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Cultura Pop

Jim Capaldi reeeditado e relembrado

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Jim Capaldi reeeditado e relembrado

Muita gente não sabe disso, mas existe uma escola de música com o nome de um conhecido roqueiro inglês em Vicente de Carvalho, bairro da Zona Norte do Rio. O Centro Musical Jim Capaldi, criado pelo ex-baterista do Traffic, já ultrapassou uma década dando aulas de canto, cavaquinho, percussão, violão e prática de conjunto para crianças do entorno do bairro – lugares como Conjunto Residencial do Ipase, Morro do Juramento, Jardim do Saco, Morro do Trem, Jardim do Carmo e Morro da Fé. O centro é parte integrante  da Associação Beneficente São Martinho.

Jim Capaldi (1944-2005), muita gente deve saber, tinha relações reais com o Brasil: casou-se com uma carioca, Anna Capaldi, e morou no Brasil por alguns anos, a partir do fim da década de 1970. Além do Traffic, manteve uma carreira solo repleta de lançamentos, alguns deles gravados no Brasil. Chegou a manifestar preocupação com a situação do país em canções como Favella music, lançada em 1981.

Anna vem tocando o centro com a ajuda das filhas, Tabitha e Talullah (a caçula, nascida no Rio). A mais velha, Tabitha, também ajuda a tocar o legado do pai (que, aliás, faria 77 anos hoje, dia 2 de agosto de 2021). Ela recentemente percebeu que um dos discos mais significativos de Jim, Short cut draw blood, o terceiro, lançado originalmente pela Island em 1975, estava fora das plataformas digitais, apesar de já ter sido reeditado em CD. Lutou pelo relançamento digital do álbum, repleto de letras críticas em relação à maneira como os povos oprimidos sçao tratados. E cuja ficha técnica traz super musicos como Steve Winwood (teclados, guitarra, baixo), Remi Kabaka, Rebop Kwaku Baah (ambos percussão) e Chris Spedding (guitarra).

 

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Tabitha também vem tocando projetos como o site de Jim (que estará devidamente reformado em setembro) e o instagram do artista. Trabalha também num filme sobre o Traffic e na volta aos palcos de um ex-colega de banda do pai, Steve Winwood, que retorna em turnê ao lado do Steely Dan em 2022. Batemos um papo com Tabitha sobre os novos projetos, sobre a escola de música (que precisa de doações – saiba mais aqui) e sobre a infância dela, cercada de música e de histórias envolvendo nomes como George Harrison e David Gilmour.

Nunca tinha escutado o Short cut draw blood e fiquei impressionado com as letras. A faixa-título poderia ter sido feita hoje. O disco não estava disponível no digital, então?

Não, lançamos agora. É essa a grande questão. A gente tem uma empresa, Freedom Songs, que meu pai criou, e administramos parte do catálogo dele, que é nosso. Tem certos discos que estão com majors, esse especificamente é da Island Records, uns outros com a Warner. Era um trabalho que a gente estava fazendo, mas digital a gente nunca prestou atenção. Minha mãe estava administrando esse catálogo havia muitos anos, depois que meu pai morreu em 2005 ela estava à frente disso. Era um trabalho mais de discos físicos, box sets, mas o digital foi esquecido. Recentemente eu estou tomando mais à frente.

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Desde quando você cuida dessa parte?

Comecei ano passado, 2020. Eu sempre trabalhei com direito autoral, fiquei onze anos na BMI (sociedade arrecadadora). Trabalhava com gravadoras pequenas em Londres. Eu ajudava minha mãe nesse lado, vendo tudo. E descobri que esse disco nunca tinha sido lançado, foi um erro muito grande da gravadora. Entrei em contato com o novo chefe da Island, que eu havia conhecido quando trabalhava na indústria – é o Louis Bloom, o pai dele era integrante da banda 10cc (o Graham Gouldman). O Louis até pediu desculpas pelo disco não ter saído.

Você não quis nunca ser musicista?

Muita gente até perguntava isso, porque tendo pai músico, é uma influência. Tive um pai com ele, vivi uma vida como a que eu vivi, cercada de grandes músicos… Mas eu me sentiria muito intimidada. É muito difícil crescer nesse mundo. Conheço muita gente assim, até aqui no Brasil você tem filhos de músicos, como o Pedro Baby (filho de Baby do Brasil e Pepeu Gomes), mas é um caminho muito difícil, você tem que ser fantástico, está sempre sendo comparada com seu pai. Eu já entendi desde cedo que não iria para essa área.

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Meu pai nem incentivou muito a mim e a minha irmã a entrar em nada na música. Era tipo “ah, vira médica, advogada” (risos). Bom, claro que se eu quisesse ser artista ele teria apoiado. Mas eu queria ficar perto da música e fui para a indústria.

Já andaram saindo box sets do Jim em vinil, certo?

Em 2019 saiu uma box set de vinil do Traffic, seis discos de vinil. Foi primeiro box do Traffic, até pela trilha dos Vingadores, que fez sucesso. Teve um box set em 2020, Dear Mr Fantasy, que foi um trabalho feito ao lado do selo Cherry Red. E um chamado Open your heart, com os discos em vinil, inclusive o Short cut draw blood. Em breve vão sair os vinis individualmente, que eu acho que são um produto bem legal. Estamos muito felizes com isso.

Aliás você deve ter crescido cercada de vinis…

Eu fui cercada de muita música, era algo até meio irritante: “Oh, seu pai é um músico famoso!”. Cresci entendendo música a fundo, estava cercada de música desde pequena, sempre ouvindo. Lembro do meu pai me levando pra ver o The Who, acho que foi um dos primeiros shows que vi na vida, no Hammersmith Apollo, começo dos anos 1970. Cresci em Henley-on-Thames, um lugar pequeno em Londres, e George Harrison morava do lado, a cinco minutos de lá. E ainda tinha David Gilmour que morava também do lado. Era uma área cheia de músicos. Eu ia para a escola, tinha amigos normais, mas voltava para casa e estavam o George Harrison ou o David Gilmour sentados à mesa lá em casa (risos). Era fantástico.

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Vocês iam muito às casas deles?

Lembro de ir à casa do George Harrison porque ele e meu pai eram amigos próximos. Cresci ao lado do Deep Purple, Jon Lord e Ian Paice eram amigos do meu pai, bem próximos da minha família. Passávamos muito tempo juntos e havia muitas jam sessions. Você ia na casa do George e tinha uns cem ukeleles. Ele te dava um na porta e todo mundo tinha que tocar. Eu vivia nesse meio, via todo mundo tocando e era meio estranho para uma criança. Perguntavam “o que você fez no fim de semana com sua família?”. Falavam: “Ah, eu fui no parque com a minha mãe”. Eu respondia: “Ah, fiz uma jam com Ringo Starr e Ian Paice” (risos). Uma vez na casa do George, Ravi Shankar estava lá, eu tinha 16 anos. O Billy Preston estava no piano, sabe o Billy Preston?

Claro!

Pois é, eu estava sempre cercada de músicos e volta e meia me perguntavam se eu queria ser cantora, musicista. Não dá, isso é muito intimidador. Mas era uma vida incrível para se ter à minha volta. Eu tinha muita música em casa, alias eu tinha uma jukebox em casa. Meu pai era fanático por música, havia música no carro no caminho da escola, na jukebox quando acordávamos, ou no aparelho de som, ou no estúdio em casa. Ele estava sempre ouvindo alguma coisa, ou escrevendo alguma coisa. Ele era definitivamente um “old guy”, um cara que curtia coisas antigas.

Quando eu estava crescendo nos anos 1990, eu entrei na onda de techno, drum’n bass, era uma coisa da minha geração. Lembro que o primeiro selo no qual trabalhei foi uma gravadora de drum’n bass. Conversava com ele e ele “o que é isso? Isso é música de máquina?”. Acho que foi difícil para ele se adaptar, a gente teve muitas conversas sobre isso. Ele era muito apaixonado por soul music, Motown, Ray Charles, Sam Cooke, Otis Redding. Eu aprendi muito sobre música quando bem pequena, tinha muito vinil em casa, mas depois minha “coisa” passou ser o hip hop, quando eu tinha uns 13 anos. Depois na BMI tinha que trabalhar com outros selos, tinha que assinar com Bloc Party, Amy Winehouse, Arctic Monkeys, trabalhei com montes de pessoas, tinha que ver gigs. Mas vi Ray Charles, The Who, isso explodiu minha mente. Quando você é criança nem entende quem são esses artistas. Uma vez cheguei em casa e quem estava lá era o (tenista) John McEnroe, que era fã do meu pai. Meu pai era fã de esportes e no Brasil, se apaixonou por futebol.

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Jim Capaldi reeeditado e relembrado

Jim Capaldi e Tabitha

Você nasceu no Brasil?

Não, eu nasci em Londres e vim para o Brasil em 1978, 1979. Minha irmã nasceu aqui. Cheguei aqui com um ano de idade. E morei aqui até os seis anos. Voltamos para Londres acho que em 1984, e passei minha infância no Brasil. Meu pai já tinha vindo ao Brasil, ele conheceu minha mãe em Londres em 1975, quando ela foi para lá estudar inglês. Eles se conheceram e em três meses se casaram e ela já estava grávida de mim! (risos) Tenho lembranças legais do Brasil, da praia, e de quando voltei para a Inglaterra que foi um choque, por causa do frio. Mas durante o período em que vivemos aqui, ele estava sempre viajando muito, gravando outros discos. Estava sempre na estrada, longe, ficava um tempo sem vê-lo. Mas era minha vida. Eu chegava a pensar que queria que ele trabalhasse num banco ou algo do tipo. “Será que você não pode ter um emprego normal?”, eu falava.

Além de ser um grande baterista, ele também foi um cantor e um letrista habilidoso e informado – tanto que o disco fala de ecologia, preocupação com os povos indígenas… Isso era discutido em casa com vocês?

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Ele era interessado nisso sim. Meus avós eram italianos, meu avô tocava acordeom, ambos eram músicos. Minha avó cantava. Eles se encontraram porque a família da minha avó tinha um circo. Eles faziam turnês, davam shows, então meu pai teve um background bem musical. Ele não chegou a fazer uma faculdade, aprendeu muito vivendo com o Traffic na estrada. Mas o primeiro instrumento que ele estudou, na verdade, foi piano. Meu pai estudou música justamente porque meus avós eram músicos.

Ele aprendeu piano antes e já era um cantor antes mesmo de ser baterista e trabalhar com o Traffic. E já estava compondo e cantando antes da banda. Se você lê as letras percebe o quanto meu pai era um letrista, ele escreveu todos os versos do Traffic. Ele tinha um envolvimento muito grande com a questão da ecologia, adorava ler a National Geographic, ler sobre antropologia, era fanático por isso. Ele tinha muitos livros, a educação dele veio dos livros, e o disco inteiro é uma expressão dos sentimentos dele. Há vários tipos de canções nesse disco, até mesmo canções sobre ecologia, mas há outras músicas. Ele queria sempre dizer alguma coisa, queria deixar um statement.

Bob Dylan era a maior bíblia dele, representava tudo o que ele queria dizer. Meu pai era brilhante como letrista. Tem muitas obras que ele escreveu que são bem pop. Mas tinha o lado dele de querer falar dos pontos mais importantes da vida.

E como vai a escola de música Jim Capaldi? Como está sendo nessa época de pandemia?

Então, hoje estamos passando um momento ruim. Eles precisaram reduzir equipes no Instituto São Martinho. Estamos enfrentando um furacão nesse momento, em que está tudo muito difícil para várias ONGs. Somos baseados em doações, isso caiu muito nesse último ano, e tivemos uma redução de 90% de equipe, praticamente. É algo enorme para a gente, estamos vendo como vamos sobreviver. Não temos apoio do governo, nossa parte é a escola de música que faz parte do São Martinho. A gente pessoalmente – a família Capaldi – doa todo ano para poder segurar e manter os custos, que são 50% da escola. E além disso, fazemos nosso trabalho, pedindo doação. Tivemos uma doação maravilhosa de instrumentos para a escola no ano passado, que foi emocionante para a gente, mas tá sendo muito difícil sim.

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É uma pena, mas estamos tentando fazer o que dá, dentro das possibilidades. Tem muitas pessoas pedindo, e não é só o Brasil. Mas o Brasil está enfrentando um problema sério, de desemprego, falta de acesso à comida, uma loucura. É inacreditável pensar que pessoas que ganhavam com seu trabalho hoje nem têm isso. Gente que pagava as próprias contas e que nem consegue mais fazer isso hoje. As doações que pedimos nem são para a escola, são de comida para as famílias que frequentam a escola. Estamos buscando apoio com pessoas, lançando o novo site do meu pai. Tem site, instagram, muita coisa nova vindo aí. Enfim, como meu pai dizia, keep on tryin.

Voltando a Short cut, esse disco saiu pouco antes de você nascer. Você tinha uma relação de infância com ele? Como é a relação sua com a música do disco? 

Eu amo esse disco. Quando você cresce com música, estabelece um relacionamento com ela. Lembro do meu pai tocando muita música, e lembro muito desse disco de quando ia crescendo. Aliás me lembro de ouvi-lo pouco antes do meu pai morrer. Há muitas fases na nossa vida, mas esse disco em particular eu acho fenomenal. Ele também pe cheio de significado por causa daquela época da Inglaterra, aquele monte de greves acontecendo, Margaret Thatcher vindo aí, um tempo bem horroroso. E tem significado hoje também. Acho que esse disco tem que ser ouvido! O selo no começo estava com a ideia de apenas jogar nas plataformas, mas eu quis fazer uma campanha e eles nem sabiam que ia dar no que deu.

Ele foi gravado no Muscle Shoals Sound Studios (estúdio lendário no Alabama), a gravação faz com que ele seja um disco especial, além das pessoas que trabalharam nele. O disco é uma celebração. Meu pai teve uma leva fantástica de músicos no disco. Eu tenho a ideia de fazer vídeos para as músicas, um making of do disco. Acho que isso nunca nem foi feito. Tinha nomes como o Remi Kabaka, que foi um dos primeiros músicos africanos a tocar rock, e que tocou com todo mundo. Tenho falado bastante sobre isso com o filho dele, Remi Kabaka jr (produtor e músico, conhecido pelo trabalho com a banda virtual Gorillaz).

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Cultura Pop

Black Sabbath: Vinny Appice encontrou Bill Ward, e agora?

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No meio da turnê do disco Heaven and hell, em 1980, o baterista Bill Ward deixou o Black Sabbath. O músico estava um tanto incontrolável no que dizia respeito às drogas e à bebida e vinha tendo problemas de saúde. No seu lugar, o batera Vinny Appice entrou feito um raio, para substituir Bill às pressas.

Vinny Appice nem sequer teve tempo de estudar muito: enfiou todas as peças de seu instrumento no banco de trás de um carro e foi tocar com a banda no Aloha Stadium, no Havaí, praticamente aprendendo todas as canções no palco. E chegou a levar uns papeis com uma cola, para poder tocar músicas que não conhecia. Problema: choveu bastante e caiu água em cima da cola de Vinnie, desmanchando a tinta. O músico se virou como deu. O experiente Appice, que já tocara com John Lennon e Rick Derringer, ficou no grupo até 1982, seguiu com o vocalista Ronnie James Dio para sua banda Dio, e voltou ao Sabbath outras vezes.

O músico revela que passou certa tensão quando encontrou justamente com Bill, quando já estava na nova formação do Sabbath. “Foi durante uma pausa daquela turnê ou algo do tipo no Rainbow Bar em Hollywood, o famoso bar. Bill provavelmente bebeu um monte naquela noite”, afirmou o baterista.

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Ele se recordou que Bill estava meio “fora de controle” e chegou a temer levar umas bolachas, mas foi tudo tranquilo. “Eu estava tipo: ‘oh Deus, eu não quero entrar em nenhum tipo de confusão com Bill”, contou. “Ele é o cara mais doce do mundo. Eu amo Bill. Ele foi uma grande influência na forma como eu toco. Ele tocou ótimas coisas, muito criativo”, respondeu.

Via Ultimate Guitar e Wayback Machine.

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Cultura Pop

Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Para quem é fã do punk rock clássico, aquele que fez história nos EUA e na Inglaterra do fim dos anos 1970, Stiv Bators é um nome conhecido e celebrado. Vocalista dos Dead Boys, Bators tornou-se conhecido pelas performances viscerais e selvagens que fazia, em muito inspirado por seu ídolo Iggy Pop.

Gimme danger little stranger

Duas histórias notáveis, inclusive, tornaram-se emblemáticas em sua adoração por Iggy Pop. Na primeira delas, Stiv disse aos quatro cantos que foi ele o responsável por entregar o pote de manteiga de amendoim com o qual o Iguana se besuntou e andou heroicamente sobre (literalmente) a platéia no Cincinatti Pop Festival de 1970, algo considerado como pura lenda por seus amigos.

A segunda foi em um jantar em Cleveland em 1977, quando os Dead Boys abriram para o ex-stooge como parte da turnê de seu primeiro álbum. Nervoso por conhecer seu ídolo, Bators ingeriu alguns Quaaludes, como era conhecido o fármaco metaqualona, que fora criado para combater a insônia, mas servia para deixar o pessoal mais, digamos, ousado. Chapadaço da substância, Bators não segurou a bronca e caiu de cara em seu prato de sopa justamente quando jantava com seu herói, em história retratada no já clássico livro Mate-me por favor.

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

David Quinton Steinberg, Stiv Bators, George Cabaniss e Frank Secich gravando o álbum Disconnected em agosto de 1980 no Perspective Studios, em Sun Valley, Califórnia. Foto de Theresa Kereakes.

Jovem, barulhento e arrogante

Com o grupo, Stiv Bators lançou dois álbuns. O cultuadíssimo Young, loud and snotty (1977), uma das pedras fundamentais do punk americano, e o segundo disco do grupo, We have come for your children (1978), álbum de menor impacto que seu antecessor mas também repleto de petardos enfurecidos da banda de Cleveland, ainda hoje apontada como uma das mais selvagens da sua geração.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Stiv Bators: o “outro nome” do punk em documentário

A selvageria vista no palco não era mera encenação. Na época de Dead Boys, Stiv teve um romance com a famosa groupie Bebe Buell, que já havia namorado músicos como Todd Rundgren, Rod Steward e Steven Tyler, do Aerosmith, com quem teve a filha Liv Tyler. Buell, inclusive, relembrou a relação com Stiv em um texto para o site Please Kill Me, de Legs McNeil, autor do já citado livro de mesmo nome. Ao longo de sua curta e intensa vida, o vocalista usou e abusou das drogas e fez parte da hoje famosa turma festeira que frequentava o CBGB e a boemia do Bowery na Nova York do fim dos anos 70.

Com o fim dos Dead Boys, Bators decidiu se reinventar como um cantor de power pop, fechando um contrato com a gravadora Bomp! e se mudando para Los Angeles. Foi dessas sessões que surgiu o álbum Disconnected (1980), apontado como uma obra-prima pouco explorada desse vocalista também pouco celebrado em comparação com alguns de seus contemporâneos e amigos de cena.

Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Os músicos de It’s cold outside: Eddy best, Rickbremmer, Stiv Bators e Frank Secich em Los Angeles, abril de 1979. Foto de Donna Santisi.

Do punk rock ao power pop

Para compor o álbum, Bators recrutou o baixista Frank Secich, seu amigo de longa data e conterrâneo de Ohio, estado natal do vocalista, também conhecido por ter sido o baixista da banda de power pop Blue Ash, que chegou a abrir shows para Stooges, Aerosmith, Bob Seger e Ted Nugent, alcançando relativo sucesso no underground americano de meados dos anos 70.

Juntos, Bators e Secich compuseram um punhado de excelentes canções power pop, entremeadas a versões de The Electric Prunes (I had too much to dream) e The Choir (It’s cold outside, que só constou no relançamento do disco de 1987), denotando a paixão de ambos pelos grupos garage dos anos 1960. Uma curiosidade é que boa parte do álbum foi gravado em uma quadra de basquete que ficava ao lado do estúdio, já que, segundo Secich, o espaço oferecia uma sonoridade mais “viva”.

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Michael Monroe (Hanoi Rocks), Stiv Bators (Dead Boys) e Lemmy (Motörhead)

Outra curiosidade é que Disconnected foi coproduzido por Stiv Bators e Thom Wilson, marcando seu primeiro trabalho na função. Mais tarde, Wilson tornaria-se conhecido por produzir discos clássicos do punk americano como o homônimo dos Adolescents, de 1981, Mommy’s little monster (1983), álbum de estreia do Social Distortion, e os três primeiros discos do Offspring, entre uma longa lista que inclui ainda Bad Religion, Dead Kennedys, Iggy Pop e T.S.O.L., pra ficar só em alguns.

Mas, de volta a Disconnected, o álbum não chegou a ter uma verdadeira turnê de divulgação, e nem atraiu grande atenção da mídia no período. Seu reconhecimento veio com as décadas, em especial de fãs dos Dead Boys e do Lords Of The New Church, banda que Bators formou com Brian James, ex-guitarrista do Damned, em 1980, quando saiu de Los Angeles direto para Londres, onde antes formou o grupo de curta vida The Wanderers, com ex-integrantes do Sham 69.

Senhores da Nova Igreja e morte em Paris

Com o supergrupo gótico, que incluía ainda o ex-baixista do mesmo Sham 69 e o ex-baterista dos The Barracudas, Stiv conheceu o sucesso que tanto buscava. Sua história foi inclusive contada em um recente documentário, do qual já falamos aqui.

A posterior dissolução dos Lords of the New Church, seus outros projetos musicais (incluindo uma curiosa banda com Johnny Thunders dos New York Dolls e Dee Dee Ramone, que terminou em briga motivada pelo vício em droga dos dois), e sua trágica morte após ser atropelado em Paris, onde residia com a namorada em 1990, são parte da mística que envolve o vocalista, morto aos 40 anos e ainda festejado como um dos mais autênticos e simbólicos de sua geração.

Reconectando Stiv Bators: entrevista com Frank Secich

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Mais de quarenta anos depois de seu lançamento, Disconnected segue como uma daquelas pérolas que os fãs do vocalista exaltam, mas que não chegaram a ultrapassar a barreira do underground, apesar do evidente potencial pop que dispunha.

Para saber mais sobre a concepção e gravação do disco, conversamos via e-mail com Frank Secich. Escute o disco e confere o papo aí embaixo:

Como você conheceu Stiv Bators, e como a ideia de tocar em seu disco solo surgiu?

Conheci Stiv em uma casa de hippies na faculdade de Youngstown, Ohio, em 1967. Nós viramos amigos rapidamente. Costumávamos ir às boates e casas de shows para adolescentes de Youngstown, como o Carouseel Teen Clubs, o Freak Out, o Champion Rollarena, o Bug Out e outros onde vimos bandas como The Human Beinz, Pied Pipers, James Gang, New Hudson Existe e The Holes In The Road. As primeiras bandas de Stiv, como Steve Bator Band e Mother Goose frequentemente abriam para minha banda Blue Ash no começo dos anos 1970.

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Depois que os Dead Boys acabaram em 1978 após gravarem seu segundo álbum, Stiv queria fazer algo diferente. Em outubro de 1978, começamos a compor canções juntos. Em novembro daquele ano, nós (Stiv, Jimmy Zero, Johnny Blitz [todos membros do Dead Boys] e eu) fizemos demos de The last year, It’s cold outside e It’s alright no estúdio After Dark, em Cleveland. Stiv então acompanhou sua namorada da época, Cynthia Ross, em uma viagem para Los Angeles, onde tocou as demos para Greg Shaw (dono da gravadora Bomp!), que ficou de queixo caído com as músicas. Alguns meses depois, Greg ofereceu um contrato para mim e Stiv.

Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

O single alemão de It’s cold outside da Line Records, de 1979

Vocês escreveram ótimas canções juntos. Como foi este processo?

Nós fazíamos de diferentes maneiras. Para The last year, Stiv tinha o título, o começo da melodia e o refrão. Eu o ajudei a terminá-la e compus a ponte. Nós dois escrevemos as letras. Not that way anymore e Circumstantial evidence eram basicamente canções minhas nas quais Stiv ajudou com as letras. Em I wanna forget you (just the way you are), Stiv surgiu com o título e escreveu a maior parte da letra, e eu escrevi a música e a melodia, e foi igual com Ready anytime. Nós sempre fazíamos diferente, mas Stiv era mais um compositor de letras e eu era mais alguém da melodia, apesar de ambos sabermos fazer as duas coisas. Uma das melhores canções do LP é Bad luck charm, que foi composta por David Quinton Steinberg e George Cabannis.

Tem uma história ótima por trás dessa música. Antes de gravar o álbum nós estávamos fazendo uma turnê naquele verão, e, em Nova York, Johnny Thunders se juntou conosco no palco do Heat Club. Thunders tinha um colar com o que parecia ser a pata de um alce pendurado. No camarim, David e George vieram até mim e disseram: “O que é aquilo no pescoço do Johnny?”. Eu disse: “É seu amuleto de má sorte! Vocês deviam compor uma música sobre isso”. Eles então a fizeram e é uma excelente música. Isso era um pouco do nosso processo criativo!

E como foi o processo de gravação do Disconnected? O álbum segue sendo cultuado por seus fãs e entusiastas de power pop em geral.

Nós nos divertimos muito gravando Disconnected no estúdio Perspective em Sun Valley, na Califórnia, no fim de agosto e começo de setembro de 1980. Greg Shaw da Bomp! Records nos deu liberdade para gravar o álbum e eu o amei por aquilo. O disco foi gravado em uma quadra de basquete que era adjacente ao estúdio. O piso de madeira tinha um som extremamente “vivo”, então fizemos a maior parte das canções ali. Funcionou especialmente bem para músicas como Evil boy, Make up your mind e Bad luck charm.

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

A foto da contracapa de Disconnected, de 1980. Fotos de Theresa Kereakes.

Nós fizemos um monte de experimentos e gravamos bastante de forma improvisada. Às vezes funcionava bem, como quando Cynthia Ross e as fabulosas B-Girls do Canadá vieram à cidade para colocar harmonias e palmas em Swinging a go-go, e no som de explosão de Too much to dream, quando Stiv e eu derrubamos um amplificador Fender Twin Reverb (alugado, é claro) de uma escada e gravamos.

Quando estávamos gravando Ready anytime, Stiv não estava conseguindo alcançar o vocal que queria. Ele disse que tinha que ir até Hollywood para se inspirar. Nós fizemos os overdubs até ele voltar quatro horas depois muito bêbado com uma garota. Ele então foi até a cabine do microfone e começou a gravar enquanto ela “performava” nele na nossa frente. E usamos aquela gravação.

Às vezes não funcionava. Para culminar com o verdadeiro clímax do álbum, eu queria um final do tipo Abertura de 1812 (de Tchaikovsky) para I wanna forget you (Just the way you are) – grande, bombástico e que se destacasse. Era para ser uma canhonada de áudio das Guerras Napoleônicas! Nós pedimos a nosso amigo Kent Smythe que trouxesse centenas de fogos de artifício. Colocamos microfones estrategicamente posicionados em volta deles e o produtor Thom Wilson começou a rodar a fita enquanto eu e Stiv os acendemos, no que foi uma falha de cálculo da nossa parte.

Enquanto os fogos queimavam para fora, o estúdio rapidamente ficou cheio de fumaça. No meio de todas as explosões, Stiv e eu não conseguiamos enxergar ou respirar. Estávamos nos sufocando e tossindo e tivemos que literalmente nos arrastar até o lado de fora do estúdio para sobreviver enquanto David, George, Thom Wilson e Kent estavam caindo no chão de tanto rir. Nós passamos o resto da sessão tirando a fumaça do estúdio. Quando tocamos para ver, soava uma bosta, e não conseguimos usar. A famosa fotógrafa de rock Theresa Kereakes estava lá o tempo todo e registrou muito daquela insanidade para a posteridade.

Stiv falava com orgulho dos Dead Boys?

Sim, ele tinha muito orgulho de ter sido um Dead Boy, e com razão. Eles foram uma banda lendária e absolutamente fantástica ao vivo e a cores. A fusão de guitarras de Cheetah (Chrome) e Jimmy Zero era muito legal, e eles eram ótimos compositores, e Johnny Blitz era um incrível baterista que sabia conduzir o som. Stiv tinha uma presença marcante e carismática. Eles eram originais e únicos, e é por isso que seguem sendo lendários até hoje. Eu tive a felicidade de ser parte disso por um tempo (Secich realizou uma turnê com os Dead Boys por um curto período, quando substituiu o baixista Jeff Magnum).

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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Frank Secich e Stiv Bators na festa de Kim Fowley para a banda Orchids, em 1979. Foto de Lisa Secich.

Nós ouvimos histórias de como Stiv era um “verdadeiro rock star” e um punk rocker selvagem. Ele era assim o tempo todo?

Stiv era um cara bem tranquilo, como Clark Kent, quando não estava no palco. Ele era sempre muito gentil com os fãs e sempre tinha tempo para dar autógrafos e posar para fotos, ou só para bater papo. No palco, ele era um performer consumado e um verdadeiro homem selvagem! Você nunca sabia o que esperar de um show para outro. Nunca havia tédio.

Vocês mantiveram contato ao longo dos anos? Como soube da morte dele?

Nós mantivemos contato durante os anos 1980 até sua morte. Ele me mandava cartões postais hilários e cartas de todos os cantos do mundo quando estava em turnê com os Lords of the New Church. Logo depois que Stiv morreu, eu recebi um telefone de um amigo em comum, Bobby Brabant. Ele disse: “Frank, eu tenho péssimas notícias”. Eu soube pelo tom em sua voz. Eu perguntei: “Como ele morreu?”. Foi um dia muito triste.

Você acha que Stiv teria seguido um caminho musical diferente se estivesse vivo?

Eu tenho certeza que ele seguiria trilhando caminhos e sendo criativo. Ele possivelmente teria feito mais filmes. Ele era um vocalista muito bom e conseguia sempre se expressar bem. Estava sempre três passos à frente do seu tempo e sabia o que fazia. Ele conseguia se reinventar em qualquer cena musical. Ele teria amado a internet e todas as suas possibilidades.

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>>>Foto do abre da matéria: a banda que gravou Disconnected com Stiv Bators em agosto de 1980. David Quinton Steinberg, George Cabaniss, Frank Secich e Stiv Bators. Foto de Theresa Kereakes.
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Entrevista: Frank Secich fala sobre a pouco lembrada (e ótima) carreira solo de Stiv Bators

Stiv Bators em 1979

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Cultura Pop

DGC Records: descubra agora!

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Criada em 1990 pelo empresário David Geffen como um selinho à parte de sua Geffen Records, a DGC Records era tida por muita gente como uma espécie de purgatório da gravadora. Funcionava num escritório menor, com poucos funcionários, e basicamente dava abrigo a bandas mais experimentais, pesadas e alternativas.

O nome DGC, você deve saber, significa David Geffen Company. Mas dentro da gravadora maior, que tinha sob contrato best sellers como o Guns N ‘Roses, funcionários mais maldosos chamavam a pequena DGC de “Dumping Ground Company” (“companhia lixão”). Também diziam que as bandas menos viáveis eram atiradas lá para não sujar o nome da gravadora.

>>> No podcast do POP FANTASMA, Nevermind + Badmotorfinger + Screaming Trees + Tina Bell

A biografia de Kurt Cobain Mais pesado que o céu, de Charles R. Cross, afirma tudo isso e completa ainda dizendo que vendagens de 50 mil cópias eram comemoradas efusivamente na DGC – uma vez que o Sonic Youth vendeu mais que o dobro disso com Goo (1990). Quando o Nirvana foi contratado pela Geffen, a expectativa era que a banda se localizasse no patamar do Sonic Youth. O final da história, você já sabe. E as expectativas de um selinho indie (e ligado a uma gravadora que começara indie mas fora absorvida pelo mainstream) foram bastante ultrapassadas.

A DGC durou ate 2003 (voltou depois em 2007 e ficou ativa até 2010). E marcou época. Confira abaixo alguns nomes ligados a ela (além do Nirvana e do Sonic Youth, que você já sabe).

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DIAS DE TROVÃO. A trilha do filme de Tony Scott, com Tom Cruise, Nicole Kidman, Robert Duvall e grande elenco saiu pela DGC em 1990. Só clássicos: You gotta love someone, com Elton John, Long live the night, com Joan Jett, e Knockin’ on heaven’s door, de Bob Dylan, com o Guns N’Roses.

JOHN DOE. O criador da banda punk X vinha ensaiando carreiras solo como cantor e até como ator, até que em 1990 foi contratado pela DGC e lançou um (bom) disco unindo country e punk, Meet John Doe. Mas não duraria muito por lá e acabaria indo para selos menores, como o Yep Rock.

THE SUNDAYS. Essa simpaticíssima banda de dream pop era contratada pela Rough Trade no Reino Unido, de onde eles vinham. Mas o disco Reading, writing and arithmetic (1990), por exemplo, saiu pela DGC nos Estados Unidos.

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LITTLE CAESAR. Banda de hard rock estilo motoclube vinda de Los Angeles, caiu nas graças do produtor Bob Rock e do executivo John Kalodner e teve passagem-relâmpago pela DGC, com dois LPs lançados no selo entre 1990 e 1991. O grupo existe até hoje, mas está na independência.

SOUTHERN CULTURE ON THE SKIDS. Essa banda de Chapel Hill, Carolina do Norte, une estilos como rockabilly, surf music e country, e existe desde 1985. Boa parte do repertório é satírico e mexe com clichês e estereótipos do universo caipira. São mais um grupo que teve passagem rapidinha pela DGC, com dois discos a partir de 1995.

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THE POSIES. Pouco antes do Nirvana, esse grupo de power pop que também é da região de Washington foi contratado pela DGC. O segundo e o terceiro disco, Dear 23 (1990) e Frosting on the beater (1991) saíram por lá. O hit Dream all day, até hoje uma das mais populares do The Posies, foi lançado pela DGC.

NELSON. Lembra deles? Os filhos do astro do pop americano Ricky Nelson também foram parar nas mãos de John Kalodner e da DGC, que por sinal esperava um grande sucesso para a dupla de rock farofa: botaram produtores e compositores para ajudar no amadurecimento musical dos meninos. O Nelson, no entanto, só aguentaria dois álbuns lá e tentaria fazer uma virada deprê no terceiro, Imaginator (1996), recusado pela gravadora.

LORI CARSON. Queridinha do cenário indie-folk do fim dos anos 1980, essa novaiorquina do Queens estreou na DGC com o disco Shelter (1990), elogiadíssimo, mas só fez esse disco lá. Entre 1992 e 1994, ele fez parte do Golden Palominos, aquela banda casa-da-sogra (com alta rotação de integrantes) liderada pelo Anton Fier.

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THE THROBS. Essa banda novaiorquina de hard rock e glam punk teve vida curta (três anos) e estadia na DGC mais curta ainda.  Lançaram o primeiro disco, The language of thieves and vagabonds (1991), não venderam nada, e seis meses depois estavam fora da gravadora. Em 2001, o baixista Danny Nordahl foi parar no Faster Pussycat e tá lá até hoje.

THE NYMPHS. Liderada pela cantora Inger Lorre, essa banda promoveu certo escândalo e alguma controvérsia (Inger era do tipo que não tinha papas na língua), e gravou uma pérola chamada The Nymphs, produzida por Bill Prince e lançada pela DGC em 1991, além de um EP em 1992. Inger, brigando com a heroína, fez xixi na mesa do cara do A&R da DGC, Tom Zuzaut. O grupo ficou sem gravadora e se separou.

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BECK. Quase tudo de Beck lançado durante seu contrato com a Geffen saiu com selo DGC, embora o selo da empresa-mãe tenha aparecido em algumas edições pelo mundo – até mesmo quando Mellow gold (1993), o primeiro disco, saiu no Brasil em LP. Disputado a tapa com outros selos, o compositor americano vinha com uma proposta lo-fi e independente – a ponto de ter mantido sob contrato que poderia lançar álbuns por selos menores mesmo enquanto contratado da DGC.

WEEZER. Não tem como esquecer deles. A banda foi contratada quando a DGC ouviu a Kitchen tape, gravada em agosto de 1992, numa cozinha (daí o nome), usando o gravador de 8 pistas do vocalista Rivers Cuomo, e que já tinha músicas como The world has turned and left me here e My name is Jonas. Os selos DGC e Geffen foram sendo alternados na discografia do Weezer até 2009, quando saiu o sétimo disco, Raditude.

TEVE MAIS. Discos como Bandwagonesque, do Teenage Fanclub (1991) ganharam edições pela DGC – nesse caso, inclusive no Brasil. Love hurts, último disco da Cher pela Geffen (1991) teve edições em alguns países com esse selo. A estreia epônima da banda britânica Elastica (1995) foi também um lançamento DGC nos Estados Unidos.

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E DEPOIS? Bom, a DGC foi reativada em 2007 como parte da grandalhona Interscope e durou mais alguns anos. Nesse retorno, a empresa pôs nas lojas o retorno do Blink-182 (com Neighborhoods, em 2011), a estreia do Them Crooked Vultures e álbuns de bandas como All Time Low. Nevermind, do Nirvana, continua sendo o disco mais vendido da gravadora.

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