Cultura Pop
“Marc”: o show de Marc Bolan na TV, em 1977

Pouco antes de morrer e retomando o T. Rex com o (bom) disco Dandy in the underworld, Marc Bolan foi convidado pela emissora britânica iTV para ter um programa de TV só seu, o Marc. Foi uma fase que durou bem pouco tempo. Foram produzidos só seis episódios semanais, que poderiam ter se estendido para mais uma temporada caso Marc não tivesse morrido em 16 de setembro daquele ano.
Esse material teve poucas edições em DVD, uma delas exclusiva para o mercado japonês. Hoje, os episódios foram jogados na web. A duração de cada um é bem curta e vale a pena dar uma olhada. Nem que seja para relembrar por alguns instantes um dos maiores ídolos do rock dos anos 1970, que saiu de cena há 40 anos. E parecia em vias de iniciar algo completamente diferente naquele momento.
https://www.youtube.com/watch?v=P0X2_svca6g
Na época, Bolan, para as gerações mais recentes, era um ex-ídolo. Que, diferentemente do amigo David Bowie, sempre atrás das novas ondas, não conseguiu manter-se em evidência no mercado. Bolan e Bowie chegaram a gravar um single juntos em 1970, The prettiest star. E o produtor de ambos, Tony Visconti, chegou a falar em uma entrevista que aquela tinha sido a última época em que os dois poderiam ter feito algo em parceria. “Foi a única época em que os egos de ambos permitiriam isso”, contou.
O programa de Bolan era um misto de curadoria de novidades do rock com uma e outra breguice – incluindo vinhetas animadas e um e outro número de dança, lembrando uma estética que, nos anos 1970, seria bastante usada na televisão aqui no Brasil. Como o punk havia se imposto como a grande novidade do rock e varrido vários ídolos do cenário (o próprio Bolan foi um deles), ele ganhou espaço na sexta e última edição. Rolaram aparições de Generation X (com Billy Idol no vocal) e Eddie & The Hot Rods. No quarto episódio, ele apresentou uma aparição solo de Roger Taylor, baterista do Queen, cantando I wanna testify.
Na sexta e última edição de Marc, a atração era ninguém menos que David Bowie. O cantor resolvera sair do isolamento da era do disco Low para começar a divulgar Heroes, e estava fazendo aparições na TV. Mesmo nunca tendo perdido contato, os dois estavam afastados havia algum tempo e a aparição de Bowie, cantando uma versão mais orgânica de Heroes, foi emocionante, com direito a uma jam dos dois final, com o T Rex. O programa acabou só indo ao ar em 28 de setembro, doze dias depois da morte de Bolan.
Na época, Marc costumava falar que ele e Bowie iriam gravar um disco juntos, e os dois realmente tinham feito uma parceria depois desse número juntos, Madman. A música não foi gravada por nenhum dos dois e acabou indo parar no repertório de uma banda new wave chamada Cuddly Toys, em 1979.
https://www.youtube.com/watch?v=RAQd0xMKWBA
Uma estranha curiosidade é que Bowie, nessa de sair da toca e aparecer na televisão, também gravou um número em Merrie Olde Christmas, especial de Natal de Bing Crosby. Cantou com ele Peace on Earth e Little drummer boy. E Bing também morreu antes que o programa fosse ao ar – saiu de cena em 14 de outubro daquele ano. Olha o encontro dos dois aí.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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