e o jangle pop. A faixa-título encerra o EP migrando pro punk com riffs pesados – já a letra fala de autoafirmação feminina, mas conceitua o nome da banda falando que nem sempre as coisas são leves na vida (“às vezes eu me sinto um sutiã rasgado / uma calcinha larga ou um sapato usado / uma sola descolada, uma roupa com amassos”).

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Crítica

Ouvimos: Truckfighters – “Masterflow”

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Resenha: Truckfighters – “Masterflow”

RESENHA: Truckfighters mistura stoner, metal e riffs sabbathianos em Masterflow, disco que promete caos, mas segura a explosão.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7
Gravadora: Fuzzorama Records
Lançamento: 10 de abril de 2026

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Banda sueca de stoner rock que existe há 25 anos, mas tem discografia pequena, o Truckfighters volta com o sexto (!) disco, Masterflow, apelando para os prazeres broncos logo na capa – a lata de um líquido que poderia ser um lubrificante para automóveis diz mais a respeito de Ozo (voz, baixo) e Dango (guitarra) do que qualquer outra coisa. A frase “balance between discipline and freedom” (balanço entre disciplina e liberdade) diz igualmente muito sobre o caráter pesado e, às vezes, improvisado, do stoner que segue as receitas de bandas como o Kyuss: uma vibe sabbathiana, cheia de riffs e com som de alta octanagem.

Essas são a receita e a vibe geral, mas Masterflow é (vá lá) uma propaganda meio enganosa. Começa com o som cromado de Old big eye e The bliss, músicas que dão a impressão de que tudo vai sair do controle, entre metal, punk e stoner, e em meio a guitarras que rugem e rangem. O problema é que nada sai tanto assim do controle, ainda que depois venham os seis minutos e meio de Carver, som com vibração de Hawkwind.

O Truckfighters é mais interessante quando explode, o que torna faixas como Truce, com certa vibe oitentista (tem momentos em que lembra U2 e até The Cure), a faixa-título (um introspectivo tema instrumental) e Goin’ home em experiências meio chatinhas. Sem tentar dar uma de heróis do som pesado e apostando numa receita cheia de riffs, eles ainda assustam no clima cerimonial de Gath e na onda The Cult + Stooges de The gorgon. Uma viagem sonora que promete e às vezes cumpre, no geral.

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Crítica

Ouvimos: Jambu – “Cartas que escrevi enquanto sonhava” (EP)

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Resenha: Jambu – “Cartas que escrevi enquanto sonhava” (EP)

RESENHA: Jambu troca o pop noventista por emo, grunge e pós-punk em Cartas que escrevi enquanto sonhava, EP intenso, sentimental e cheio de guitarras marcantes.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Deck
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Mudaram algumas coisas no som da banda manauara Jambu – ou melhor, a mudança foi geral. Manauero, o álbum anterior (resenhado aqui, e que ganhou edição deluxe recentemente), era tão pop que chegava a lembrar o som dos discos da Sony Music nos anos 1990. O EP Cartas que escrevi enquanto sonhava mostra uma face mais roqueira do trio, entre emo, grunge, climas pós-punk e algumas trevas nas letras – como a de Invisível, indie rock anos 2000 salpicado de tristeza emo, cuja letra diz “me sinto invisível, sozinho neste mundo”.

Cartas é uma nova fase da banda, em que Gabriel Mar (voz e guitarra), Roberto “Bob” Freire (guitarra) e Yasmin “ysmn” Moura (bateria e voz) fazem um som bem mais sentimental em que as guitarras estão na frente. A vibe pop do disco anterior dava um pouco mais de distinção ao som do grupo, importante dizer. Mas o mergulho no peso e na intensidade rendeu pelo menos dois sons que grudam no ouvido: a balada Carne e osso (com vocais bem bonitos) e as surpresas melódicas de Desconectou, que tem algumas lembranças de Foo Fighters. Já Desculpa, a segunda música, tem muito do indie britânico dos anos 2000.

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