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Crítica

Os melhores discos de 2024 que a gente ouviu em julho

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Os melhores discos de 2024 que a gente ouviu em julho

Lembra que fizemos uma listinha dos melhores discos de 2024 que ouvimos no primeiro semestre? A partir de agora vai ter uma lista por mês – não necessariamente de discos lançados no tal mês, mas de discos ouvidos.

Era pra termos feito essa lista na semana passada, mas estávamos super ocupad… ou melhor, eu, Ricardo Schott, estava ocupado com outras coisas, como a preparação da volta do podcast do site, o Pop Fantasma Documento (ouviu o primeiro episódio da nova temporada, falando nisso?).

Enfim, demos uma olhadinha 30 dias atrás e vimos quais foram os discos desse começo de semestre que balançaram mais nosso (meu, no caso) coração e receberam nota 8 ou acima disso. Bora lá? Dessa vez dois clássicos ganharam a nota máxima – só um deles com disco de carreira inédito.

(na foto acima, só alguns dos discos mais legais que ouvimos no mês passado)

TURMA DA NOTA 8
Bangladeafy, Vulture
Exclusive Os Cabides, Coisas estranhas
Fastball, Sonic ranch
Os Fonsecas, Estranho pra vizinha
The Snuts, Millennials
Tontom, Mania 2000 (EP)
Wilco, Hot sun cool shroud

TURMA DA NOTA 8,5
Adorável Clichê, Sonhos que nunca morrem
Clairo, Charm
Taxidermia, Vera Cruz Island
Travis, L.A. Times

TURMA DA NOTA 9
Aluminum, Fully beat
Blake Jones and The Trike Shop, And still…
Guided By Voices, Strut of kings
Lake Street Dive, Good together
Lenna Bahule, Kwisa (EP)
Pond, Stung!
Ugly, Twice around the sun

TURMA DA NOTA 10!
David Bowie, Rock and roll star! (box set)
John Cale, POPtical illusion

Crítica

Ouvimos: Durutti Column – “Renascent”

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Resenha: Durutti Column – “Renascent”

RESENHA: O Durutti Column lança Renascent, primeiro álbum em 16 anos. Liderado por Vini Reilly, guitarrista que influenciou Johnny Marr, John Frusciante e Ed O’Brien, o disco explora texturas, ambient e pós-punk.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: London
Lançamento: 31 de julho de 2026

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Quem é o “guitarrista dos guitarristas”? A resposta mais óbvia: Jeff Beck, dono de uma discografia desconcertante, que vai do rock pesado ao jazz (passando pelos clássicos), mas que nunca foi um nomão do mercado. Mas tem outro: o inglês Vini Reilly, basicamente um criador de texturas sonoras, conhecido pelo trabalho com a banda Durutti Column. Johnny Marr (Smiths), John Frusciante (Red Hot Chili Peppers) e Ed O’Brien (Radiohead) estão entre os que já citaram seus fraseados como inspiração.

Vai daí que Renascent, primeiro disco do Durutti Column em 16 anos, serve como um mostruário de quem é Vini Reilly, para quem estiver disposto a ouvi-lo – e disposto a ouvi-lo é uma entidade muito particular, por si só, já que é um som que requer audição profunda. A guitarra, em faixas como Your shadow at morning, Time present and time past e a delicada Agonistes (rara música com letra do álbum, apresentando Caoilfhionn Rose nos vocais) não soa como uma guitarra normalmente soaria. O instrumento soa como parte do cenário, como um detalhe, às vezes em meio a teclados que a deixam também soando como um teclado, às vezes estilingando como no jazz ou na música hispânica.

O Durutti vem de Manchester, mas não soa como as bandas locais. O fato de Vini ter uma abordagem tão própria e vir do meio indie local (foi lançado pela Factory) é a cara do “irredentismo” mancuniano, das iniciativas particulares que rolam por lá desde o punk. Curiosamente, a impressão que dá em vários momentos é a de que, dos anos 1970 para cá faltou alguém para soltar um “deixa comigo” para Vini e tentar transformar o som dele em algo (vá lá) cool – no sentido de que as harmonias texturizadas do Radiohead sempre foram o máximo da coolzice.

Se não dá pra tocar em rádio rock (bom, Paranoid android, do Radiohead, toca), dá pra virar trilha de filme (como ele já virou algumas vezes) e até de comercial. Provavelmente Vini Reilly só faltaria fazer o sinal da cruz ao saber que alguém pensou nessa possibilidade, já que a fama de “difícil” e arredio dele é grande). Renascent fica entre o anti-comercial e algo mais clássico e cinematográfico, em faixas como o trip hop celestial Liars (nessa, Vini solta uma espécie de rap como letra), a meditativa Vapour in a matchbox (essa é boa para entender como Reilly influenciou Johnny Marr), o beat soturno e minimalista de Your shadow at evening, e o voz-e-piano de Sargasso sea, outra com Caoilfhionn Rose.

  • Ouvimos: Cajupitanga – Ubá (2019-2024)

Vini consegue emular um pouco até a vibe de Atmosphere, do Joy Division, mas de forma mais luminosa, em Scammer – outra música em que ele solta a voz, quase mastigando as palavras. No final, o não-pop de câmara de For friends everywhere, que soa como o hino de um país que não existe, ou o hino de vários países misturados. E a continuação com os metais funéreos e a guitarra esparsa de All they see is fire, com Lucas Elliott nos vocais. Um som bem próprio.

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Crítica

Ouvimos: Taxi Girls – “Static”

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Resenha: Taxi Girls – “Static”

RESENHA: A banda canadense Taxi Girls estreia com Static, álbum que resgata a energia do punk e da new wave de Clash, Buzzcocks e The Damned em músicas sobre amizade, conflitos e relações.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Stomp Records
Lançamento: 26 de junho de 2026

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Treze músicas relativamente curtas, levadas adiante por guitarras com base forte, vocal rouco e beat entre o punk e a new wave. A banda canadense Taxi Girls estreia com o álbum Static e une a força musical própria a sons que lembram Clash, Buzzcocks e The Damned – e que têm mais a ver com o punk inicial do que com qualquer metamorfose que veio depois.

As três bandas surgem como lembrança em faixas como Try harder, Say it!, a estradeira Auto-hysterics (de versos ótimos como “presa em profunda reflexão sobre o amor conquistado na dor / as rodas girando me trazem alívio”). Tem algo entre punk, grunge e glam rock em Red flag crush, que fala com todas as letras sobre um “afeto” com o qual uma delas se envolveu. So quaint, um hino às amizades antigas, põe aclimatações country no som e chega a ter algo de Pretenders – o tema surge também no surf-punk Secret handshake.

  • Ouvimos: Women In Peril – Don’t lose heart

As Taxi Girls conseguem lembrar épocas distantes sem resvalar na nostalgia – curiosamente, Static tem até uma ótima faixa sobre ela mesma, a nostalgia (Midnight mixtape), que une glam pesado e som aparentado da fase new wave de Alice Cooper. Kill your darlings, por sua vez, une alegria punk e barra pesada a la Hole, L7 e The Distillers (“preciso de espaço para ficar sozinha / essa desintoxicação está me deixando fora de controle / cabeça entre as mãos no chão do banheiro / complicações / minha mente está a mil”).

Vale citar que num bom pedaço de Static, Jamie Radu (voz, baixo, guitarra), Vera Bozickovic (voz, guitarra, baixo), Lynn Poulin (bateria, vocal de apoio) e Gabrielle Noël Bégin (guitarra solo, vocal de apoio) batem forte no egocentrismo e na incompreensão vinda de quem está por perto. Rola em faixas como High // Lows, Don’t leave me hanging, Red flag crush, Kill your darlings e trechos de várias outras – e soa como um tema recorrente num disco tão verdadeiro e tão ligado ao punk original.

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Ouvimos: Pianocoquetel – “Que coisa”

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Resenha: Pianocoquetel – “Que coisa”

RESENHA: O gaúcho Pianocoquetel lança Que coisa, álbum que mistura city pop, soft rock, MPB, lo-fi e vaporwave em canções irônicas sobre cotidiano, relações e a vida urbana.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Frase Records
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Faltava esse tipo de som no Brasil. Ou melhor: nem faltava, porque tem mais gente fazendo além do Pianocoquetel. Falta é essa turma ser mais pautada e entendida – enfim, a turma que une guitarras baladeiras, teclados com som vintage, alguma eletrônica lo-fi e climas vaporosos. No álbum Que coisa, o Pianocoquetel, idealizado pelo gaúcho Felipe Brandão, junta isso tudo a letras observadoras e irônicas, como na balada Obra, inspirada no dia a dia de quem tem que encarar as próprias reforma caseiras, ou as dos vizinhos.

Com recordações de city pop, soft rock, música de elevador, karaokês e cenas de filmes com gente cantando sozinha acompanhada de um synth, o Pianocoquetel é uma festa pop sarcástica, que segue com a new-bossa de Silêncio constrangedor, o soul lento de Olha só (que fala do esforço para ser visto vivo “nesse velho funeral” cheio de valores cagados e tempos desperdiçados), o samba-lounge mágico de Ano inteiro (essa, soando como uma suposta parceria entre Arnaldo Baptista e Guilherme Arantes) e a valsa tóxica de Taekwondo.

Nessa base, o Pianocoquetel acaba lembrando bandas como Sparks, que unem melodias contemplativas e observações ferinas, como no tédio mortal de Vai levar um tempo pra voltar e na blues ballad de elevador Castelo de roupas pelo chão. Mas Que coisa ainda tem a impagável São Longuinho e os três pulinhos, rock lascado à moda de Ty Segall – embora as mudanças de tom no refrão sejam caprichadas. E o rock solar e setentista de Baixa manutenção, com Viridiana dividindo os vocais. Tudo montado com muito cuidado nas melodias.

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