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Cultura Pop

Lembra quando o Jet Black (Stranglers) trabalhou vendendo sorvete?

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Ok, de repente você nem sabe quem é Jet Black nem quem são os Stranglers – uma banda pioneira do punk britânico, responsável por hits politizados e durões como Tank e No more heroes. Eles já apareceram em alguns momentos aqui no POP FANTASMA.

Jet, nascido Brian John Duffy, foi baterista dos Stranglers até 2015, quando precisou se afastar da banda por causa de problemas cardíacos. O músico tem um dos históricos mais inusitados em se tratando de um artista de rock. Tem hoje 80 anos, e tinha quase 40 quando seu grupo começou a fazer sucesso. Nasceu em Essex, na Inglaterra, e começou tocando piano, influenciado por trios e big bands de jazz. Também tentou praticar violino. E tocou bateria, claro.

Estaria tudo caminhando mais ou menos bem não fosse por alguns detalhes básicos: Brian vivia num lar cheio de conflitos, sofria de asma e passou boa parte de sua vida educacional de licença médica. Segundo ele próprio, era totalmente analfabeto quando estava na idade de começar a trabalhar.

Jet foi procurar emprego e aceitou qualquer ocupação que aparecesse na sua frente. Até que reparou que, nos anos 1950, começava uma espécie de novo boom comercial do sorvete, com novas marcas e vans circulando pelas ruas, vendendo picolés e casquinhas. Uma empresa comprou máquinas de sorvete da Itália e as colocou nos tais caminhões e vans, que criavam longas filas de crianças e adolescentes pelos quarteirões.

“Por algum tempo eu dirigi uma dessas vans. Eu tinha descoberto que você poderia contratá-los e comprar e vender sorvete em qualquer lugar que quisesse, praticamente. Não custou muito para configurar”, recordou Jet Black aqui.

O baterista podia não ter tido uma educação formal, mas soube aproveitar as oportunidades, digamos assim. A tal empresa para a qual ele trabalhava ofereceu um emprego em um novo depósito que eles estavam abrindo em Guildford. Depois de anos tocando em bandinhas em esquema quase amador, ele estava com um emprego “de verdade”, e tinha virado controlador do depósito da tal empresa. Conseguiu se manter no trabalho mesmo sem saber ler e escrever direito. “Eu não estava ocioso antes. Eu não tinha ganhado nenhuma qualificação, mas tinha trabalhado em me educar, tinha uma mente curiosa e muita determinação. Talvez meu maior trunfo fosse a organização. Eu era um bom organizador e exigente em detalhes”, recordou.

O trabalho consumia tanto a vida de Black que algumas coisas mudaram. Quando resolveu ir para Guildford, ele não achou espaço para levar seu kit de bateria. Acabou vendendo as peças e deixando o sonho de vencer na vida como músico para lá. Por outro lado, foi expandindo seus tentáculos para outras áreas: detectou que havia uma moda de fabricação de cerveja caseira, e resolveu investir num equipamento. Também descobriu como fabricar vinho a partir de substâncias mais improváveis, como amoras. Acabou comprando uma lojinha, e depois uma lojona (quando precisou de mais espaço por causa da demanda) e montou uma cervejaria lá.

Outro problema: como fazer para conciliar o comércio de bebidas com o de sorvete? Bom, Jet foi largando o emprego na sorveteria aos poucos porque estava ocupado. Até que depois surgiu a oportunidade de ele mesmo ter seu negócio de vans pelas ruas de Guildford. O lance deu certo. Tão certo que o empresário começou a pensar: peraí, e minha carreira musical? Acabou resolvendo comprar uma bateria e voltar a tocar.

O resto é história, porque Jet resolveu correr atrás de colegas para montar uma banda. Acabou entrando para a Johnny Sox, banda liderada pelo futuro vocalista dos Stranglers, Hugh Cornwell. Também largou a pegada jazzística em favor de uma mão mais reta, mais adequada ao som dos anos 1970. O negócio de sorvetes foi sustentando a ideia da banda por alguns anos, a ponto de ele ter esvaziado uma van para transportar equipamentos.

Os futuros Stranglers foram chegando (o vocalista Hugh Cornwell chegou a trabalhar numa das vans de sorvetes, depois viriam o baixista Jean-Jacques Burnel e, por último, o tecladista Dave Greenfield), o nome do grupo foi registrado em setembro de 1974 e, até chegar à primeira formação, o grupo foi tendo ideias que foram deixadas de lado, como arrumar um saxofonista. Depois passaram a ensaiar numa cabana de escoteiros, após ouvirem reclamações de vizinhos. E em 1976 saiu o disco abaixo.

E esse aí é Black, então um setentão, atacando as peles numa das últimas turnês que fez com a banda.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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